
Vice vira governador no dia 31 e entra na disputa eleitoral com acusações sem provas, questionamentos sobre gestão, aliados e casos envolvendo recursos públicos
por Daniel Trindade
Faltando poucos dias para a mudança no comando do Governo de Mato Grosso, o vice-governador Otaviano Pivetta ( REPULICANOS) deve assumir definitivamente o Executivo estadual a partir do próximo dia 31. A transição ocorre após a decisão do governador Mauro Mendes (UNIÃO BRASIL) de renunciar ao cargo para disputar o Senado em 2026.
Com a posse, Pivetta passa a comandar o Estado até o fim do mandato e entra como nome natural na disputa pela sucessão estadual. O cenário, em tese, é favorável: estrutura administrativa consolidada, apoio do atual governo e visibilidade institucional ampliada.
Apesar disso, o vice-governador ainda não conseguiu converter esse capital político em crescimento nas pesquisas de intenção de voto. Seus índices seguem sem avanço consistente, o que levanta dúvidas sobre sua capacidade de ampliar apoio popular em um ambiente eleitoral competitivo.
Nos últimos dias, Pivetta voltou ao centro do debate político ao fazer declarações com suspeitas de corrupção sem apresentar provas ou citar nomes. Durante evento político, afirmou que Mato Grosso não quer mais “governantes que peçam 30% de volta”, sugerindo a existência de cobrança de propina no Estado.
A fala reacende episódios recentes. Em 2024, Pivetta encaminhou denúncia à Controladoria Geral do Estado de Mato Grosso, que deu origem a investigações conduzidas pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção no âmbito da Operação Suserano. O caso citou deputados estaduais muitos deles à época integrantes da base governista e que hoje voltam a figurar como aliados políticos nas articulações eleitorais.
À época, os parlamentares negaram irregularidades, apontaram inconsistências no relatório e classificaram o episódio como responsável por desgaste institucional entre Executivo e Legislativo.
Enquanto volta a levantar suspeitas no cenário estadual, cresce a cobrança por posicionamento do vice-governador diante de outras denúncias envolvendo a gestão pública, incluindo discussões sobre contratos, operações financeiras e empréstimos consignados temas que circulam no debate político e institucional.
Paralelamente, o histórico de Pivetta reúne uma extensa quantidade de processos judiciais e administrativos.
Levantamentos em bases públicas indicam que o vice-governador está ligado a centenas de ações. Em muitos casos, figura como parte em disputas empresariais, execuções fiscais, ações trabalhistas e questionamentos administrativos.
Um dos episódios mais conhecidos envolve multa ambiental aplicada após queimada registrada em 2010 em área rural de Lucas do Rio Verde. A penalidade inicial de R$ 46,6 mil já ultrapassa R$ 240 mil e segue em tramitação no Superior Tribunal de Justiça. A defesa sustenta que o incêndio foi provocado por terceiros.
Outro caso relevante envolve sua gestão como prefeito do município. Auditoria da Controladoria-Geral da União identificou irregularidades na aquisição de uma unidade móvel de saúde com recursos federais. O Tribunal de Contas da União determinou devolução de valores e aplicação de multa, decisão registrada em documentos oficiais.
No setor empresarial, disputas judiciais também marcaram sua trajetória. Um dos principais litígios envolve a multinacional Noble do Brasil Ltda., com valores que ultrapassaram R$ 30 milhões, gerando decisões divergentes ao longo dos anos.
O nome de Pivetta também aparece em registros relacionados ao caso Cooperlucas, investigação envolvendo operações de crédito rural com prejuízo estimado em mais de R$ 200 milhões. A defesa afirma não haver envolvimento direto e aponta ausência de notificação formal.
Além disso, há registros de ações eleitorais, incluindo questionamentos sobre candidatura em 2018 posteriormente liberada pela Justiça e multa aplicada ao vice-governador e ao governador Mauro Mendes por uso indevido da estrutura pública em período eleitoral.
Também há registros públicos de ocorrências e menções envolvendo episódios de natureza pessoal atribuídos ao vice-governador Otaviano Pivetta, incluindo relatos relacionados a agressão contra mulher. Esses casos, no entanto, seguem sujeitos à apuração e às garantias do devido processo legal, sem conclusão definitiva em decisões judiciais amplamente divulgadas.
A legislação brasileira trata a violência contra a mulher como crime grave, previsto na Lei Maria da Penha, o que amplia a relevância do tema no debate público.
Nesse contexto, tanto casos de violência contra a mulher quanto situações envolvendo desvio de recursos públicos e corrupção são considerados crimes pela legislação brasileira e classificados como graves. Essas condutas exigem apuração rigorosa e eventual responsabilização, sendo fatores relevantes na avaliação da vida pública de agentes políticos. Para a população, esse conjunto de elementos passa a ter peso na análise sobre confiança, integridade e capacidade de gestão de quem ocupa ou pretende ocupar cargos de poder.
Outro ponto que amplia o debate envolve o entorno político do vice-governador. Um dos principais aliados do grupo governista, o deputado estadual Valmir Moretto (REPUBLICANOS), também reúne investigações e decisões judiciais ao longo de sua trajetória.
Moretto foi alvo da Operação Trapaça, conduzida pelo Ministério Público Federal, que investigou suposto esquema de fraudes em licitações com prejuízo estimado em R$ 34,5 milhões. O parlamentar nega irregularidades.
Decisões judiciais apontaram indícios de direcionamento de contratos públicos, simulação de concorrência e movimentações financeiras consideradas atípicas envolvendo empresas ligadas ao grupo.
Dados públicos indicam que empresas associadas à família do deputado acumulam mais de R$ 300 milhões em contratos com o Governo de Mato Grosso entre 2020 e 2026, com concentração significativa nos últimos anos.
O tema ganhou repercussão após a divulgação de vídeo em que Moretto menciona a divisão de recursos públicos em obras de infraestrutura. Após a repercussão, o deputado afirmou que se tratava de “vício de linguagem” e negou irregularidades.
Diante desse cenário, o contexto político se amplia. De um lado, um vice-governador que assume o comando do Estado e se posiciona como candidato natural à sucessão. De outro, um histórico marcado por processos, disputas judiciais, episódios de desgaste político e declarações recentes sem comprovação.
A combinação desses fatores intensifica o debate sobre coerência, responsabilidade institucional e transparência na vida pública, especialmente em um momento pré-eleitoral.
A poucos dias da mudança no comando do Estado, o eleitor se depara com um cenário complexo, em que trajetória, alianças políticas e histórico administrativo passam a ter peso central na avaliação de quem pode governar Mato Grosso.
A reportagem mantém espaço aberto para manifestação da assessoria do vice-governador Otaviano Pivetta. Eventuais esclarecimentos ou posicionamentos poderão ser publicados integralmente.
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Daniel Trindade
Editor-Chefe do Portal de Notícias
Ativista Social|Jornalista MTB 3354 -MT
Consultor Político
Estudante Bacharelado em Sociologia
Defensor da Causa Animal em Sinop -MT
Tutor do Stopa "O Cão Mascote"







