
Pagamento de R$ 308 milhões via fundos ligados ao Master e crise dos consignados ampliam questionamentos sobre decisões do governo de Mato Grosso.
por Daniel Trindade
A gestão do governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil), passou a enfrentar maior pressão política e jurídica após a repercussão nacional do acordo de R$ 308 milhões firmado pelo governo estadual com a operadora de telecomunicações Oi. A negociação, realizada em 2024 para encerrar uma disputa judicial envolvendo créditos tributários de ICMS, colocou o estado no centro de uma controvérsia que envolve denúncias judiciais, questionamentos políticos e conexões com estruturas financeiras ligadas ao Banco Master, instituição que posteriormente entrou em colapso e passou a ser investigada em âmbito nacional.
O acordo autorizou o pagamento de aproximadamente R$ 308 milhões à operadora. O que chamou atenção de reportagens da imprensa foi a forma como o pagamento foi estruturado. Em vez de transferência direta à empresa, os recursos foram depositados em dois fundos de investimento ligados ao Banco Master Lotte Word e Royal Capital que haviam sido criados poucas semanas antes da assinatura da negociação.
Entre maio e outubro de 2024, o governo estadual depositou R$ 154 milhões em cada um desses fundos. A estrutura da operação levantou questionamentos porque os fundos haviam sido constituídos pouco antes da negociação e passaram a receber valores elevados de recursos públicos logo após o acordo.
Os dois fundos utilizados na operação foram estruturados dentro do sistema financeiro por gestoras ligadas ao Banco Master. Documentos citados em reportagens indicam que essas estruturas financeiras foram criadas semanas antes da formalização do acordo com o governo de Mato Grosso e passaram a funcionar como intermediárias na movimentação do dinheiro do acordo.
Em operações desse tipo, os fundos funcionam como veículos financeiros que recebem recursos e podem direcioná-los para outros ativos ou aplicações dentro do mercado de capitais. Esse tipo de estrutura permite que o dinheiro circule por diferentes instrumentos financeiros, como títulos privados, debêntures ou participações em outras carteiras de investimento.
No caso do acordo envolvendo Mato Grosso, reportagens indicaram que, após serem depositados nos fundos vinculados ao Banco Master, os valores passaram a circular por outras estruturas financeiras dentro do mercado de capitais. Embora esse tipo de movimentação seja comum em operações financeiras complexas, o fato de os fundos terem sido criados pouco antes do acordo e terem recebido rapidamente recursos públicos chamou atenção no debate político e jurídico sobre a negociação.
A repercussão do caso aumentou ainda mais quando, em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master após a instituição enfrentar uma grave crise financeira e problemas de liquidez. Com a intervenção do Banco Central, diversas operações estruturadas por meio de fundos vinculados ao banco passaram a ser analisadas por autoridades e órgãos de controle em todo o país.
Nesse contexto, o acordo firmado pelo governo de Mato Grosso passou a ser citado em reportagens nacionais e discussões políticas como um dos exemplos de operações envolvendo recursos públicos estruturadas por fundos ligados à instituição financeira.
A negociação também passou a ser questionada judicialmente após ação apresentada pelo ex-governador Pedro Taques. Na denúncia, Taques afirma que o cálculo da dívida tributária que levou ao acordo teria apresentado inconsistências e pede investigação sobre a estrutura financeira da operação. Segundo a ação judicial, o valor da dívida utilizado como base para justificar a negociação teria aumentado significativamente ao longo da tramitação judicial, levantando dúvidas sobre a vantagem real da transação para o Estado.
O governo de Mato Grosso nega irregularidades e afirma que o acordo foi conduzido dentro da legalidade. A gestão Mauro Mendes sustenta que a negociação foi baseada em pareceres técnicos da Procuradoria-Geral do Estado e da Secretaria de Fazenda e que permitiu encerrar uma disputa judicial que poderia gerar custos ainda maiores aos cofres públicos.
A disputa política entre Mauro Mendes e Pedro Taques ampliou a repercussão do caso e levou o tema ao debate em Brasília. O acordo passou a ser citado em discussões relacionadas a investigações parlamentares que analisam operações financeiras envolvendo fundos ligados ao Banco Master.
Em determinado momento, houve articulações para que Pedro Taques fosse ouvido em uma comissão parlamentar no Senado para apresentar esclarecimentos sobre as denúncias relacionadas ao acordo. Durante esse período, Mauro Mendes esteve em Brasília participando de reuniões políticas no Congresso Nacional.
Reportagens da imprensa mato-grossense indicaram que o governador participou de articulações políticas enquanto o caso era debatido em comissões parlamentares. Posteriormente, o requerimento que previa a convocação de Pedro Taques acabou sendo retirado da pauta da comissão, que decidiu receber manifestações e documentos por escrito das partes envolvidas.
Paralelamente à controvérsia envolvendo o acordo com a Oi, outro tema passou a alimentar o debate público em Mato Grosso: o sistema de empréstimos consignados dos servidores públicos estaduais. O estado mantém convênios com diversas instituições financeiras para permitir a oferta de crédito consignado, modalidade em que as parcelas são descontadas diretamente da folha de pagamento dos servidores.
Entre as instituições que operavam nesse mercado estava o Banco Master. Após a crise da instituição financeira e denúncias envolvendo operações de crédito consignado em diferentes regiões do país, o sistema passou a ser alvo de auditorias e revisões em Mato Grosso.
Em janeiro de 2026, o governo estadual anunciou a suspensão temporária das operações de consignado de diversas instituições financeiras enquanto auditorias eram realizadas. A decisão ocorreu após denúncias de servidores que afirmaram ter sido vítimas de irregularidades em contratos de crédito, incluindo situações em que os valores efetivamente recebidos seriam inferiores ao montante registrado nas parcelas descontadas em folha.
A crise envolvendo o Banco Master ampliou ainda mais a dimensão do debate nacional. Investigações conduzidas por autoridades federais passaram a apurar suspeitas de fraude financeira, lavagem de dinheiro, manipulação de ativos e irregularidades em operações de crédito. O banco também passou a ser citado em investigações relacionadas à negociação de carteiras de crédito consignado e estruturas financeiras consideradas de alto risco.
Embora não exista, até o momento, acusação formal contra o governo de Mato Grosso nas investigações federais relacionadas ao Banco Master, a ligação do acordo estadual com fundos estruturados pelo banco colocou o estado no centro do debate político e financeiro nacional.
Além dessas controvérsias, a gestão Mauro Mendes também enfrentou episódios de tensão com setores da imprensa. Nos últimos anos, jornalistas e veículos de comunicação relataram conflitos com o governo estadual após a publicação de reportagens críticas à administração. Entidades de defesa da liberdade de imprensa chegaram a manifestar preocupação com ações judiciais e pressões envolvendo profissionais que investigaram temas relacionados ao governo e a familiares do governador.
Enquanto as disputas judiciais e políticas continuam em andamento, o acordo envolvendo o governo de Mato Grosso, a operadora Oi e fundos financeiros ligados ao Banco Master permanece no centro das discussões sobre transparência, gestão pública e uso de recursos do Estado.
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Daniel Trindade
Editor-Chefe do Portal de Notícias
Ativista Social|Jornalista MTB 3354 -MT
Consultor Político
Estudante Bacharelado em Sociologia
Defensor da Causa Animal em Sinop -MT
Tutor do Stopa "O Cão Mascote"






