
O promotor Lincoln Gakiya, que investiga a atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) em São Paulo, apontou que a influenciadora e advogada Deolane Bezerra tinha uma relação íntima e direta com a família de Marco Willians Herbas Camacho, chefe máximo da facção criminosa. Ela foi presa na última quinta-feira (21) em uma operação que apontou a suspeita de sua atuação para a lavagem de dinheiro para a organização.
Deolane foi transferida para um presídio no interior do estado de São Paulo na tarde de sexta-feira (22). Segundo o Ministério Público, as investigações identificaram movimentações financeiras suspeitas e conexões frequentes da influenciadora com familiares de Marcola.
“Ela tem relação direta com a família Camacho, além de relação de amizade íntima com integrantes, como Paloma e Alexandro, filhos de Marcolinha”, declarou Gakiya em entrevista à Folha de S. Paulo publicada neste sábado (23).
A defesa da influenciadora pediu a revogação da prisão preventiva ou a substituição por prisão domiciliar por ela ser mãe de uma criança de 9 anos. O Ministério Público se posicionou contra o pedido, e a Justiça decidiu manter a prisão sem prazo definido.
A Promotoria sustenta que a influenciadora teria fornecido contas bancárias para movimentações usadas na lavagem de dinheiro do grupo. O crescimento patrimonial de Deolane levantou suspeitas durante a investigação.
“Nos causou estranheza pelo aumento repentino do seu patrimônio em ganhos superiores a R$ 140 milhões em dois anos. Já está provado que os ganhos são incompatíveis com as atividades que ela realiza”, disse ressaltando que Deolane será denunciada por participação em organização criminosa e lavagem de dinheiro.
A investigação aponta que a ligação mais próxima de Deolane seria com Paloma Camacho, sobrinha de Marcola, considerada peça-chave na movimentação financeira da família. Ela chegou a ser alvo de um mandado de prisão preventiva, mas não foi localizada pela polícia na Espanha e passou a ser considerada foragida.
“Paloma seria a pessoa para interlocução do dinheiro e da lavagem de dinheiro da família. Ela utilizou, inclusive, contas dela e de laranjas, por isso o indiciamento ao crime organizado e lavagem de dinheiro”, afirmou o promotor.
Os investigadores afirmam que o esquema funcionava após visitas de Paloma ao pai nos presídios federais que já ficou abrigado (a transferência de um para outro é de praxe para evitar a articulação de facções), quando ordens eram repassadas para divisão e transferência de valores. Parte das operações teria envolvido uma transportadora criada para facilitar negócios ilícitos da facção.
Na audiência de custódia, Deolane chorou e afirmou que foi presa apenas por atuar como advogada. “Eu fui presa por estar advogando, por uma quantia de R$ 24 mil depositada em minha conta, por um cliente”, declarou.
Em nota, a defesa afirmou que Deolane é inocente e que os fatos serão esclarecidos durante o processo. O advogado Rogério Nunes classificou as medidas judiciais como “desproporcionais” e disse confiar na atuação do Judiciário.
Gazeta do Povo

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Bianca L. Trindade
Bianca Lauher da Trindade
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