Governador e vice evitam se pronunciar sobre o caso de assédio, enquanto o estado lidera o ranking nacional de feminicídios e entidades manifestam apoio à deputada.
por Daniel Trindade
A denúncia de importunação sexual e violência política de gênero feita pela deputada estadual Janaína Riva (MDB), após o recebimento de áudios com conteúdo sexual e misógino atribuídos a um servidor comissionado da Companhia de Desenvolvimento de Rondonópolis (Coder), provocou grande repercussão em Mato Grosso. O servidor foi exonerado após a denúncia, que foi registrada oficialmente e está sob investigação das autoridades.
A Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso divulgou nota pública expressando “apoio e solidariedade” à deputada, reforçando que “nenhuma mulher deve ser silenciada” e defendendo o enfrentamento institucional à violência de gênero. A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), por meio da Mesa Diretora, também se manifestou, reafirmando “apoio irrestrito” à parlamentar e informando que o caso é acompanhado pela Procuradoria-Geral da Casa.
Outras lideranças políticas se posicionaram em defesa de Janaína. O deputado estadual Max Russi, presidente da ALMT, classificou o episódio como “inaceitável e repugnante”. O deputado Juca do Guaraná prestou solidariedade pública, chamando o caso de “inadmissível” e um exemplo claro de violência política de gênero. Em Cuiabá, a presidente da Câmara Municipal, Paula Calil (PL), e as vereadoras Mara (Podemos) e Michely Alencar (União Brasil) também se manifestaram, ressaltando o papel de Janaína como símbolo da resistência feminina na política mato-grossense.
Apesar de apoio de várias lideranças, o governador Mauro Mendes (União Brasil) e o vice Otaviano Pivetta (Republicanos) ainda não se manifestaram publicamente sobre o episódio. Mendes, que é pré-candidato ao Senado, e Pivetta, cotado para disputar o governo do estado em 2026, mantêm silêncio, o que tem gerado críticas de lideranças femininas e aliados da deputada. A postura de ambos é vista por analistas como um distanciamento político em relação a uma das vozes mais influentes do MDB e do Parlamento estadual.
Nos bastidores, o silêncio do Palácio Paiaguás tem sido interpretado como erro estratégico, especialmente em um momento em que o combate ao assédio e à violência de gênero ocupa lugar central no debate público. A ausência de solidariedade também contrasta com o histórico de Janaína Riva, reconhecida por sua atuação firme em defesa dos direitos das mulheres e pela luta contra o feminicídio em Mato Grosso.
Ao longo de seus mandatos, Janaína Riva tem liderado pautas estruturantes voltadas à proteção e valorização das mulheres. A deputada é uma das fundadoras e coordenadoras da Frente Parlamentar de Combate à Violência Contra a Mulher, responsável por articular políticas públicas de prevenção e acolhimento às vítimas. Entre suas bandeiras estão o fortalecimento das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs), a implantação de programas de apoio psicológico e jurídico, e a promoção de campanhas permanentes de conscientização sobre feminicídio e violência doméstica.
Janaína também é autora e relatora de projetos de lei que incentivam o empoderamento econômico feminino, ampliam a participação das mulheres na política e asseguram protocolos de atendimento humanizado em casos de agressão. Em 2024, a parlamentar articulou, junto a movimentos sociais e órgãos do governo, a criação do Observatório Estadual da Mulher, voltado ao monitoramento de dados sobre violência e desigualdade de gênero.
Reconhecida como a maior liderança feminina da política mato-grossense, Janaína Riva construiu uma trajetória marcada pela defesa dos direitos humanos, pela promoção da igualdade de gênero e pelo combate a todas as formas de discriminação. Seu posicionamento firme no caso recente reforça seu compromisso com as causas femininas e com o fortalecimento das instituições que defendem as mulheres.
O caso ganha ainda mais peso diante do alarmante cenário de feminicídios em Mato Grosso. O estado já registra 48 assassinatos de mulheres em 2025, superando o total de 47 ocorrências de 2024.
Segundo dados oficiais do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Mato Grosso é o estado com a maior taxa de feminicídios do país, com 2,5 mortes para cada 100 mil mulheres o que o coloca como campeão nacional pelo segundo ano consecutivo.
O mais recente crime ocorreu em Sinop, na madrugada de quinta-feira (6), quando Sebastião Goiabeira Miranda, 34 anos, matou a esposa, Jthesica Barbosa Lima, 24, a facadas, e cometeu suicídio em seguida. O caso chocou a população e reacendeu o debate sobre a urgência de políticas públicas de proteção às mulheres.
Enquanto o caso de Janaína Riva segue sob investigação, cresce a pressão para que o governo estadual se posicione. O silêncio de Mauro Mendes e Otaviano Pivetta, diante de uma denúncia que envolve uma das principais vozes femininas do estado e ocorre em meio ao aumento dos feminicídios, é visto por aliados como um episódio que pode impactar negativamente a imagem política de ambos, sobretudo entre o eleitorado feminino, cada vez mais decisivo nas urnas.

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Daniel Trindade
Editor-Chefe do Portal de Notícias
Ativista Social|Jornalista MTB 3354 -MT
Consultor Político
Estudante Bacharelado em Sociologia
Defensor da Causa Animal em Sinop -MT
Tutor do Stopa "O Cão Mascote"






