
Comissão apura desvio de verbas e aponta presença de autoridades em resort custeado por empresários investigados.
por Daniel Trindade
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) começou seus trabalhos em Brasília em meio a revelações de grande repercussão política. Em sua primeira semana de atividades, o colegiado ouviu depoimentos que citaram diretamente o governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil), e o ex-senador Cidinho Santos (Republicanos) em um suposto evento de luxo patrocinado por empresários investigados por desviar recursos da Previdência Social.
A denúncia surgiu durante o depoimento de um investigado ligado ao Grupo THG, apontado como um dos núcleos de uma organização criminosa que teria operado dentro do INSS. Questionado pelo relator da CPI sobre quais autoridades participaram de uma festa promovida pela organização em um resort em Santa Catarina, o depoente afirmou que, além de Mendes e Cidinho, também estavam presentes o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), o líder do União Brasil na Câmara, Elmar Nascimento (BA), e o ex-ministro Marcos Pereira.
Segundo parlamentares da comissão, o episódio é tratado como símbolo da proximidade entre políticos influentes e empresários investigados. O relator da CPI descreveu a cena como um “regabofe milionário”, custeado com recursos que deveriam ser destinados a aposentados e pensionistas. “Enquanto beneficiários do INSS viam seus direitos ameaçados, empresários e autoridades se banqueteavam em festas de luxo bancadas pelo dinheiro desviado”, afirmou o deputado, classificando o esquema como um “roubo de velhinhos”.
As investigações da CPI buscam detalhar como o Grupo THG teria operado para direcionar recursos públicos e obter benefícios irregulares dentro da estrutura do INSS. Segundo documentos preliminares, a atuação da organização envolvia tanto a manipulação de processos previdenciários quanto a intermediação política para garantir vantagens indevidas.
O caso reacendeu o debate no Congresso sobre a utilização de jantares, viagens e eventos sociais como ferramentas de aproximação entre empresários e agentes públicos, práticas que podem servir de fachada para esquemas de corrupção. Líderes da comissão avaliam que, ao citar nomes de figuras políticas de grande peso, as primeiras oitivas já dão à CPI uma dimensão de crise institucional com potencial para gerar repercussões nos cenários estadual e nacional.
Mauro Mendes e Cidinho Santos não se manifestaram até o momento sobre as citações. Aliados próximos avaliam que os relatos ainda carecem de provas documentais, mas admitem preocupação com o desgaste político decorrente da menção a autoridades em um caso de grande visibilidade.
A CPI do INSS deve intensificar a agenda de depoimentos e convocações nas próximas semanas. O relator anunciou que pedirá quebra de sigilos bancários e fiscais do Grupo THG e também poderá solicitar informações formais sobre a presença de políticos e empresários em eventos promovidos pelo grupo.
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Daniel Trindade
Editor-Chefe do Portal de Notícias
Ativista Social|Jornalista MTB 3354 -MT
Consultor Político
Estudante Bacharelado em Sociologia
Defensor da Causa Animal em Sinop -MT
Tutor do Stopa "O Cão Mascote"



