Auditoria aponta sobrepreço de 44% em obra gerida por fundo da MT Par. Gestora Reag, que administrava recursos da rodovia, foi liquidada pelo Banco Central por ligação com o Master e lavagem de dinheiro.
Da Redação
O Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) determinou a suspensão imediata de um contrato de R$ 133,7 milhões da concessionária Nova Rota do Oeste para obras no complexo viário do Trevão, na BR-163. A decisão do conselheiro Sérgio Ricardo expõe um indício de sobrepreço de R$ 40,9 milhões, valor que excede em 44% as referências oficiais de mercado para o trecho de apenas 5 quilômetros.
A suspensão ganha densidade ao revelar as engrenagens financeiras por trás da rodovia. A Nova Rota do Oeste é controlada pela MT Par, empresa pública do Governo de Mato Grosso, que em 2023 criou um fundo de R$ 448,5 milhões para estruturar a concessão. Esse fundo era administrado pela Reag Investimentos, gestora que teve a liquidação determinada pelo Banco Central após investigações da Polícia Federal na Operação Compliance Zero. Segundo a PF, a Reag atuava para inflar o patrimônio do Banco Master e ocultar riscos patrimoniais.
O papel da Reag no tabuleiro da BR-163 foi central. A gestora foi contratada pela MT Par para gerir os recursos e comprar as dívidas da antiga concessionária. No entanto, o depoimento do ex-governador Pedro Taques à CPI do Crime Organizado aponta que o sócio da Reag, Luiz Carlos Moreira Lima, chegou a ser nomeado para o conselho de administração da própria Nova Rota do Oeste após o aporte de recursos públicos estaduais.
Além do sobrepreço de 44%, a auditoria do TCE-MT identificou falhas graves na licitação conduzida pela concessionária, como a ausência de critérios objetivos de julgamento e documentos sem identificação dos responsáveis. O Tribunal sustenta que, como a rodovia é operada com dinheiro público via MT Par, a transparência deve seguir o rigor da administração direta, impedindo que o lucro privado se sobreponha à economia do erário.
O bloqueio barra qualquer pagamento ou avanço físico nas obras até que as irregularidades orçamentárias sejam analisadas pelo Pleno do TCE. A Nova Rota do Oeste e o Governo de Mato Grosso têm prazo legal para apresentar justificativas técnicas para tentar reverter a cautelar que trava o principal entroncamento logístico da região norte do estado.
Redação
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