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Empresa terceirizada que gerencia UPA, UBSs e Policlínica em Sinop confirma novos atrasos salariais e culpa falta de repasse da prefeitura
por Daniel Trindade
Mais uma vez, médicos, enfermeiros e demais prestadores de serviço contratados pela Associação Saúde em Movimento (ASM) denunciam atrasos no pagamento de salários em Sinop. A empresa, responsável pela gestão da UPA 24h, Policlínica Menino Jesus, 13 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e do Resgate Avançado, opera por meio de contrato firmado com a Prefeitura Municipal. Apesar dos altos valores empenhados, os atrasos tornaram-se frequentes, gerando insegurança e revolta entre os profissionais da linha de frente da saúde pública.
Nesta semana, a redação
recebeu diversas denúncias de colaboradores que, mesmo após o fechamento da folha, ainda não haviam recebido seus salários. Em contato com a reportagem, a diretora executiva da ASM, Vanessa Cardoso, confirmou os atrasos e justificou que os pagamentos só serão realizados após o repasse financeiro da prefeitura. A mesma explicação foi repassada aos funcionários via grupos de mensagens:
“Informo que os pagamentos serão efetuados após a confirmação do repasse financeiro por parte do município. Até o momento o repasse ainda não foi efetuado. Assim que for realizado, daremos início ao processo de pagamento.”
O problema, no entanto, está longe de ser pontual. Desde a renovação do contrato emergencial nº 046/2024, com valor total de R$ 75.225.055,68 por 12 meses, profissionais da saúde relatam atrasos frequentes e falta de previsão para recebimentos. O contrato prevê que os pagamentos à ASM dependem do repasse do município, permitindo atrasos de até 30 dias sem multa ou penalidade. No entanto, trabalhadores afirmam que os atrasos têm ultrapassado esse prazo, em alguns casos chegando a 40 dias ou mais.
O cenário se agrava diante da ampliação dos recursos destinados à empresa. Em maio, a Câmara de Sinop aprovou um aditivo de R$ 28,1 milhões ao contrato original. Além disso, tramita na Casa o Projeto de Lei nº 033/2025, que prevê mais R$ 43,2 milhões em repasses, elevando o total dos valores empenhados à ASM para aproximadamente R$ 146 milhões em menos de um ano.
Mesmo com cifras tão expressivas, os profissionais da saúde continuam trabalhando sem garantia de pagamento em dia. “É uma angústia. A gente se dedica, se arrisca todos os dias para atender a população, mas não sabe quando vai receber. E não é a primeira vez”, relatou um enfermeiro que preferiu não ser identificado. Segundo os relatos, o clima nas unidades é de tensão, e muitos profissionais já consideram deixar os cargos devido à instabilidade.
A falta de transparência e previsibilidade nos repasses preocupa não só os trabalhadores, mas também a população que depende do atendimento público. A situação reacende o debate sobre a eficácia da terceirização na saúde e o controle sobre a execução dos contratos milionários. O silêncio da prefeitura diante das cobranças aumenta a insatisfação e coloca em xeque a credibilidade da gestão na área mais sensível do serviço público.
Apesar da dependência dos repasses públicos, cabe à Associação Saúde em Movimento a responsabilidade de garantir o cumprimento das obrigações trabalhistas com seus colaboradores. Ao assumir a gestão de unidades essenciais da saúde pública, a ASM assumiu também o compromisso de manter a estrutura funcional e operante e isso inclui honrar com pontualidade os salários de médicos, enfermeiros e demais profissionais. A previsibilidade financeira e o respeito aos trabalhadores são condições indispensáveis para a continuidade de um serviço de saúde digno, eficiente e confiável.

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Daniel Trindade
Editor-Chefe do Portal de Notícias
Ativista Social|Jornalista MTB 3354 -MT
Consultor Político
Estudante Bacharelado em Sociologia
Defensor da Causa Animal em Sinop -MT
Tutor do Stopa "O Cão Mascote"




