
Com críticas vindas até de aliados, prefeito enfrenta risco de perder governabilidade em Sinop
por Daniel Trindade
A 30ª sessão ordinária da Câmara de Sinop expôs um movimento político que vai além das reclamações pontuais sobre secretarias e serviços: mostrou que o prefeito Roberto Dorner (Republicanos) começa a perder sustentação dentro da própria base aliada. Dos 14 vereadores presentes, 11 pertencem ao grupo de apoio do Executivo, mas 10 deles se manifestaram em tom crítico, cobrando resultados, transparência e planejamento.
Esse dado é significativo porque indica um processo de desgaste político em pleno mandato. Críticas vindas de opositores são esperadas, mas quando elas passam a ecoar entre aliados diretos, especialmente do presidente da Câmara, Remídio Kuntz (Republicanos), e até do líder do prefeito, Célio Garcia (MDB), o cenário se torna mais preocupante.
O conteúdo das falas também revela que as críticas não se limitam a falhas pontuais, mas a temas centrais da gestão. Educação, infraestrutura, saneamento, meio ambiente e transparência financeira foram alvos de questionamentos. Ao cobrar explicações sobre o Fundeb, obras paradas e serviços de pavimentação, os vereadores colocam em xeque a capacidade administrativa do governo municipal.
Outro ponto relevante é a mudança de tom. Parlamentares tradicionalmente fiéis, como Ademir Bortoli e Dilmair Callegaro, expuseram frustração com a lentidão das obras e a falta de planejamento. Já o professor Hedvaldo Costa (Novo) foi além ao responsabilizar diretamente o prefeito, comparando-o a um técnico incapaz de organizar o time. Essa narrativa é politicamente perigosa porque transfere a cobrança de secretários para Dorner, fragilizando sua liderança.
Até o discurso de Célio Garcia, que deveria ser o de defesa, sinalizou fissuras. O líder do prefeito admitiu problemas na prestação de serviços, criticou a aplicação de recursos e defendeu novas secretarias, deixando claro que não basta mais blindar a gestão é preciso cobrar mudanças internas.
Em termos políticos, o episódio pode ser interpretado como o início de uma “rotina de desalinhamento”. Quando vereadores da base passam a usar a tribuna para críticas públicas, cria-se uma dinâmica de distanciamento que tende a se ampliar caso as respostas do Executivo não sejam rápidas e efetivas. Esse movimento corrói a governabilidade e pode comprometer votações futuras, além de enfraquecer o prefeito a três anos de uma nova eleição.
O saldo da sessão é claro: a Câmara deixou de ser apenas um espaço de sustentação e passou a ser também um palco de cobrança. Se Dorner não conseguir reorganizar seu grupo político e dar respostas concretas às demandas apresentadas, a ruptura da base pode deixar de ser apenas um sinal e se transformar em realidade.

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Daniel Trindade
Editor-Chefe do Portal de Notícias
Ativista Social|Jornalista MTB 3354 -MT
Consultor Político
Estudante Bacharelado em Sociologia
Defensor da Causa Animal em Sinop -MT
Tutor do Stopa "O Cão Mascote"






