
Com obras inacabadas e denúncias de irregularidades, o condomínio que deveria representar luxo virou símbolo de frustração, mobilização e disputa judicial em Sinop.
por Daniel Trindade
O Condomínio Alexandria, localizado em Sinop (MT), tornou-se alvo de grande preocupação e mobilização por parte dos compradores que, após anos de espera e promessas não cumpridas, agora se deparam com uma tentativa de entrega do empreendimento em condições consideradas precárias. Previsto para ser finalizado em dezembro de 2023, com tolerância contratual até junho de 2024, o condomínio permanece com obras inacabadas, infraestrutura deficiente e denúncias de má execução, o que vem gerando desconfiança e insatisfação generalizada entre os adquirentes dos lotes. Apesar disso, a incorporadora Empreendimentos Imobiliários Condomínio Alexandria Sinop Ltda. convocou oficialmente para o dia 31 de maio de 2025 uma assembleia de entrega, cuja pauta inclui a instalação do condomínio, eleição de síndico, aprovação de regimento interno e definição de taxas condominiais.
“Eles estão empurrando a entrega do jeito que querem, goela abaixo. A gente esperou por algo que foi vendido como condomínio de luxo, e o que temos agora é um canteiro de obras com asfalto afundando e boca de lobo entupida.”
A convocação, feita por edital, provocou reações imediatas nos grupos de mensagens formados por proprietários dos terrenos, que se organizam para resistir à entrega forçada de um empreendimento que, segundo eles, não atende às condições mínimas prometidas em contrato. Moradores relataram que o sistema de escoamento pluvial é inexistente e que a água da chuva precisa ser retirada com o uso de bombas, o que já está comprometendo bocas de lobo e danificando o asfalto recém-aplicado. A estrutura, em muitos pontos, ainda está inacabada, com áreas comuns sem conclusão, falta de sinalização, postes sem iluminação e ausência de rede elétrica em funcionamento pleno.

Em uma das mensagens mais compartilhadas entre os compradores, um dos integrantes do grupo afirma que, apesar da comunicação oficial da entrega, o condomínio está longe de pronto e que a entrega acontecerá “do jeito que eles querem, goela abaixo”. O mesmo morador propõe a criação imediata de uma comissão formada por condôminos para realizar uma vistoria técnica ainda antes da data marcada para a assembleia, além da contratação de um advogado para representar os compradores durante o encontro. Segundo ele, a presença de todos os proprietários no dia 31 é fundamental, inclusive os inadimplentes, para impedir que decisões sejam tomadas sem a devida resistência. Ele reforça que representantes da incorporadora comparecerão com advogado e que os compradores também precisam estar resguardados juridicamente. A proposta vem ganhando apoio, especialmente diante do temor de que a assembleia seja usada como manobra para transferir a responsabilidade pela finalização da obra para os moradores, mesmo sem o cumprimento integral do contrato pela incorporadora.
“Quem comprou lote aqui não está pedindo favor, está exigindo o que foi assinado em contrato. A entrega assim, do jeito que está, é uma forma de se livrar da responsabilidade e jogar tudo nas costas dos moradores.”
A desconfiança não é infundada. O condomínio é atualmente alvo de diversas ações judiciais, movidas por compradores e prestadores de serviços. Os processos analisados mostram um padrão de comportamento da empresa: inadimplência em contratos, descumprimento de prazos, ausência de resposta a notificações extrajudiciais e tentativas frustradas de acordos. Em um dos casos, o comprador V.H.A. ajuizou ação relatando que investiu R$ 379 mil em dois lotes e não recebeu o que foi prometido.

Em sua petição consta um laudo técnico elaborado por engenheiro civil apontando que o empreendimento, mesmo passados quase dois anos da data contratual, não possui condições mínimas de entrega e só deverá ser concluído por completo em dezembro de 2025. A arquiteta A.L.P. também levou seu caso à Justiça após investir R$ 274 mil e tentar rescindir o contrato amigavelmente. Em sua decisão, o juiz determinou a suspensão de cobranças e impediu a incorporadora de negativar seu nome. Já A.Z.A. firmou distrato com a empresa, que previa a devolução de R$ 176 mil em oito parcelas. A incorporadora não pagou nenhuma. Com multas e correção, a dívida já ultrapassa R$ 200 mil. Situação semelhante vive o advogado E.V.P.M., que firmou acordo após distrato e só recebeu a primeira parcela. O valor atualizado da dívida é de R$ 232 mil. Todos os compradores relatam a mesma experiência : promessas quebradas, falta de comunicação por parte da empresa e sensação de abandono.
“O condomínio não está pronto e não será finalizado até o dia 31. Se não nos organizarmos com um advogado e vistoria técnica, vamos aceitar passivamente uma entrega que nos expõe ao prejuízo. A hora de agir é agora.” disse um dos proprietários
No centro da controvérsia, o que está em jogo não é apenas o atraso de uma obra, mas a tentativa de “entrega” simbólica de um projeto incompleto, o que pode, segundo advogados consultados pela reportagem, comprometer o direito dos compradores de exigir judicialmente o cumprimento do contrato. Se a assembleia for realizada e o condomínio for oficialmente instalado, os moradores passam a assumir legalmente a gestão do espaço, inclusive as responsabilidades por reparos, segurança, estrutura e taxas. Isso pode beneficiar a incorporadora, que se livra das obrigações pendentes e repassa o problema aos compradores. A convocação, portanto, é vista por muitos como um movimento estratégico para se desvincular das pendências contratuais.

A mobilização dos moradores, por sua vez, revela um esforço legítimo por transparência e responsabilidade. Eles querem que o condomínio seja entregue, mas nas condições acordadas, com segurança, estrutura e respeito ao que foi firmado. A formação de uma comissão e a contratação de representação jurídica coletiva são os primeiros passos de uma resistência que busca garantir não apenas o patrimônio de cada comprador, mas o princípio da boa-fé nas relações de consumo.

A experiência do Condomínio Alexandria expõe uma realidade cada vez mais comum: a fragilidade do consumidor diante de grandes incorporadoras e a importância da organização coletiva para fazer valer direitos básicos diante de abusos que, muitas vezes, se escondem sob o verniz da formalidade jurídica.
O espaço segue aberto para a incorporadora ou qualquer parte realcionada ao empreendimento.
Leia o edital de convocação :
CONVOCAÇÃO ASSEMBLEIA ALEXANDRIA SINOP - MT (1)
Veja as fotos enviada por leitores e proprietários:

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Daniel Trindade
Editor-Chefe do Portal de Notícias
Ativista Social|Jornalista MTB 3354 -MT
Consultor Político
Estudante Bacharelado em Sociologia
Defensor da Causa Animal em Sinop -MT
Tutor do Stopa "O Cão Mascote"















