
Registros mostram que Diógenes Fagundes divide empresas da rede Creap com Humberto Silva, alvo de operação e ligado a dispensa de R$ 12,3 milhões.
por Daniel Trindade
Documentos empresariais revelam que o empresário Humberto Silva, preso pela Polícia Federal em Cuiabá durante a Operação Paralelo Cinco, mantém vínculos societários com Diógenes de Abreu Fagundes, marido da deputada estadual Janaina Riva (MDB). Ambos aparecem como administradores e sócios em empresas da rede de clínicas Creap, incluindo o Centro de Reabilitação Psicossocial de Cuiabá Ltda, que foi alvo de uma dispensa de licitação de R$ 12,3 milhões da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT). A homologação foi publicada no Diário Oficial em 7 de outubro de 2025, mas a pasta afirma que o contrato não chegou a ser assinado.
A relação societária consta no CNPJ 51.165.627/0001-33, do Creap Cuiabá, onde Humberto Silva e Diógenes Fagundes figuram como administradores, ao lado das empresas Naga Company Brasil Ltda e Grupo Agora Participações Ltda. A clínica foi aberta em junho de 2023 e mantém sede no bairro Jardim Cuiabá. As informações oficiais mostram que a estrutura administrativa é compartilhada entre os dois.

O Grupo Agora Participações, sob administração de Diógenes Fagundes, também integra o quadro societário de outras unidades do mesmo grupo no estado, como o Creap de Primavera do Leste e o Campi de Várzea Grande. Nessas unidades, Humberto Silva igualmente ocupa cargos de gestão ou participação societária, evidenciando atuação conjunta na rede voltada à saúde mental em diferentes municípios mato-grossenses.
A dispensa de licitação nº 047/2025 previa a oferta de leitos de internação e estabilização psiquiátrica infantojuvenil, com funcionamento 24 horas e equipe multiprofissional. O valor global estimado era de R$ 12.369.120,00. Apesar da homologação no Diário Oficial, a SES-MT informou que o contrato não foi formalizado. “Não há contrato firmado com a empresa. Houve a publicação da homologação, no entanto, não há assinatura”, afirmou a secretaria.

Humberto Silva foi preso em um hotel de Cuiabá, após a Polícia Federal suspeitar que ele tentava fugir do cumprimento dos mandados da Operação Paralelo Cinco, que ocorreu simultaneamente no Rio Grande do Sul, São Paulo e Santa Catarina. A investigação apura um suposto esquema de desvio milionário de recursos públicos via organizações sociais que gerenciavam hospitais municipais. Segundo a PF, mais de R$ 340 milhões foram movimentados entre 2022 e agosto de 2025, com indícios de uso de empresas de fachada, emissão de notas fiscais inidôneas e pulverização de valores para ocultar a destinação final dos recursos.
A ofensiva resultou no bloqueio de 14 imóveis, 53 veículos, uma embarcação e mais de R$ 22,5 milhões em contas bancárias. A Justiça Federal determinou ainda medidas cautelares, como afastamento de funções, suspensão de atividades econômicas e restrição de acesso a órgãos públicos. Também houve intervenção nos hospitais de Jaguari (RS) e Embu das Artes (SP), administrados pela organização social investigada.
O espaço permanece aberto para manifestação das pessoas e empresas citadas.

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Daniel Trindade
Editor-Chefe do Portal de Notícias
Ativista Social|Jornalista MTB 3354 -MT
Consultor Político
Estudante Bacharelado em Sociologia
Defensor da Causa Animal em Sinop -MT
Tutor do Stopa "O Cão Mascote"




