Polícia investiga esquema de apostas ilegais e lavagem de dinheiro; grupo familiar exibia viagens internacionais e carros de alto padrão
Da Redação
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou nesta quinta-feira (23) a Operação Aposta Perdida contra um grupo investigado por lavagem de dinheiro, associação criminosa e exploração de jogos de azar online, conhecidos como “jogo do tigrinho”. Durante a ação, o empresário e influencer Wilton Wagner Magalhães foi preso em flagrante por porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, após policiais encontrarem uma pistola Glock 9mm em sua residência.
A investigação aponta que o esquema era operado por integrantes de uma mesma família, com atuação direta de influenciadores digitais na divulgação das plataformas. Estão entre os alvos os casais Wilton Wagner Magalhães e Jéssica Orben Vasconcelos Magalhães, além de Lili Vasconcelos e o empresário Erison Coutinho.
Segundo a Polícia Civil, o grupo utilizava redes sociais para atrair seguidores com promessas de ganhos elevados, incentivando a entrada de novos usuários nas plataformas. O modelo, de acordo com os investigadores, apresenta características de pirâmide financeira, com dependência da adesão contínua de participantes.
As apurações indicam que influenciadoras ligadas ao grupo promoviam os jogos com postagens frequentes, divulgação de links e exibição de supostos lucros. Em alguns casos, havia uso de contas demonstrativas para simular ganhos e ampliar o alcance das plataformas.
Wilton Wagner é apontado como o principal articulador do esquema, responsável pela movimentação financeira e pela ocultação dos valores obtidos. Parte dos recursos, segundo a investigação, era dissimulada por meio de empresas de fachada, transferências fracionadas e uso de “laranjas”.
O padrão de vida exibido nas redes sociais foi um dos elementos centrais da estratégia para atrair novos participantes. Os perfis dos investigados somam cerca de 150 mil seguidores e mostram viagens frequentes para destinos internacionais como Estados Unidos, Dubai, Japão, Itália, França e Maldivas, além de registros em restaurantes de alto padrão.
Também são recorrentes as publicações com veículos de luxo, incluindo Ferrari, BMW, Land Rover e caminhonetes de alto valor, além de imóveis considerados incompatíveis com a renda formal declarada — elementos que, segundo a polícia, reforçavam a promessa de ganhos e ampliavam a adesão ao esquema.
Ao todo, foram cumpridas 34 ordens judiciais em Cuiabá, Várzea Grande e Itapema (SC). As medidas incluem mandados de busca e apreensão, bloqueio de contas bancárias e redes sociais, sequestro de imóveis e veículos, apreensão de passaportes e suspensão de atividades econômicas. O valor bloqueado pode chegar a R$ 10 milhões.
As investigações são conduzidas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado e pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), com apoio da Diretoria de Inteligência. Empresas ligadas ao grupo também são investigadas por possível uso na ocultação da origem dos recursos.
Em manifestação nas redes sociais, a influenciadora Lili Vasconcelos afirmou que foi surpreendida pela operação, negou envolvimento em crimes e disse que apenas divulga plataformas de jogos online. Ela declarou que paga impostos e afirmou que “não coloca arma na cabeça de ninguém”, ao defender que a participação dos usuários é voluntária.
A Polícia Civil informou que a operação busca desarticular o grupo e aprofundar a investigação sobre a circulação de valores ilícitos e a atuação dos envolvidos no esquema.
Redação
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