Relatórios do Coaf e do MPE identificam movimentação atípica em espécie e apuram o papel de empresário em possível fluxo de recursos ligados a emendas parlamentares em Mato Grosso
Da Redação
Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e do Ministério Público Estadual (MPE) identificaram saques em dinheiro vivo que somam R$ 720 mil realizados pelo empresário João Nery Chiroli, dono da empresa Sem Limite Esporte e Eventos Ltda, em um intervalo de pouco mais de um mês.
As informações integram a Operação Emenda Oculta, que apura um suposto esquema de desvio de emendas parlamentares em Mato Grosso envolvendo o deputado estadual Elizeu Nascimento e o vereador Cezinha Nascimento.
Segundo os investigadores, o empresário é apontado como parte do fluxo de repasse de recursos investigado, que teria origem em emendas parlamentares destinadas a instituições privadas e posterior movimentação por empresas contratadas para execução de eventos.
Entre as entidades citadas na investigação estão o Instituto Social Mato-Grossense (ISMAT) e o Instituto Brasil Central (IBRACE), que teriam atuado como intermediários na execução dos repasses, segundo a linha investigativa do Ministério Público.
O percurso sob apuração indica que os recursos públicos teriam sido direcionados às instituições e, posteriormente, redistribuídos a empresas privadas ligadas à execução de serviços, entre elas a Sem Limite Esporte e Eventos Ltda.
Em 16 de dezembro de 2025, o empresário sacou R$ 250 mil. No mesmo dia, segundo registros da investigação, ele foi visto saindo de uma agência bancária com uma mochila e entrando em um veículo atribuído ao deputado estadual Elizeu Nascimento.
Em 23 de dezembro de 2025, houve novo saque de R$ 350 mil. Já em 21 de janeiro de 2026, foi registrado um terceiro saque de R$ 120 mil, totalizando R$ 720 mil no período investigado.
De acordo com o Ministério Público, as movimentações foram consideradas atípicas e ocorreram em datas próximas à liberação de recursos públicos vinculados às emendas parlamentares sob apuração. As análises incluem registros bancários, imagens de agência e dados de inteligência financeira.
O inquérito também aponta que parte dos valores teria circulado entre instituições e empresas envolvidas na execução de eventos esportivos, o que é analisado pelos investigadores como possível estrutura de intermediação financeira.
O empresário João Nery Chiroli já foi citado em outra investigação no estado, a Operação Gorjeta, que apurou suposto esquema de desvio de emendas parlamentares em Cuiabá envolvendo o vereador Chico 2000. Na ocasião, a investigação apontou o uso de institutos e empresas privadas como intermediários na execução de eventos e na circulação de recursos públicos.
Durante o cumprimento de mandados da Operação Emenda Oculta, foram apreendidos R$ 150 mil na residência do deputado Elizeu Nascimento e R$ 50 mil na casa do vereador Cezinha Nascimento.
A investigação segue em andamento no Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco), do Ministério Público Estadual. Os investigados negam irregularidades.
Redação
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