
O presidente da Associação dos Aprovados do Concurso da Polícia Militar de Mato Grosso, Marco Antônio Mourão, denunciou, em entrevista ao jornalista Antero Paes de Barros, na Rádio Cultura de Cuiabá, a morosidade do Governo do Estado na convocação dos aprovados do último concurso da PM.
Segundo ele, cerca de 1.100 candidatos permanecem em cadastro reserva, mesmo diante do grave déficit de efetivo nas forças de segurança. O concurso teve 1.800 aprovados, mas apenas 700 foram nomeados — 500 no fim de 2023 e 200 em 2024, durante o lançamento da Operação Tolerância Zero.
Na época, o secretário de Segurança Pública garantiu que o chamamento não prejudicaria novas convocações, mas o governo agora alega falta de recursos financeiros.
“O Estado gasta cerca de R$ 5,8 milhões por mês em jornadas extraordinárias. Recurso existe, o que falta é prioridade e respeito com quem já cumpriu sua missão e está pronto para servir novamente, ressaltou Mourão.
A defasagem é visível em todo o estado. Batalhões operam com efetivo reduzido e viaturas insuficientes, comprometendo o atendimento à população. Em cidades como Cuiabá e Várzea Grande, aumentam as ocorrências e o número de policiais sobrecarregados, muitos trabalhando em dias de folga. O excesso de horas extras gera alto custo ao Estado e esgota física e emocionalmente os servidores.
Recurso existe, falta prioridade!
Apesar da alegação de escassez financeira, Mato Grosso arrecadou R$ 15 bilhões em tributos nos três primeiros meses de 2025 e ultrapassou R$ 40 bilhões até setembro, antecipando em 25 dias a marca do ano anterior. O orçamento de 2026 projeta R$ 40,7 bilhões de receita e R$ 4,9 bilhões em investimentos diretos, incluindo áreas como infraestrutura, saúde, educação e segurança pública.
Com esse cenário, os aprovados afirmam que há condições orçamentárias para novas convocações, caso o governo priorize o fortalecimento do efetivo policial.
O alerta: o exemplo do Rio de Janeiro
Mourão também fez um alerta sobre os riscos da fragilidade no policiamento. Ele citou o caso recente do Rio de Janeiro, onde uma operação com 2.500 agentes resultou em mais de 120 mortos, incluindo quatro policiais. O episódio mostra como a ausência do Estado nas ruas favorece o avanço do crime organizado.
A reivindicação dos concursados não é apenas uma questão de justiça com quem foi aprovado, mas um investimento estratégico para garantir segurança e tranquilidade à população mato-grossense. A demora nas convocações, em um estado com arrecadação crescente, reforça a necessidade de priorizar a valorização das forças de segurança e de tornar permanente o reforço do efetivo policial.
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