Por Daniel Trindade do portal de notícias Deixa que Eu Te Conto
Mato Grosso – A carreira de bombeiro militar, muitas vezes vista como um chamado de coragem e serviço, ganha um significado ainda mais profundo em algumas famílias, onde se transforma em um verdadeiro legado. No Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT), essa tradição é passada de geração em geração, com pais e filhos trabalhando lado a lado na nobre missão de salvar vidas.
Inspiração e legado
Para muitos filhos de bombeiros, as histórias de bravura e dedicação dos pais são uma fonte constante de inspiração. O subtenente Ivan Gusmão Alves, com 26 anos de serviço, lembra com carinho do irmão que o criou e que foi sua inspiração para se tornar bombeiro. “Eu tenho um irmão mais velho que me adotou e ele foi bombeiro. Eu só tenho uma foto dele servindo os bombeiros, mas nunca me esqueci de onde eu vim”, conta Gusmão.
Seguindo os passos do irmão, Gusmão abriu caminho para seu filho, Willyam, que desde cedo demonstrou interesse pela profissão. “Como especialista condutor, eu passava muito tempo no quartel. Muitas vezes, eu levava meu filho comigo durante o dia e à noite ele ia para casa dormir. Seus brinquedos eram todos de bombeiro. Desde os 14 anos procurei prepará-lo para a carreira”, recorda Gusmão.
Fascínio pela profissão
Willyam Rodrigues Alves, filho de Gusmão, cresceu fascinado pela rotina do quartel. “Meu pai ingressou na carreira militar quando eu tinha três anos. Então, acompanhei a vida dele na instituição. Sempre gostei da área pelo respeito que a profissão tem e pelo serviço que presta. Acompanhando a rotina, resolvi seguir. Pude acompanhá-lo em alguns plantões e sentir a adrenalina de quando tocava a sirene do quartel e eu o via saindo para ocorrência e voltando depois de algumas horas. Isso me deixou fascinado”, relembra Willyam.
Desafios e realizações
Apesar dos desafios de equilibrar a rotina intensa com a vida familiar, a presença constante de Gusmão na vida do filho fez com que Willyam desejasse seguir a mesma carreira. “Meu pai sempre estava ali. Na época, a rotina era um pouco diferente da de hoje. Eram 24 horas de trabalho por 24 horas de descanso, um pouco mais corrida. Mas me lembro de que, por mais que estivesse cansado, ele dava atenção, fazia as coisas que precisasse em casa e brincava comigo”, afirma.
Aos 14 anos, Willyam começou a se preparar para se tornar bombeiro militar e, aos 20 anos, entrou definitivamente na corporação. Agora, com mais de nove anos de serviço, Willyam é motivo de orgulho para o pai. “Eu me sinto realizado. O pai quer ver o sucesso do filho. Eu sinto que o bombeiro militar é um sacerdócio. Você sacrifica muitas coisas, como momentos com a família, e também há a questão de valores, para além do salário. A oportunidade de realizar uma RCP em uma pessoa que está em parada cardiorrespiratória e vê-la voltar à vida é emocionante”, garante Gusmão.
Laços inabaláveis
A parceria entre pai e filho no CBMMT criou um laço inabalável de intimidade e respeito. “Tivemos inúmeros momentos. O primeiro serviço dele fora do Estado foi comigo. Fizemos vários serviços juntos, como mergulho e salvamento. É gratificante porque ali estão dois bombeiros, pai e filho, que se entendem com um simples olhar”, diz o subtenente Gusmão.
Tal pai, tal filho
As semelhanças entre pai e filho na carreira de bombeiro militar vão além da dedicação e do amor pela profissão. Em muitos casos, estendem-se até à aparência física. Um exemplo é o sargento Jefferson Alexandre Pinheiro de Araújo e o soldado Mateus Minetto Pinheiro de Araújo. Quando ambos estão fardados, pai e filho se apresentam como uma imagem do passado e do presente dessa corporação sexagenária.
Além de compartilharem semelhanças físicas e comportamentais, pai e filho dividem o mesmo sentimento de servir. Com 21 anos de carreira na corporação, o sargento Pinheiro sempre se destacou por sua ética de trabalho e sua dedicação à profissão, sem jamais deixar a família em segundo plano. Desse modo, inspirou Minetto a seguir seu próprio desejo de fazer a diferença. “Desde pequeno vi meu pai como um grande exemplo dentro de casa. Que criança que não gosta de ter um bombeiro dentro de casa, ainda mais sendo o seu pai? Quando criança, meu pai me levava nos batalhões para tirar foto com caminhões do bombeiro. Então, o bombeiro sempre foi algo de dentro do meu coração. Aí eu cresci, fiz o concurso e cheguei aqui. Hoje estou aqui para continuar o legado dele”, afirma Minetto.
Orgulho estampado no peito
O comprometimento e a dedicação demonstrados por pai e filho não são exclusividade de Pinheiro e Minetto. Recém-chegado à corporação, o soldado Edson Júnior do Carmo de Lara carrega no peito a comprovação da inspiração que seu pai – o subtenente Edson Aroldo de Lara, que está há 26 anos na corporação – é para sua vida nova como militar.
A escolha do primeiro nome do filho para ser igual ao do pai foi uma decisão planejada pela família. Já o sobrenome ‘Lara’, adotado pela corporação para acompanhar Edson em sua nova jornada militar, espelha o legado deixado pelo pai na instituição. A dupla de pai e filho, conhecida no CBMMT como Lara e Edson Lara, simboliza a concretização do sonho do subtenente. “Apesar de eu não querer pressioná-lo, era um sonho que ele seguisse a carreira. Vê-lo fardado e estar aqui com ele era um sonho. Desde o primeiro dia que falou que ia fazer o concurso, a alegria foi imensa”, afirma o subtenente Lara.
Dedicação e influência
A felicidade foi completa quando, além de querer ser um bombeiro militar, o filho se dedicou para que o sonho se tornasse realidade, segundo o subtenente Lara. “Eu não queria forçar meu filho a seguir essa carreira. Ele chegou a prestar concurso para outras carreiras, mas eu percebi que para o concurso dos bombeiros ele se dedicou de uma maneira diferente. Estudou em casa e estava muito mais focado do que nos outros. Para mim foi muita alegria e a felicidade maior quando ele foi classificado e seguiu com o restante do certame até a formatura”, conta o subtenente.
A dedicação só foi possível graças à influência do pai, que moldou sua trajetória de maneira significativa, segundo Edson Lara. Desde os primeiros anos, seu pai serve como um modelo de comportamento e valores, ensinando ética, perseverança e o desejo de servir. “Meu pai me influenciou e sempre demonstrou uma paixão muito grande pela profissão. Quando eu nasci ele já era bombeiro militar. Então, desde sempre eu o vejo como um bombeiro que sempre amou a farda, ele sempre demonstrou essa paixão. E, aos poucos, eu fui me apaixonando pela profissão também. Pelo que o bombeiro faz, pelo que meu pai fazia e as histórias que ele me contava, tudo isso fez com que eu ficasse mais apaixonado. E graças a Deus estou nessa profissão”, afirma o soldado Edson Lara.
Equilíbrio entre carreira e família
A presença constante do pai, que também conseguiu equilibrar bem sua carreira com a vida familiar, proporcionou ao filho a confiança para enfrentar o desafio que é ser um bombeiro militar. “Meu pai conseguiu conciliar os dois: a família e a profissão. Nunca foi ausente para mim, para minha mãe e irmãs. Todo o tempo que sobrava ele dedicava à nossa família. Nunca me faltou afeto, atenção e carinho, nada da parte dele”, garante Edson Lara.
O soldado, que tem pouco mais de um mês na profissão, considera gratificante ouvir os elogios dirigidos ao pai quando lhe perguntam se ele é filho do subtenente Lara. Reconhecimento que o motiva ainda mais a buscar ser igualmente respeitado e admirado como o pai é. “Quando eu entrei na corporação, ouvi muitos elogios ao meu pai. Muita gente falando que meu pai é exemplar. Um ótimo militar, uma ótima pessoa. E quero seguir esse caminho para que um dia as pessoas possam falar assim de mim também”, conclui o soldado.
Para o subtenente Lara, ser fonte de experiência e sabedoria para o filho, permitindo que o filho enfrente desafios com confiança e resiliência, é a melhor realização que poderia ter. “Nessa questão de carreira, eu procuro orientar. Conversamos bastante. Ele é um menino muito dedicado e tem um perfil muito bom. Mas sem essa preocupação de que tem que seguir meus passos. É um orgulho muito grande falar para todos que meu filho é bombeiro. É um grande amigo e hoje companheiro de trabalho”, encerra o subtenente Lara.
Mais do que pais e filhos, a determinação de fazer a diferença e o compromisso com a segurança e o bem-estar dos outros são princípios que unificam a jornada desses militares. E embora cada um tenha sua própria trajetória, a influência e a inspiração dos pais continuam a moldar e a guiar o caminho dos filhos, não apenas no Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso, mas na vida.
Com informações da assessoria do CBM-MT.
Daniel Trindade
Editor-Chefe do Portal de Notícias
Ativista Social|Jornalista MTB 3354 -MT
Consultor Político
Estudante Bacharelado em Sociologia
Defensor da Causa Animal em Sinop -MT
Tutor do Stopa "O Cão Mascote"






