Mato Grosso registrou 498 estupros no início de 2026 e recorde de feminicídios no último ano. Investigação em Cuiabá ocorre enquanto projeto na Câmara tenta equiparar o ódio contra mulheres ao racismo.
Da Redação
Mato Grosso registrou 498 casos de estupro apenas no primeiro quadrimestre de 2026, sendo que 85,4% das vítimas são mulheres. No cenário de feminicídios, o estado atingiu a marca de 53 mortes no último ano, superando os 47 casos de 2024. Mato Grosso sustenta hoje uma taxa de 2,6 mortes para cada 100 mil mulheres, o dobro da média nacional.
Neste cenário de insegurança real, a Faculdade de Direito da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) determinou o afastamento preventivo de um estudante do primeiro semestre. Ele é investigado por liderar a criação de um ranking em aplicativos de mensagens que classificava colegas de diversos cursos como estupráveis. O caso provocou repulsa imediata no campus de Cuiabá.
O episódio trouxe à memória o assassinato de Solange Aparecida Sobrinho, estuprada e morta no campus em agosto de 2025. O vazamento de prints atuais revelou o planejamento de novos ataques e frases asquerosas como “bora dps fazer ranking de alunas mais estupradas dos nossos cursos”, proferidas pelos investigados nas redes sociais.
O Centro Acadêmico de Direito VIII de Abril e a OAB de Mato Grosso classificaram a conduta como a materialização da misoginia. O termo define o ódio ou desprezo contra mulheres, mas atualmente não é considerado um crime específico na legislação brasileira. Por esse motivo, as autoridades investigam o caso sob a ótica de incitação ao crime e injúria qualificada.
O caso reacende o debate sobre o Projeto de Lei 896 de 2023, aprovado no Senado em março de 2026 e que atualmente tramita na Câmara dos Deputados, onde um Grupo de Trabalho foi criado em 4 de maio. A proposta pretende tornar a misoginia um crime inafiançável e imprescritível, com pena de até cinco anos de reclusão.
O presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi, e a deputada Janaina Riva cobraram punição exemplar para evitar que o ambiente acadêmico abrigue agressores. O diretor da faculdade, Carlos Eduardo Silva e Souza, confirmou que o afastamento via PAD visa garantir a segurança das vítimas. O rito pode resultar na expulsão definitiva do envolvido por falta grave.
Redação
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