Bactéria foi identificada em mais de 100 lotes de detergentes, lava-roupas e desinfetantes; agência orienta interromper uso dos produtos afetados
Da Redação
Muito usados em cozinhas, lavanderias e na limpeza doméstica, produtos da marca Ypê presentes em milhares de casas brasileiras continuarão suspensos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) após a identificação de bactéria em mais de 100 lotes de detergentes, lava-roupas líquidos e desinfetantes.
A decisão foi tomada por unanimidade pela Diretoria Colegiada da Anvisa nesta sexta-feira (15) e mantém proibida a fabricação, comercialização, distribuição e utilização de produtos com lotes terminados em número 1.
Segundo a agência, inspeções realizadas na fábrica da empresa identificaram falhas consideradas graves em etapas críticas da produção, incluindo problemas nos sistemas de controle microbiológico, armazenamento, garantia da qualidade e conservação de equipamentos.
A bactéria encontrada nos produtos foi a Pseudomonas aeruginosa, um microrganismo comum em ambientes úmidos, mas que pode representar risco principalmente para pessoas com o sistema imunológico comprometido.
A Anvisa afirmou que as medidas adotadas pela empresa até agora foram consideradas insuficientes para garantir a segurança dos produtos.
O diretor-presidente da agência, Leandro Safatle, afirmou que o caso não envolve “um problema isolado”, mas um “histórico recorrente de contaminação microbiológica”.
Apesar da manutenção da suspensão, a agência retirou a exigência de recolhimento imediato dos produtos. A empresa deverá apresentar um plano de análise de risco para orientar troca, devolução ou reembolso dos itens atingidos.
A decisão gerou dúvidas entre consumidores sobre o que fazer com produtos já utilizados dentro de casa.
Segundo especialistas ouvidos pelo g1, o risco para pessoas saudáveis é considerado baixo na maior parte dos casos. A preocupação maior envolve pessoas imunossuprimidas, transplantadas, pacientes em tratamento contra câncer, idosos fragilizados, bebês e pessoas com feridas, queimaduras ou problemas de pele.
A infectologista Thaís Guimarães, do Hospital das Clínicas da USP, explicou que a bactéria normalmente não provoca doença em pessoas com pele íntegra, mas o risco aumenta quando há contato com olhos, mucosas, feridas ou dermatites.
Já o presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Alberto Chebabo, afirmou que pessoas que usaram os produtos e não apresentaram sintomas não precisam procurar atendimento médico apenas por causa do contato.
A orientação é interromper o uso dos produtos afetados e observar sinais como irritação na pele, vermelhidão persistente, secreção, coceira intensa, conjuntivite, dor nos olhos, febre ou mal-estar.
Especialistas também recomendam trocar esponjas de pia usadas junto com detergentes dos lotes suspensos, já que a bactéria pode permanecer no material mesmo após a troca do produto.
No caso de roupas íntimas, toalhas, roupas de cama e peças de bebê lavadas com os produtos afetados, a recomendação é realizar uma nova lavagem com outro item de limpeza, principalmente em situações envolvendo pessoas mais vulneráveis.
A Anvisa reforçou que a medida tem caráter preventivo e afirmou que os riscos sanitários identificados ainda não foram totalmente superados.
Entre os produtos atingidos pela suspensão estão:
• Lava-louças Ypê
• Lava-louças Ypê Clear Care
• Lava-louças Ypê Green
• Lava-roupas líquidos Tixan Ypê
• Lava-roupas Ypê Premium e Power Act
• Desinfetantes Bak Ypê
• Desinfetantes Atol
• Desinfetantes Pinho Ypê
A restrição vale para produtos com lotes terminados em número 1, além de um lote específico do Lava-louças Ypê Clear Care citado pela agência.
Consumidores podem solicitar devolução ou reembolso diretamente no Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) da empresa.
Com informações do g1, Estadão, UOL e Gazeta do Povo.
Redação
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