Levantamento detalha a ordem das decisões e o custo para os cofres públicos com pagamentos de juízes e desembargadores fora das funções. Valores reais podem ser conferidos no Portal da Transparência.
Da Redação
O Poder Judiciário de Mato Grosso atingiu a marca de 10 magistrados afastados das funções em meio a uma ofensiva do Conselho Nacional de Justiça, o CNJ. A função desse conselho é fiscalizar o trabalho dos tribunais para garantir que os juízes ajam de forma correta e imparcial. Quando o órgão identifica irregularidades graves, ele pode retirar o magistrado do cargo enquanto a investigação acontece. O custo para manter esses 10 cargos parados já passa de R$ 6,5 milhões desde que os processos começaram.
A crise atual teve seu ponto de partida em 22 de maio de 2025, com o afastamento do juiz Anderson Candiotto, de Sorriso, e do juiz Ivan Lúcio Amarante, de Vila Rica. Candiotto é investigado por suspeita de venda de sentenças e mantém um pagamento médio de R$ 38 mil por mês. Logo depois, em 27 de junho de 2025, a juíza Tatiana dos Santos Batista foi retirada das funções em Cuiabá por abandonar obrigações do cargo e deixar processos acumulados, recebendo R$ 35 mil mensais.
No final de 2025, a fiscalização chegou ao sul do estado e à região metropolitana. Em 13 de novembro, a juíza Maria das Graças Gomes da Costa foi afastada em Rondonópolis por favorecimento em processos onde seu atual companheiro tinha interesse, recebendo R$ 37 mil. Na mesma época, Mirko Vincenzo Gianotte, de Sinop, foi afastado por receber valores acima do teto e suspeita de parcialidade. Já Silvia Renata Anffe Souza, de Várzea Grande, responde por falhas em processos de impostos. Ambos continuam na folha de pagamento com ganhos de cerca de R$ 40 mil por mês.
O golpe mais pesado na confiança do tribunal ocorreu em 2 de março de 2026, quando os desembargadores João Ferreira Filho e Dirceu dos Santos foram afastados por suspeita de comercialização de decisões judiciais. Por serem da cúpula do Judiciário, os ganhos brutos desses magistrados podem passar de R$ 100 mil em meses de pico devido a gratificações e benefícios. Somente com esses dois nomes, o estado gastou cerca de R$ 480 mil nos últimos dois meses sem que eles estivessem trabalhando.
Os casos mais recentes ocorreram em Barra do Garças. No dia 28 de abril de 2026, o juiz Fernando da Fonsêca Melo foi afastado após ser acusado de inventar ameaças para conseguir segurança oficial paga pelo povo, com salário de R$ 42 mil. Nesta semana, no dia 4 de maio, o CNJ completou a lista de 10 afastados ao retirar o juiz Alexandre Meinberg Ceroy das funções por suspeita de interesse pessoal em processos de terras.
Para garantir a transparência, qualquer pessoa pode acompanhar os valores exatos de cada magistrado no site oficial do Tribunal de Justiça de Mato Grosso. Basta entrar na página do TJMT, procurar a aba de transparência e selecionar a opção de remuneração de membros e servidores. Os dados são abertos para que o pagador de imposto possa fiscalizar como o dinheiro público é utilizado.
Redação
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