
Declarações do governador de Mato Grosso reacendem debate sobre empresas em recuperação judicial, acordo com a Oi e disputa política com Pedro Taques.
por Daniel Trindade
As recentes declarações do governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil), afirmando que é necessário ter “experiência para governar o estado”, reacenderam o debate político no cenário mato-grossense. A fala foi direcionada principalmente ao senador Wellington Fagundes e ocorre em meio às movimentações antecipadas para as próximas eleições estaduais.
Ao comentar possíveis candidaturas ao governo, Mendes afirmou que administrar Mato Grosso exige experiência em gestão pública e capacidade administrativa. Em uma das declarações, chegou a afirmar que o senador não teria experiência suficiente para governar o estado. A afirmação abriu espaço para questionamentos no meio político sobre qual tipo de experiência o governador considera essencial para administrar Mato Grosso.
Antes de ingressar na vida pública, Mauro Mendes construiu sua trajetória no setor empresarial. Engenheiro eletricista formado pela Universidade Federal de Mato Grosso, ele fundou empresas ligadas aos setores metalúrgico, industrial e de energia, que posteriormente formaram o Grupo Bipar, responsável por empresas como a Bimetal e a Mavi Engenharia. Mendes também presidiu a Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt) entre 2007 e 2010, período em que ganhou projeção no meio empresarial e político do estado.
Apesar da trajetória empresarial, o grupo ligado ao atual governador enfrentou dificuldades financeiras na década passada. Em 2015, empresas do Grupo Bipar entraram em recuperação judicial após acumularem dívidas milionárias com instituições financeiras e fornecedores. O processo judicial se estendeu por vários anos e se tornou tema recorrente em debates políticos no estado.
Mesmo sem experiência anterior em cargos públicos, Mendes decidiu ingressar na política e foi eleito prefeito de Cuiabá em 2012. Em 2018 venceu a eleição para o governo de Mato Grosso e, quatro anos depois, foi reeleito para um segundo mandato.
Ao longo dos últimos anos, diferentes episódios políticos e administrativos passaram a marcar a trajetória do atual governo. Um dos casos mais citados envolve o acordo firmado entre o governo de Mato Grosso e a operadora de telefonia Oi.
O Estado realizou um acordo relacionado a créditos tributários da empresa que resultou no pagamento de cerca de R$ 308 milhões. Parte desses recursos foi direcionada a fundos de investimento ligados ao Banco Master, criados pouco antes da negociação. A operação passou a ser questionada judicialmente após denúncias apresentadas pelo ex-governador Pedro Taques.
De acordo com ação protocolada na Justiça, documentos indicariam inconsistências no cálculo que justificou o acordo. Segundo a denúncia, o valor da dívida teria sido ampliado durante o processo de negociação, o que teria criado a impressão de que o acordo seria vantajoso para o Estado.
O governo de Mato Grosso nega qualquer irregularidade e afirma que o acordo foi conduzido dentro da legalidade, com base em pareceres técnicos da Procuradoria-Geral do Estado.
A disputa política entre Mauro Mendes e Pedro Taques ganhou novos capítulos recentemente e chegou a Brasília. O nome do ex-governador passou a ser citado em discussões relacionadas a investigações parlamentares que analisam operações financeiras envolvendo fundos ligados ao Banco Master e o acordo firmado com a operadora Oi.
Durante esse período, Mauro Mendes esteve no Senado Federal participando de reuniões políticas relacionadas ao tema. Reportagens publicadas pela imprensa mato-grossense indicam que o governador teria participado de articulações políticas junto a aliados para tentar evitar que Pedro Taques fosse ouvido por uma comissão parlamentar que discute o caso.
Outro ponto frequentemente lembrado no debate envolve a afirmação do governador de que herdou um estado em grave crise fiscal após o fim da gestão de Pedro Taques. Desde o início do mandato, Mendes sustenta que encontrou Mato Grosso com grandes dificuldades financeiras.
Entretanto, um fato frequentemente citado no debate político estadual envolve a permanência do secretário de Fazenda Rogério Gallo. O atual titular da pasta já integrava a equipe econômica do governo anterior e foi mantido no comando da Secretaria de Fazenda na atual gestão, o que para muitos integrantes do meio político demonstra continuidade administrativa entre os dois governos.
As contradições também aparecem no campo eleitoral. Recentemente, Mauro Mendes afirmou que o apoio de lideranças nacionais, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou o ex-presidente Jair Bolsonaro, não define o resultado das eleições em Mato Grosso. Segundo ele, quem governa é quem assume o cargo e possui capacidade administrativa.
Apesar disso, o próprio grupo político do governador trabalha para consolidar o apoio de Bolsonaro ao vice-governador Otaviano Pivetta, apontado como possível candidato à sucessão no governo estadual. A movimentação reforça o debate político sobre a influência de lideranças nacionais nas eleições estaduais.
Além das disputas políticas e dos questionamentos envolvendo acordos financeiros, a gestão estadual também enfrentou episódios de tensão com setores da imprensa ao longo dos últimos anos. Jornalistas e veículos de comunicação já relataram conflitos com o governo estadual após a publicação de reportagens críticas à administração.
Em diferentes momentos, profissionais da imprensa afirmaram ter sido alvo de pressões políticas e processos judiciais após reportagens envolvendo decisões administrativas ou denúncias relacionadas ao governo estadual.
A trajetória política do governador também passou a ser analisada à luz de episódios que marcaram os últimos anos da política em Mato Grosso. Desde o período empresarial com empresas em recuperação judicial, passando pela eleição como prefeito de Cuiabá e posteriormente como governador do estado, a carreira de Mauro Mendes foi acompanhada por disputas políticas intensas.
Com as eleições estaduais se aproximando, o debate sobre experiência administrativa, gestão pública e coerência política tende a permanecer no centro das discussões. As declarações recentes do governador reacenderam questionamentos sobre sua trajetória e sobre os diferentes episódios que marcaram sua atuação política e administrativa ao longo dos últimos anos.
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Daniel Trindade
Editor-Chefe do Portal de Notícias
Ativista Social|Jornalista MTB 3354 -MT
Consultor Político
Estudante Bacharelado em Sociologia
Defensor da Causa Animal em Sinop -MT
Tutor do Stopa "O Cão Mascote"







