
Saúde de Sinop: uma joia que brilha os olhos e movimenta milhões
por Daniel Trindade
A Câmara Municipal de Sinop votará nesta segunda-feira, dia 12, em segunda votação, o Projeto de Lei nº 029/2025, que autoriza o Poder Executivo a abrir um crédito adicional suplementar no valor de R$ 28.104.707,04 (vinte e oito milhões, cento e quatro mil, setecentos e sete reais e quatro centavos). O recurso, segundo a justificativa oficial, será destinado ao aditivo contratual da Organização Social (OS) que atualmente gerencia a UPA, a Policlínica e algumas Unidades Básicas de Saúde (UBSs).
A OS em questão é a Associação Saúde em Movimento (ASM), com sede em Salvador, na Bahia. A entidade atua em diversos estados e se apresenta com um lema elegante: “Eficiência em gestão, assistência por razão.” Mas por trás da frase bem construída, o que realmente chama atenção são os números.

E não para por aí. Fontes ouvidas pelo Deixa Que Eu Te Conto revelam que, além do aditivo de vinte e oito milhões, já está sendo articulada nos bastidores uma renovação emergencial do contrato com a ASM. E o novo pacote pode ultrapassar os valores dos contratos já em andamento sendo um deles superior a R$ 87 (oitenta e sete) milhões de reais por ano, fora os aditivos.
Isso mesmo: mais de oitenta e sete milhões por ano e ainda com aditivos.
E se formos fazer comparações, há algo ainda mais curioso: uma estadia na UPA de Sinop, considerando o custo por paciente ao sistema, sai mais cara do que uma diária em hotel cinco estrelas em qualquer capital brasileira. Uma UTI que custa como uma suíte presidencial. É o SUS à la carte.
Esses valores, no entanto, acabam pulverizados entre diversas empresas, por conta da chamada “terceirização da terceirização”. Ou seja: a OS detém o contrato de gestão, mas subcontrata outras empresas para executar os serviços médicos, transporte, fornecimento de medicamentos, recepção, limpeza, entre outros. Em alguns casos, ainda há contratações pontuais conforme a necessidade.

A saúde pública de Sinop, que deveria ser tratada com seriedade, responsabilidade e total transparência, virou uma vitrine ou melhor, uma vitrine de luxo, com moldura dourada e fundo de vidro blindado. Uma estrutura tão valiosa que passou a brilhar os olhos de muita gente, especialmente daqueles que conhecem os bastidores da terceirização e enxergam na gestão pública uma oportunidade de negócio, não uma missão constitucional.
Enquanto os contratos engordam, o povo emagrece na fila. Falta médico, faltam especialistas, falta continuidade no atendimento. A rotatividade de profissionais é alta, e as reclamações nas unidades de saúde se tornaram rotina. Mas o fluxo financeiro segue em dia e crescendo.
O que deveria ser prioridade de governo virou ativo político e econômico de alto valor. A cada ano, os números aumentam, os custos sobem, as estruturas se multiplicam e a saúde pública vai deixando de ser um direito universal para se tornar um negócio altamente lucrativo para poucos.

Agora, cabe à Câmara Municipal exercer seu papel fiscalizador e, principalmente, responder à população sobre como esses recursos estão sendo aplicados. Afinal, aprovar milhões é fácil. Difícil é garantir que esse dinheiro chegue onde realmente importa: ao paciente que espera atendimento, à mãe que precisa de um pediatra, ao idoso que não pode aguardar por exames.
Que a votação não seja apenas mais um carimbo automático.
Que o debate venha com responsabilidade.
Porque saúde pública não pode ser gerida com pressa, com interesse ou com planilha de empresário. Muito menos com os olhos voltados apenas para o valor do contrato.
Que se olhe menos para o orçamento…
E mais para quem está na fila.

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Daniel Trindade
Editor-Chefe do Portal de Notícias
Ativista Social|Jornalista MTB 3354 -MT
Consultor Político
Estudante Bacharelado em Sociologia
Defensor da Causa Animal em Sinop -MT
Tutor do Stopa "O Cão Mascote"




