
Nelson Wilians, homenageado pela Câmara de Sinop, aparece em operação que apura lavagem de dinheiro bilionária ligada ao INSS.
por Daniel Trindade
O advogado Nelson Wilians, que já foi homenageado em Sinop com o título de cidadão sinopense pela Câmara de Vereadores, voltou a ser o centro de um escândalo nacional. A Polícia Federal ampliou a Operação Cambota, desdobramento da Sem Desconto, e mira em supostas movimentações de lavagem de dinheiro ligadas ao escritório de Wilians e ao empresário Maurício Camisotti, apontado como articulador de entidades que promoveram descontos indevidos sobre aposentados e pensionistas do INSS.
Na mais recente fase, deflagrada ontem, os agentes prenderam Camisotti e também Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, outro nome envolvido no esquema. O pedido de prisão contra Nelson Wilians chegou a ser apresentado pela PF, mas foi negado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que considerou não haver risco de fuga ou obstrução da Justiça por parte do advogado. Ainda assim, ele permanece como investigado e alvo de buscas e apreensões.
As diligências resultaram em apreensões milionárias. Carros de luxo, entre eles Ferrari, Rolls-Royce e Bentley, foram recolhidos em endereços ligados aos investigados. Também foram confiscados vinhos raros, esculturas, joias, obras de arte, HDs, celulares e documentos considerados estratégicos para a apuração. Uma coleção de relógios de alto padrão, avaliada em cerca de R$ 15 milhões, com marcas como Richard Mille, Patek Philippe, Rolex e Parmigiani Fleurier, também foi encontrada, além de uma réplica em tamanho real do carro de Fórmula 1 pilotado por Ayrton Senna.
A PF apura transferências de valores milionários que reforçam a suspeita de lavagem de dinheiro. Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificaram que Wilians transferiu pelo menos R$ 28 milhões a Camisotti em operações sem justificativa clara. Ao longo dos últimos anos, o Coaf apontou movimentações bilionárias relacionadas às empresas e contas ligadas aos dois, muitas vezes feitas por meio de sobreposição de pessoas jurídicas e repasses pulverizados, dificultando a identificação dos reais beneficiários.
A suspeita da Polícia Federal é de que a banca de Wilians teria sido usada como engrenagem para dar aparência de legalidade ao dinheiro oriundo da chamada “farra do INSS”, que rendeu fortunas a entidades que operavam descontos diretos na folha de aposentados por meio de convênios. Parte desses recursos teria financiado bens de luxo e negociações imobiliárias suspeitas, como a compra de um imóvel de R$ 22 milhões no Jardim Europa, em São Paulo, demolido e anexado ao jardim da mansão do advogado.
Embora negue irregularidades, Nelson Wilians permanece sob investigação, e as descobertas mais recentes ampliam o desgaste em torno de seu nome. A defesa do advogado afirma que sua relação com Camisotti é exclusivamente profissional e legal, e que os valores apontados dizem respeito a negócios lícitos, sobretudo a compra de terrenos vizinhos à sua residência. Ainda assim, os desdobramentos da operação mostram que a PF vê fortes indícios de ocultação de patrimônio, numa investigação que já prendeu personagens centrais e segue no rastro de bilhões em movimentações financeiras.

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Daniel Trindade
Editor-Chefe do Portal de Notícias
Ativista Social|Jornalista MTB 3354 -MT
Consultor Político
Estudante Bacharelado em Sociologia
Defensor da Causa Animal em Sinop -MT
Tutor do Stopa "O Cão Mascote"




