
Decisão do Senado ocorre após tentativa de barrar depoimento e amplia repercussão política em Mato Grosso
por Daniel Trindade
A convocação do ex-governador Pedro Taques (PSB) pela CPI do Crime Organizado no Senado Federal marcou uma escalada na crise política de Mato Grosso e colocou sob pressão direta o governador Mauro Mendes (União). A decisão, tomada na quarta-feira (18), ocorreu após uma tentativa de articulação para evitar a oitiva, movimento que acabou ampliando a repercussão do caso e atraindo atenção nacional para um conflito que, até então, estava restrito ao cenário estadual.
Ao optar pela convocação medida que obriga o comparecimento e não por um simples convite, a comissão sinalizou a gravidade dos elementos reunidos até o momento. O relator, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), rejeitou as manifestações encaminhadas previamente por aliados do governo estadual e pelo próprio Taques, indicando que os documentos em análise são considerados consistentes o suficiente para exigir esclarecimentos presenciais.
O caso tem origem em desdobramentos da Operação Compliance Zero, investigação que apura possíveis irregularidades envolvendo acordos financeiros ligados à operadora Oi S.A. e instituições do sistema financeiro. Na condição de advogado de sindicatos de servidores públicos, Taques apresentou documentos que apontariam para movimentações financeiras complexas, levantando suspeitas de triangulações que agora passam a ser analisadas pela CPI.
A decisão do Senado também altera o equilíbrio político no estado. Mauro Mendes, que trabalha para consolidar sua imagem administrativa de olho na disputa por uma vaga no Senado, passa a lidar com a exposição de temas sensíveis em âmbito nacional. Já Pedro Taques surge no centro das investigações como peça-chave, não apenas como testemunha, mas como ator político diretamente envolvido no embate eleitoral que se aproxima.
Nos bastidores, a tentativa de impedir a convocação acabou tendo efeito inverso. A movimentação política intensificou o interesse da imprensa e deu visibilidade ampliada ao caso, transformando a CPI em um espaço de disputa indireta entre os dois pré-candidatos. Com isso, o processo deixa de ser apenas investigativo e passa a influenciar o ambiente eleitoral de Mato Grosso, especialmente em um momento de pré-campanha.
A fala do relator reforçou o tom técnico da investigação ao destacar que testemunhas precisam apresentar provas e fundamentar suas declarações, o que indica que o depoimento de Taques deverá ir além de posicionamentos políticos. A expectativa é de que os documentos já protocolados sejam confrontados com novas informações durante a oitiva, ampliando o alcance das apurações.
Com a convocação confirmada, o Senado deve se tornar palco de um dos principais episódios políticos do estado em 2026. O depoimento promete não apenas esclarecer pontos da investigação, mas também influenciar diretamente a narrativa eleitoral, ao expor publicamente acusações, documentos e versões que envolvem dois dos principais nomes da política mato-grossense.
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Daniel Trindade
Editor-Chefe do Portal de Notícias
Ativista Social|Jornalista MTB 3354 -MT
Consultor Político
Estudante Bacharelado em Sociologia
Defensor da Causa Animal em Sinop -MT
Tutor do Stopa "O Cão Mascote"





