
A investigação contra Anderson Candiotto amplia a crise no Judiciário de Mato Grosso e envolve denúncias de decisões vendidas e pressões ilegais.
por Daniel Trindade
O afastamento do juiz Anderson Candiotto, titular da 4ª Vara Cível de Sorriso, ampliou a crise que atinge o Judiciário de Mato Grosso neste ano e transformou o município no epicentro das investigações internas conduzidas pela Corregedoria-Geral do Tribunal de Justiça. A decisão, tomada de forma unânime pelo Órgão Especial do TJMT, marcou o quinto afastamento de magistrados no Estado em 2025 e o segundo apenas na comarca de Sorriso, que já havia perdido recentemente a juíza Silvia Renata Anffe Souza, também por determinação da Corregedoria.
O caso de Candiotto desencadeou uma avalanche de denúncias que circulavam discretamente entre advogados, empresários e produtores rurais. Relatos apontam para um suposto esquema de chantagem, venda de decisões judiciais, manobras processuais e fraude em contratos agrícolas utilizados para pressionar produtores. Fontes ligadas ao meio jurídico afirmam que o magistrado teria operado com apoio de advogados próximos e de uma assessora de confiança, que teria chegado a utilizar o token de segurança do juiz para assinar decisões durante viagens internacionais, prática que, caso confirmada, configura violação gravíssima de integridade funcional.
As suspeitas também alcançam operações empresariais da região. Candiotto é citado em relatos que o apontam como possível sócio oculto de empresas ligadas ao Grupo Safras, conglomerado do agronegócio em recuperação judicial e acusado de provocar prejuízos milionários a produtores. Há informações de que, quando ainda era casado com uma advogada da área, ele teria intermediado repasses de contratos de grandes empresas para o escritório da então esposa, além de participar ativamente de reuniões, pressionando partes sob risco de penhora de bens. Também há denúncias envolvendo contratos de compra e venda de cereais firmados via WhatsApp, supostamente utilizados para extorquir produtores com respaldo de um desembargador igualmente afastado pelo CNJ.
Apesar da gravidade, poucos produtores e profissionais formalizaram denúncias, motivados pelo medo de retaliações e pelo clima de intimidação que se instalou em Sorriso. Há relatos de que mesmo afastado, o magistrado exerceria influência nos bastidores. O patrimônio de Candiotto distribuído em seu nome e no de familiares será rastreado pelo Coaf, e fontes também mencionam intimidações recentes contra sua ex-esposa, embora não haja registro oficial.
O afastamento ocorre em meio a um ano marcado por medidas disciplinares inéditas. Antes dele, foram retirados de suas funções a juíza Tatiana dos Santos Batista, por faltas funcionais; o juiz Renato José de Almeida Costa Filho, por baixa produtividade; a juíza Silvia Renata Anffe Souza, filha do ex-desembargador Odiles de Freitas; e o juiz Mirko Vincenzo Giannotte, da Vara da Fazenda Pública de Sinop. Além disso, três membros da alta cúpula os desembargadores Sebastião de Moraes Filho e João Ferreira Filho e o juiz Ivan Lúcio Amarante foram afastados pelo CNJ por suspeitas de recebimento de vantagens indevidas e interferência ilícita em decisões judiciais.
Com as investigações aprofundando-se em várias frentes, o Judiciário mato-grossense enfrenta seu período mais crítico em décadas. O silêncio oficial e o uso recorrente do segredo de Justiça alimentam questionamentos sobre transparência e sobre os critérios adotados para divulgar ou ocultar apurações tão sensíveis. Os envolvidos nas denúncias têm direito ao contraditório e à ampla defesa, e o espaço permanece aberto para manifestações de todos os citados.

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Daniel Trindade
Editor-Chefe do Portal de Notícias
Ativista Social|Jornalista MTB 3354 -MT
Consultor Político
Estudante Bacharelado em Sociologia
Defensor da Causa Animal em Sinop -MT
Tutor do Stopa "O Cão Mascote"




