
Valorização do metal intensifica invasões na Terra Indígena Sararé e amplia pressão sobre áreas protegidas
por Daniel Trindade
O avanço do garimpo ilegal tem intensificado as invasões em terras indígenas de Mato Grosso, com destaque para a Terra Indígena Sararé, localizada na região oeste do estado, próxima aos municípios de Pontes e Lacerda e Vila Bela da Santíssima Trindade, onde operações recentes identificaram a presença crescente de estruturas clandestinas e grupos organizados atuando dentro do território.
Impulsionadas pela alta do ouro no mercado internacional, essas invasões se tornaram mais frequentes e estruturadas. A valorização do metal aumentou o interesse pela exploração ilegal, atraindo quadrilhas que ocupam áreas protegidas em busca de lucro rápido, ampliando a pressão sobre territórios indígenas.
Imagens da região mostram um cenário que chama atenção pelo nível de organização. Do alto, a área ocupada se assemelha a uma pequena cidade improvisada, com dezenas de barracos, equipamentos e pontos de apoio instalados dentro da terra indígena. A estrutura indica permanência contínua dos invasores e uma atuação coordenada.
Durante as operações, agentes do IBAMA localizaram maquinários, mantimentos e estruturas escondidas em áreas camufladas, utilizadas para manter a atividade ilegal em funcionamento. Em alguns casos, também foram encontrados materiais que indicam o nível de organização dos grupos.
Nos últimos anos, a fiscalização já desmontou centenas de acampamentos ilegais na região. Estima-se que cerca de mil estruturas tenham sido desmobilizadas em operações recentes, com destruição de equipamentos avaliados em centenas de milhões de reais. A área impactada dentro da Terra Indígena Sararé já ultrapassa milhares de hectares.
A operação mais recente, iniciada há poucos dias, mobiliza centenas de agentes federais e já resultou na prisão de dezenas de pessoas. Mesmo com as ações, o principal desafio continua sendo impedir o retorno dos invasores ou a migração para outras áreas.
A dinâmica das quadrilhas dificulta o combate. Os grupos mudam constantemente de região para evitar operações e manter a atividade. Após ações em outras áreas do país, muitos migraram para Mato Grosso, intensificando as invasões na Terra Indígena Sararé.
Além disso, a atuação conta com apoio logístico, que garante transporte, fornecimento de equipamentos e abastecimento dentro das áreas invadidas. Esse suporte fortalece a permanência dos grupos e amplia a dificuldade de fiscalização.
Segundo o presidente do IBAMA, Rodrigo Agostinho, o enfrentamento ao garimpo ilegal tem exigido o uso de inteligência para identificar redes que sustentam a atividade, incluindo comércio ilegal de ouro e outras cadeias associadas.
O avanço das invasões não se limita a Mato Grosso. Nos últimos anos, operações em outras regiões levaram à dispersão dos garimpeiros, que passaram a ocupar novos territórios indígenas em diferentes estados, ampliando os impactos ambientais e territoriais.
O procurador André Porreca avalia que ações isoladas não são suficientes para conter o problema e que é necessário manter fiscalização contínua, repressão permanente e medidas estruturadas para evitar a reocupação das áreas.
A expansão do garimpo ilegal em terras indígenas revela um cenário de pressão crescente sobre territórios protegidos, com impactos diretos no meio ambiente, nas comunidades indígenas e na preservação dessas áreas.
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Daniel Trindade
Editor-Chefe do Portal de Notícias
Ativista Social|Jornalista MTB 3354 -MT
Consultor Político
Estudante Bacharelado em Sociologia
Defensor da Causa Animal em Sinop -MT
Tutor do Stopa "O Cão Mascote"




