
Vice já citou 14 deputados, incluindo nomes da própria base, e volta a sugerir corrupção sem apresentar provas nem comentar denúncias envolvendo a gestão estadual
por Daniel Trindade
O vice-governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta, voltou ao centro do debate político estadual após fazer novas declarações com suspeitas de corrupção, sem apresentar provas ou identificar os supostos envolvidos.
Durante evento político realizado na última quinta-feira (26), Pivetta afirmou que a população não quer mais “governantes que peçam 30% de volta”, sugerindo a existência de cobrança de propina dentro da administração pública. A fala, no entanto, foi feita de forma genérica, sem detalhamento ou encaminhamento formal das acusações.
A declaração ocorre em um momento de pré-articulação eleitoral e reacende um episódio recente que já havia provocado forte desgaste institucional. Em 2024, o vice-governador encaminhou denúncia à Controladoria Geral do Estado de Mato Grosso, dando origem a uma investigação sobre supostas irregularidades na execução de emendas parlamentares destinadas à aquisição de kits agrícolas.
As apurações foram conduzidas pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção, no âmbito da Operação Suserano, e apontaram indícios de superfaturamento em convênios firmados entre a Secretaria de Agricultura Familiar (Seaf) e o Instituto de Natureza e Turismo (Pronatur).
O inquérito mencionou deputados estaduais de diferentes partidos, muitos deles à época integrantes ou próximos da base do governo estadual e que, em grande parte, seguem hoje no campo político aliado ao grupo governista.
Entre os citados estão Eduardo Botelho (União Brasil), Juca do Guaraná (MDB), Cláudio Ferreira (PL), Dr. João José (MDB), Alan Kardec (PSB), Gilberto Cattani (PL), Fábio Tardin (PSB), Júlio Campos (União Brasil), Faissal Calil (PL), Ondanir Bortolini (PSD), Dr. Eugênio (PSB), Wilson Santos (PSD), Thiago Silva (MDB), Dilmar Dal Bosco (União Brasil), Carlos Avallone (PSDB) e Diego Guimarães (Republicanos).
As investigações apontaram suspeita de desvio de até R$ 28 milhões em 24 convênios. Apenas na aquisição de kits agrícolas, o prejuízo estimado pode chegar a R$ 10,2 milhões, segundo a Polícia Civil.
À época, a maioria dos parlamentares citados negou irregularidades e afirmou ter atuado dentro da legalidade. Muitos destacaram que apenas indicaram emendas parlamentares, sem participação na execução ou entrega dos materiais, atribuindo essa responsabilidade aos órgãos do Executivo estadual.
O episódio gerou forte reação na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), inclusive entre parlamentares da base governista, e levou à convocação do controlador-geral do Estado, Paulo Farias Nazareth Netto, para prestar esclarecimentos.
Nos bastidores, o caso foi interpretado como um dos momentos de maior tensão entre Executivo e Legislativo estadual, especialmente por envolver deputados que integravam o próprio campo político do governo.
Agora, ao voltar a levantar suspeitas de corrupção de forma genérica, sem detalhar nomes ou apresentar provas, Pivetta reacende questionamentos sobre a coerência de sua atuação ao longo dos mais de sete anos em que integra o governo estadual, ao lado do governador Mauro Mendes.
Também entram no debate críticas feitas anteriormente pelo ex-governador Pedro Taques, que mencionou suspeitas relacionadas à gestão estadual em temas como contratos, operações financeiras e consignados. À época, não houve posicionamento público mais incisivo por parte do vice-governador sobre esses apontamentos.
A nova declaração também levanta questionamentos políticos diretos: se há conhecimento de práticas irregulares, por que essas informações não foram formalizadas com provas junto aos órgãos competentes? E, caso existam elementos concretos, por que não houve atuação efetiva ao longo dos anos para apurar e coibir eventuais irregularidades?
A ausência de detalhamento das acusações, somada ao histórico recente, amplia a pressão por esclarecimentos e reforça o debate sobre responsabilidade institucional no exercício de funções públicas especialmente em um contexto pré-eleitoral, em que declarações desse tipo ganham maior repercussão.
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Daniel Trindade
Editor-Chefe do Portal de Notícias
Ativista Social|Jornalista MTB 3354 -MT
Consultor Político
Estudante Bacharelado em Sociologia
Defensor da Causa Animal em Sinop -MT
Tutor do Stopa "O Cão Mascote"






