Casos registrados no interior de Mato Grosso ampliam pressão sobre fiscalização ética da profissão e sobre o acompanhamento de médicos acusados ou condenados por crimes graves
Da Redação
O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) abriu investigações para apurar a conduta de dois médicos presos em casos de estupro registrados em Tangará da Serra e Barra do Garças.
Os casos aumentaram a pressão sobre os mecanismos de fiscalização ética da profissão e sobre o acompanhamento de médicos acusados ou condenados por crimes graves no exercício da medicina.
Na quinta-feira (21), o CRM-MT informou que instaurou sindicância contra o médico Rogers de Oliveira Pimentel, de 45 anos, preso em Tangará da Serra após condenação por estupro de duas sobrinhas, que tinham 6 e 13 anos quando os abusos começaram.
As investigações apontam que os crimes ocorreram de forma continuada entre 2016 e 2020 em cidades da região médio-norte de Mato Grosso.
Conforme a Polícia Civil e o Ministério Público, o médico se aproveitava de momentos em que ficava sozinho com as crianças para cometer os abusos. Os autos também apontam que ele fazia ameaças contra familiares para impedir denúncias.
O processo já transitou em julgado, ou seja, não cabe mais recurso. Rogers foi condenado a 23 anos e 4 meses de prisão.
Durante interrogatório à Justiça, ele negou as acusações e alegou que a denúncia teria sido motivada por conflitos familiares relacionados à divisão de terras. A versão não foi confirmada pelas investigações.
Segundo informações da Polícia Civil, o médico também possui outras condenações, além de processos e ações penais em curso por estupro de vulnerável contra crianças.
Um dia antes, na quarta-feira (20), o CRM-MT já havia aberto outra sindicância contra o médico João Paulo Moura Cavalcante, de 42 anos, preso em Barra do Garças.
Segundo a Polícia Civil, havia dois mandados de prisão contra ele: um por violência doméstica e outro por estupro, sequestro, cárcere privado e lesão corporal contra uma ex-companheira.
Os crimes investigados ocorreram entre 2019 e 2022 e resultaram em três inquéritos conduzidos pela Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Barra do Garças.
Além do mandado já expedido pela Justiça, o médico também foi denunciado recentemente por agressões e ameaças contra uma companheira de 21 anos.
Conforme boletim de ocorrência, a vítima relatou ter sofrido socos, chutes e ameaças durante discussões motivadas por ciúmes. Ela afirmou ainda que já havia sofrido outras agressões anteriormente.
O CRM-MT informou que as sindicâncias foram abertas para verificar possíveis infrações ao Código de Ética Médica e apurar eventual irregularidade no exercício profissional.
O conselho afirmou ainda que os procedimentos ético-profissionais tramitam sob sigilo, conforme prevê o Código de Processo Ético-Profissional dos Conselhos de Medicina.
Os casos ocorrem em um momento de pressão crescente sobre os índices de violência contra mulheres em Mato Grosso. Dados divulgados neste mês apontam que o estado registrou 498 estupros apenas no primeiro quadrimestre de 2026. As mulheres representam 85,4% das vítimas.
No último ano, Mato Grosso contabilizou 53 feminicídios, acima dos 47 registrados em 2024. A taxa estadual chegou a 2,6 mortes para cada 100 mil mulheres, índice superior à média nacional.
O CRM-MT é responsável pela fiscalização do exercício da medicina no estado e pode aplicar sanções administrativas e éticas que vão de advertência à cassação do registro profissional, a depender do resultado das apurações.
Em casos de violência, ameaças ou risco iminente, denúncias podem ser feitas pelos telefones 180, da Central de Atendimento à Mulher, 190 da Polícia Militar e 197 da Polícia Civil. Mato Grosso também conta com delegacias especializadas de atendimento à mulher e registro online por meio da Delegacia Digital.
Redação
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