
Secretário de Segurança de Mato Grosso sofre críticas após reduzir casos de feminicídio a números em meio ao recorde de mortes de mulheres.
por Daniel Trindade
A declaração recente do secretário de Segurança Pública de Mato Grosso, coronel César Augusto Roveri, ao descrever os casos de feminicídio no Estado como “cifras”, reacendeu um debate intenso sobre a forma como as autoridades enfrentam a violência contra a mulher em uma das unidades federativas mais vulneráveis do Brasil. A fala, considerada técnica e distante por críticos, ocorre em um cenário em que Mato Grosso figura, pelo segundo ano consecutivo, entre os estados com as taxas mais altas de feminicídio no país, intensificando a percepção de falhas institucionais no enfrentamento desse crime de gênero.
Dados de observatórios regionais mostram que Mato Grosso já ultrapassou os números totais de feminicídios registrados em 2024, com mais de 50 casos em 2025 até dezembro, número que supera o ano anterior e sinaliza um recorde nos últimos cinco anos. Esse contexto é agravado pelos perfis das vítimas: a maioria dos feminicídios ocorre dentro do ambiente doméstico onde cerca de 83% dos casos registrados em 2024 aconteceram e muitas vezes envolve companheiros ou ex-parceiros.
Organizações e entidades de defesa dos direitos das mulheres criticam o uso de termos como “cifras” para descrever um problema que, na prática, representa vidas humanas. Cada número das estatísticas de feminicídio corresponde a uma mulher morta e famílias impactadas, muitas com crianças que ficaram órfãs após a perda de suas mães em contextos de violência extrema. Relatórios oficiais indicam que, em 2024, 41 das 47 mulheres assassinadas eram mães, deixando 89 filhos sem mães, em uma realidade que expõe as consequências humanas da violência de gênero.
A resposta institucional também é alvo de análise. Enquanto algumas autoridades, como o governador de Mato Grosso, atribuem parte da violência a fatores culturais e ressaltam a atuação de mecanismos como medidas protetivas, críticos apontam a necessidade de investimentos mais robustos em políticas públicas que previnam efetivamente a escalada da violência e que garantam acolhimento e proteção às vítimas.
Dados do Ministério Público Estadual reforçam que a maioria das mulheres assassinadas não havia solicitado medidas protetivas antes dos crimes, o que evidencia lacunas na confiança das vítimas no sistema de proteção e na efetividade prática dessas ferramentas legais.
O episódio envolvendo a fala do secretário expõe, além de divergências discursivas, uma crise mais profunda no combate ao feminicídio em Mato Grosso um problema que exige não apenas análises técnicas, mas também respostas humanas e integradas, com foco na proteção, na prevenção e na responsabilização de agressores em um Estado onde a violência contra a mulher continua alarmante. Em meio a esse cenário, movimentos sociais reforçam que a violência de gênero precisa ser tratada com a urgência e a seriedade que vidas humanas exigem, e não apenas como um item em planilhas estatísticas.
Assista a entrevista divulgada pelo VGN

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Daniel Trindade
Editor-Chefe do Portal de Notícias
Ativista Social|Jornalista MTB 3354 -MT
Consultor Político
Estudante Bacharelado em Sociologia
Defensor da Causa Animal em Sinop -MT
Tutor do Stopa "O Cão Mascote"




