Grupo investigado atuava na região de Cáceres, área considerada sensível para rotas criminosas na fronteira oeste do estado
Da Redação
A disputa por território entre facções criminosas na fronteira oeste de Mato Grosso levou o Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) a deflagrar, nesta sexta-feira (22), a Operação Líbano.
A investigação mira uma célula ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC) suspeita de envolvimento com tráfico de drogas, homicídios e suporte às atividades do grupo criminoso na região de Cáceres, município localizado na fronteira oeste do estado.
Ao todo, são cumpridas sete ordens judiciais, sendo seis mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão nas cidades de Cáceres, Cuiabá e Pimenta Bueno, em Rondônia.
Segundo o Gaeco, as investigações começaram após compartilhamento de informações da Polícia Civil de Cáceres com autorização judicial. A apuração identificou pelo menos seis suspeitos apontados como integrantes da organização criminosa.
Parte do grupo atuava no suporte às atividades ilícitas, enquanto outros ocupavam posições de liderança dentro da facção, conforme os investigadores.
O nome da operação faz referência a um dos principais investigados, conhecido pelo codinome “Líbano”. De acordo com o Gaeco, ele morreu durante um conflito entre facções rivais na região de Cáceres.
O apelido era utilizado para dificultar a identificação do suspeito em mensagens trocadas por aplicativos usados para coordenar atividades criminosas.
A operação ocorre em uma região considerada sensível por órgãos de segurança por causa da proximidade com a Bolívia e da ligação com rotas usadas para circulação de drogas, armas e mercadorias ilegais no interior do país.
O avanço de facções sobre áreas de fronteira e corredores logísticos passou a preocupar autoridades nos últimos anos, principalmente em estados com forte atividade agropecuária e grande circulação de cargas.
Em novembro de 2025, reportagem publicada pela Gazeta do Povo mostrou que investigações em diferentes estados passaram a identificar atuação de facções em compra irregular de fazendas, lavagem de dinheiro, mercado ilegal de defensivos agrícolas e uso de estruturas rurais para apoio ao tráfico.
Já em junho deste ano, levantamento publicado pela Agrofy News, com base em decisões judiciais e reportagens de mais de 25 veículos de imprensa, apontou que mais de 511 mil hectares de terras já haviam sido bloqueados pela Justiça brasileira desde 2006 em investigações relacionadas ao PCC e a esquemas de lavagem de dinheiro ligados ao campo.
Embora essas informações não integrem diretamente a investigação da Operação Líbano, elas ajudam a contextualizar o aumento da atenção das forças de segurança sobre regiões rurais, áreas de fronteira e corredores econômicos vistos como relevantes para a atuação do crime organizado.
Em Mato Grosso, essa preocupação aumentou pela combinação entre fronteira internacional, expansão agropecuária, grandes áreas rurais e rodovias usadas para circulação de cargas no interior do país.
A Operação Líbano contou com apoio da Secretaria de Justiça, por meio do Grupo de Intervenção Rápida, do canil e do setor de inteligência da Polícia Penal de Mato Grosso, além da Casa de Detenção de Pimenta Bueno, em Rondônia.
O Gaeco é uma força-tarefa coordenada pelo Ministério Público de Mato Grosso, com participação das polícias Civil, Militar e Penal, além do sistema socioeducativo.
O Ministério Público informou que denúncias sobre organizações criminosas podem ser feitas de forma anônima pelos telefones 127, da Ouvidoria do MPMT, e 197, da Polícia Civil.
Redação
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