
Fala de Ananias Filho sobre eleitor que “segue ordens” evidencia crise interna da direita e abre espaço para o avanço dos grupos progressistas.
por Daniel Trindade
As declarações de Ananias Filho, presidente estadual do PL, de que Mato Grosso seria um “curral” dominado pela extrema-direita bolsonarista e de que a maioria dos eleitores segue “as ordens e os desejos” de Jair Bolsonaro, abriram uma nova frente de críticas contra a legenda e escancararam a falta de estratégia da direita no Estado. Ao reduzir o comportamento político da população à obediência, o dirigente provocou reação negativa e reforçou a percepção de que a sigla tem se distanciado do debate democrático ao apostar em discursos de submissão ao ex-presidente, hoje condenado pela Justiça.
Durante entrevista à TV Vila Real, Ananias afirmou ainda que o deputado federal José Medeiros não teme nenhum adversário na disputa pelo Senado em 2026 porque, segundo ele, “a direita dita o posicionamento do eleitor” em Mato Grosso. A fala ampliou o debate sobre o excesso de confiança dentro do PL e expôs a dependência quase absoluta que o partido mantém em relação a Bolsonaro, sem apresentar projeto próprio ou propostas estruturadas para o futuro político do Estado.
O dirigente do PL também ocupa o cargo de secretário de Governo de Abílio Brunini, prefeito de Cuiabá, que recentemente declarou que quem não apoia Bolsonaro estaria “politicamente morto” no Estado. A sobreposição de funções e o discurso alinhado a um único líder reforçam o caráter personalista da sigla, que tem alimentado confrontos e retroalimentado tensões internas em vez de buscar unidade e diálogo com setores diversos da sociedade. Nesse ambiente, Medeiros segue atuando de forma igualmente alinhada ao ex-presidente, dedicando boa parte de sua agenda pública à defesa de Bolsonaro e chegando a viajar à Europa para afirmar, sem respaldo institucional, que o Brasil vive sob ditadura.
A aproximação do governador Mauro Mendes ao bolsonarismo, ao dizer-se “feliz” com o apoio de Bolsonaro ao seu projeto de disputar o Senado, demonstra que o ex-presidente segue influente em Mato Grosso. No entanto, esse movimento não resolve o principal problema: a direita mato-grossense enfrenta uma fragmentação crescente, lideranças disputando protagonismo, discursos que se chocam e ausência de planejamento para além da defesa irrestrita do bolsonarismo.
Enquanto isso, a esquerda tem avançado com uma estratégia diferente. Partidos progressistas têm investido em articulação, fortalecido alianças e evitado conflitos públicos prolongados, o que lhes permite ocupar espaços em um cenário dominado por ruídos e disputas internas entre adversários. A unidade e a organização mostradas por esses grupos contrastam com o ambiente de racha e improviso que marca a atuação da direita no Estado.
A leitura política atual indica que, enquanto o PL insiste em um caminho marcado por declarações polêmicas, personalismo e dependência de uma única figura, a esquerda segue consolidando bases, ampliando diálogos e ganhando terreno. Em um contexto onde desorganização e fragmentação costumam custar votos e alianças, a direita mato-grossense tende a perder espaço, enquanto a esquerda transforma sua coesão em vantagem política crescente.

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Daniel Trindade
Editor-Chefe do Portal de Notícias
Ativista Social|Jornalista MTB 3354 -MT
Consultor Político
Estudante Bacharelado em Sociologia
Defensor da Causa Animal em Sinop -MT
Tutor do Stopa "O Cão Mascote"





