
Abuso era cometido há quatro anos por homem de 53 anos; família pede justiça
Um caso grave de violência sexual e física contra uma criança de 12 anos, que vinha ocorrendo há quatro anos, terminou com um fisioterapeuta de 53 anos e funcionário público da Prefeitura de Assis, que era padrasto da vítima, preso preventivamente em Assis, nesta terça-feira, 31 de março.
Em entrevista concedida ao Portal AssisCity em sua residência, a mãe da vítima revelou detalhes sobre a violência sexual sofrida pela filha e expôs momentos de violência física e psicológica que se estenderam aos demais membros da família, incluindo duas crianças de 8 e 13 anos.
“Tudo começou a partir de um divórcio”, contou a mãe ao Portal AssisCity.
De acordo com a mulher de 35 anos, o casamento já apresentava desgastes devido as constantes traições do ex-companheiro, além de seu comportamento violento e manipulador. “Ele chegava a trazer as amantes para dentro da minha casa, como se quisesse me mostrar mesmo o que estava fazendo. Mas ele conseguia entrar na minha cabeça, me colocava como a errada da situação, e eu sempre acabava voltando, apesar da violência física e psicológica que sofria. Mas quando chegamos de viagem, foi o ponto final”, contou.
Após o ex-companheiro deixar a casa onde viviam, a filha do meio, de 12 anos, sentiu-se segura o suficiente para contar a mãe o que vinha sofrendo ao longo de quatro anos. Os abusos sexuais que começaram quando a criança tinha apenas 8 anos, eram cometidos dentro do quarto do casal, único lugar da residência que não tinha câmeras.
“Minha filha me chamou e perguntou se o pai dela iria voltar. Ela o chamava de pai, porque ele a criou desde os dois anos. Quando eu disse que ele não voltaria mais, foi quando ela começou a me contar tudo que ele fez com ela desde os 8 anos. Ali o meu mundo caiu”, desabafou.
De acordo com a mãe da vítima, a criança relatava com detalhes tudo que o padrasto fazia com ela. Em um momento de desespero, a mãe também buscou por evidências físicas, e com ajuda de familiares teve acesso ao notebook e um pendrive do ex-companheiro, onde encontrou diversas pastas com imagens de conteúdo pornográfico envolvendo outras crianças e adultos.
Os abusos eram cometidos quando a mãe da vítima não estava em casa. “A minha filha só ia para a escola e para casa. Aqui era o único lugar onde isso poderia ter acontecido.”
Na escola, a criança também buscou ajuda através de uma professora, que com o apoio do Conselho Tutelar, elaborou um documento que foi apresentado junto a denúncia da família na Delegacia de Defesa da Mulher de Assis.
Laudo confirma abuso sexual
Em novembro de 2025, ao registrar a primeira denúncia formal, a menina foi encaminhada ao Instituto Médico Legal (IML). O laudo voltou positivo para estupro de vulnerável. Na delegacia, o caso foi registrado com um extenso conjunto de violações: agressão ou vias de fato, exposição de risco à saúde, lesão corporal, maus-tratos, negligência, tortura psicológica e estupro de vulnerável.
Sequelas visíveis
A mãe relata que as marcas da violência são visíveis no desenvolvimento da filha. “Ela tem dificuldades de aprendizado, como se tivesse parado de se desenvolver intelectualmente”, disse. Segundo a mãe, os abusos aconteciam sempre quando ela não estava em casa, mas ainda com as outras crianças no local. “Ele não me deixava trabalhar. Ele me agredia psicologicamente.”
A família confirmou que a menina terá acompanhamento psicológico. “A justiça vai ser feita pela minha filha, mas ela vai carregar esse trauma para a vida inteira”, lamentou a mãe.
Em nota, a Polícia Civil do Estado de São Paulo, por intermédio da DDM-Delegacia de Defesa da Mulher de Assis, informou que “Durante o curso das apurações, constatou-se, ainda, que o investigado teria proferido ameaças contra a vítima, circunstância que acentua a gravidade dos fatos e evidencia a necessidade da medida cautelar de prisão para garantia da ordem pública e da integridade da ofendida. Na oportunidade, foram apreendidos dispositivos eletrônicos contendo grande quantidade de material fotográfico, os quais serão submetidos à análise pericial para apuração de outros crimes envolvendo outras vítimas.”
Ainda segundo a Polícia Civil, após o cumprimento da ordem judicial, o preso foi conduzido a estabelecimento prisional da região onde permanecerá à disposição da Justiça para audiência de custódia.
As investigações prosseguem visando à completa elucidação dos fatos, identificação de outras possíveis vítimas e responsabilização penal do investigado.
O Portal AssisCity entrou em contato com o advogado responsável pela defesa do fisioterapeuta, mas até o momento não obtivemos retorno. O espaço segue aberto para manifestação.
AssisCity

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Bianca L. Trindade
Bianca Lauher da Trindade
Estágio sob supervisão I Jornalista Daniel Trindade - MTB 3354 -MT
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