
Personagens do imaginário popular revelam como a recompensa e o medo foram usados historicamente na educação das crianças.
por Daniel Trindade
Desde cedo, crianças de diferentes épocas e culturas cresceram ouvindo histórias sobre dois velhinhos marcantes do imaginário popular. Apesar de compartilharem características semelhantes como a idade avançada, a barba branca e o saco que carregam, eles simbolizam valores opostos. De um lado está o Papai Noel, associado à generosidade, à recompensa e ao espírito natalino. Do outro, o Velho do Saco, figura ligada ao medo e à punição. Essas narrativas vão além de simples contos infantis e refletem modelos históricos de educação, disciplina e controle social adotados ao longo do tempo.
A origem do Papai Noel remonta ao século IV, inspirada na figura histórica de São Nicolau, um bispo conhecido por ajudar pessoas pobres de forma anônima, especialmente crianças. Com o passar dos séculos, sua história se espalhou pela Europa e foi sendo adaptada conforme diferentes tradições culturais. Na Holanda, transformou-se em Sinterklaas; nos Estados Unidos, ganhou contornos modernos a partir do século XIX, impulsionado por poemas, ilustrações e, posteriormente, pela publicidade. Assim se consolidou a imagem do bom velhinho vestido de vermelho, símbolo do Natal, da solidariedade e da recompensa pelo bom comportamento. O saco que carrega passou a representar abundância, cuidado e generosidade.
Já o Velho do Saco tem uma origem menos definida, fortemente ligada à tradição oral e a personagens europeus criados para amedrontar crianças, como o Bicho-Papão e outras figuras usadas como advertência. No Brasil, o personagem foi incorporado ao folclore popular como uma ameaça simbólica: um homem que levaria embora crianças desobedientes. A narrativa era utilizada como ferramenta educativa em um período histórico em que o medo era amplamente aceito como forma de disciplina. Em algumas versões antigas, a figura também acabou associada a preconceitos sociais, reforçando estigmas e exclusões.
Apesar das semelhanças visuais, os dois personagens carregam significados opostos. Enquanto o saco do Papai Noel simboliza presentes, afeto e reconhecimento, o do Velho do Saco representa punição e perda da segurança. O contraste evidencia duas formas distintas de ensinar valores: pela recompensa ou pela ameaça. Profissionais em educação e desenvolvimento infantil apontam que, ao longo do tempo, houve uma mudança significativa na forma de compreender a infância, com a substituição gradual de narrativas baseadas no medo por abordagens que priorizam diálogo, empatia e segurança emocional.
Ainda assim, o Velho do Saco permanece vivo na memória cultural como reflexo de práticas educativas do passado. Já o Papai Noel segue como um dos símbolos mais fortes do imaginário natalino contemporâneo, associado à esperança, à celebração e ao convívio familiar. Juntos, esses dois velhinhos ajudam a compreender como histórias infantis acompanham transformações sociais e culturais, revelando que, por trás dos contos, estão as escolhas de cada época sobre como educar e transmitir valores às novas gerações.

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Daniel Trindade
Editor-Chefe do Portal de Notícias
Ativista Social|Jornalista MTB 3354 -MT
Consultor Político
Estudante Bacharelado em Sociologia
Defensor da Causa Animal em Sinop -MT
Tutor do Stopa "O Cão Mascote"







