Servidores denunciaram descontos abusivos e empresas investigadas em MT passaram a aparecer nas apurações do caso Master
Da Redação
O vencimento do prazo judicial para revisão dos consignados de servidores públicos de Mato Grosso voltou a colocar o Governo de Mato Grosso no centro do escândalo dos consignados e do Banco Master. O caso já é investigado pela Polícia Federal, Banco Central e Congresso Nacional.
Nesta quinta-feira (22), sindicatos protocolaram manifestação na Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá informando que o Estado não apresentou os resultados da revisão administrativa dentro do prazo de 120 dias fixado pela Justiça.
A petição foi assinada pela Federação Sindical dos Servidores Públicos de Mato Grosso (FESSP-MT) e outros sindicatos, representados pelos advogados Pedro Taques e Murilo de Moura Gonçalves, do escritório AFG & Taques.
Segundo as entidades, o prazo terminou no dia 20 sem que os contratos revisados fossem apresentados ao Judiciário. Os sindicatos afirmam que o próprio Estado havia informado nos autos que seria “tecnicamente viável” concluir os trabalhos dentro do período determinado.
Na manifestação, as entidades pedem que o Estado seja intimado a apresentar imediatamente os resultados já produzidos, com possibilidade de multa diária em caso de descumprimento. Também solicitam a suspensão dos descontos em folha caso fique demonstrado que a revisão não foi efetivamente concluída.
A crise dos consignados começou a ganhar força em Mato Grosso ainda em 2025, quando milhares de servidores passaram a denunciar descontos considerados abusivos em operações apresentadas como empréstimos comuns, mas vinculadas a cartões de crédito consignado com juros elevados e dívida prolongada.
As denúncias deram origem a ações judiciais, investigações do Ministério Público, suspensão de convênios e revisão de milhares de contratos.
Em um dos casos apresentados pelos sindicatos, uma servidora contratou pouco mais de R$ 300 e acumulou dívida superior a R$ 20 mil. Outra recebeu R$ 3,8 mil e passou a dever mais de R$ 43 mil.
Em novembro do ano passado, o Procon-MT informou que encontrou irregularidades em praticamente todos os contratos analisados dentro da força-tarefa criada para revisar as operações. Na mesma época, a Assembleia Legislativa suspendeu cobranças de consignados investigados e o Tribunal de Justiça manteve a medida após contestação da Febraban.
O caso ganhou dimensão nacional quando empresas citadas nas investigações em Mato Grosso passaram a aparecer também nas apurações sobre o Banco Master.
Entre elas está a Cartos S.A., apontada por sindicatos como uma das empresas que operavam consignados investigados no estado. Segundo reportagem do UOL publicada na quinta-feira (22), a empresa Tirreno foi utilizada para estruturar carteiras de crédito posteriormente vendidas ao Master e repassadas ao BRB.
A Cartos, por meio da Tirreno, aparece nas investigações como originadora de carteiras posteriormente ligadas ao esquema nacional analisado pelas autoridades.
Em fevereiro deste ano, sindicatos de Mato Grosso já haviam pedido compartilhamento de provas da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, sustentando ligação entre as operações investigadas no estado e o escândalo nacional envolvendo o Master.
“Em Mato Grosso, simulava-se uma operação de cartão de crédito para ocultar um empréstimo; em nível nacional, simulava-se a existência de lastro para carteiras de crédito tóxicas”, afirmaram os sindicatos em petição anterior apresentada à Justiça.
As investigações nacionais sobre o Banco Master envolvem venda de carteiras de crédito, fundos financeiros, operações estruturadas e movimentações bilionárias analisadas por órgãos de controle e pela Polícia Federal.
Reportagens publicadas pela Folha de S.Paulo, UOL, Estadão, PlatôBR e outros veículos apontaram conexões entre fundos ligados ao Master, o acordo de R$ 308 milhões firmado entre o governo de Mato Grosso e a Oi, além de operações relacionadas à MT Participações e à Nova Rota do Oeste.
Em março, durante depoimento na CPI do Crime Organizado do Senado, o ex-governador Pedro Taques afirmou que estruturas ligadas ao Banco Master teriam recebido ao menos R$ 755 milhões relacionados a consignados, fundos e operações estaduais desde 2023. O governo de Mato Grosso nega irregularidades.
Enquanto o caso avança em órgãos de controle, no Congresso Nacional e na Polícia Federal, o impacto mais imediato continua nos contracheques dos servidores.
Dados apresentados durante a CPI apontaram crescimento acelerado das operações de consignado em Mato Grosso, aumento do superendividamento e comprometimento elevado da renda de aposentados e pensionistas.
Na petição protocolada, os sindicatos afirmam que a revisão determinada pela Justiça não pode se transformar em uma medida “sem prazo e sem resultado concreto”.
“O que as entidades sindicais defendem é o cumprimento efetivo da decisão judicial, com transparência sobre os contratos já revisados e respeito aos milhares de servidores públicos que aguardam uma resposta concreta do Estado”, afirmaram os advogados das entidades.
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Material de apoio
Petição Sindicatos – Escoamento do Prazo da Tutela
Petição Sindicatos - Escoamento do Prazo da TutelaUOL — Alvo do caso Master relatou “frio na espinha” ao bolar fraude com BRB
https://noticias.uol.com.br/colunas/natalia-portinari/2026/05/22/alvo-do-caso-master-relatou-frio-na-espinha-ao-bolar-fraude-com-brb.htm
Folha de S.Paulo — PF rejeita delação de Daniel Vorcaro
https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/05/pf-rejeita-a-delacao-de-daniel-vorcaro-dono-do-master.shtml
G1 — Daniel Vorcaro aceita elevar valor de devolução em eventual delação
https://g1.globo.com/politica/blog/valdo-cruz/post/2026/05/22/daniel-vorcaro-aceita-subir-de-r-40-bilhoes-para-r-60-bilhoes-valor-a-ser-devolvido-em-eventual-delacao-com-a-pgr.ghtml
Senado Federal — Taques acusa Master de coordenar fraudes em consignados
https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2026/03/25/ex-governador-de-mt-acusa-master-de-coordenar-fraudes-em-consignados
Redação
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