
Ex-governador afirma em CPI que recursos públicos envolveram crédito consignado, acordo com a Oi e concessão rodoviária; caso levanta alerta nacional
por Daniel Trindade
O ex-governador de Mato Grosso, José Pedro Taques, afirmou que o estado teria repassado ao menos R$ 755 milhões a estruturas financeiras ligadas ao Banco Master desde 2023. A declaração foi feita durante depoimento à CPI do Crime Organizado, no Senado Federal. As informações foram divulgadas inicialmente em reportagem do UOL.
Segundo Taques, os repasses estariam relacionados a três frentes principais: operações de crédito consignado para servidores estaduais, um acordo tributário com a Oi e a concessão da rodovia BR-163. De acordo com ele, os três eixos envolveriam recursos públicos e estruturas financeiras vinculadas ao banco.
O ex-governador participou da CPI na condição de advogado. Ele afirmou ter sido contratado por sindicatos e pela federação de servidores públicos de Mato Grosso para investigar possíveis irregularidades em empréstimos consignados. A apuração, segundo ele, começou em 2024 após relatos de descontos indevidos em folha de pagamento.
De acordo com Taques, empresas ligadas ao Banco Master teriam atuado no mercado de crédito consignado sem autorização do Banco Central do Brasil. Essas empresas, segundo ele, ofereciam empréstimos a servidores e posteriormente transferiam os contratos à instituição financeira.
O ex-governador também afirmou que o modelo teria contribuído para o aumento do endividamento dos servidores estaduais. Segundo ele, a margem consignável percentual máximo da renda comprometido com empréstimos teria atingido 60% em Mato Grosso. Além disso, o número de contratos vinculados ao banco teria saltado de 104 mil, em 2022, para 2,7 milhões em 2024.
Outro ponto abordado envolve um acordo tributário firmado entre o governo estadual e a Oi em 2024. Segundo Taques, o estado teria pago R$ 308 milhões após a negociação. O valor, afirmou, foi direcionado a dois fundos administrados pelo Banco Master, chamados Royal Capital e Lotte World, que teriam recebido cerca de R$ 154 milhões cada.
Ainda segundo o ex-governador, recursos desses fundos teriam sido direcionados a empresas ligadas ao atual governador de Mato Grosso, Mauro Mendes, incluindo companhias dos setores de energia e mineração. Ele afirmou que as informações foram obtidas por meio de análise de documentos públicos registrados na Comissão de Valores Mobiliários. O governo estadual foi procurado pelo UOL, e o espaço permanece aberto para manifestação.
O terceiro eixo citado por Taques diz respeito à concessão da BR-163. Após a transferência da gestão ao estado, a empresa pública MTPAR passou a administrar a rodovia por meio da concessionária Nova Rota do Oeste.
Segundo ele, em 2023, foi criado um fundo administrado pela Reag Investimentos, que teria recebido aporte de R$ 447 milhões do governo estadual. Taques afirmou que um dos sócios da gestora foi posteriormente indicado para o conselho de administração da concessionária.
Durante o depoimento, o ex-governador também citou investigações da Polícia Federal do Brasil que apontariam possíveis conexões entre fundos administrados pela Reag e esquemas de lavagem de dinheiro ligados ao Primeiro Comando da Capital.
Taques afirmou ainda que o cenário indica riscos ao sistema financeiro e defendeu a ampliação das investigações. Segundo ele, organizações criminosas têm ampliado sua atuação em estruturas institucionais, incluindo fundos de investimento e contratos públicos. O ex-governador também criticou a atuação do Banco Central, afirmando que o órgão teria falhado na supervisão do sistema.
O governo de Mato Grosso não havia se manifestado até a última atualização da reportagem.
Leia a matéria no UOL MT repassou R$ 755 mi ao Master via consignados, Oi e BR, diz ex-governador
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Daniel Trindade
Editor-Chefe do Portal de Notícias
Ativista Social|Jornalista MTB 3354 -MT
Consultor Político
Estudante Bacharelado em Sociologia
Defensor da Causa Animal em Sinop -MT
Tutor do Stopa "O Cão Mascote"






