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Empresa acumula atrasos no pagamento de profissionais da saúde e já recebeu mais de R$ 146 milhões da Prefeitura.
por Daniel Trindade
A Associação Saúde em Movimento (ASM) voltou a ser alvo de cobranças na Câmara Municipal de Sinop. Durante a 28ª sessão ordinária, seis vereadores usaram a tribuna para criticar os constantes atrasos nos pagamentos de profissionais da saúde e cobraram que a Prefeitura notifique a empresa, avalie penalidades e até mesmo rompa o contrato em vigor.
Em 2024, a Prefeitura firmou com a ASM o contrato emergencial nº 046/2024, com valor global de R$ 75,2 milhões e validade de 12 meses. Posteriormente, foram autorizados um aditivo de R$ 28,1 milhões e outro de R$ 43,2 milhões, elevando o investimento total para cerca de R$ 146 milhões em menos de um ano. Apesar da soma milionária, a empresa continua acumulando queixas de descumprimento de prazos e desrespeito aos colaboradores, com atrasos salariais que, segundo relatos, chegam a ultrapassar 30 dias.
A ASM é responsável pela gestão da UPA 24h e de várias Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de Sinop. Os vereadores destacam que, além de comprometer a motivação dos profissionais, os atrasos afetam diretamente a qualidade do atendimento prestado à população, já que médicos, enfermeiros e técnicos ficam inseguros quanto à regularidade de seus vencimentos.
Embora a Prefeitura alegue que os repasses à empresa estão sendo feitos dentro do prazo, a ASM não tem conseguido manter a pontualidade no pagamento de salários e honorários. Esse impasse expôs falhas na fiscalização e abriu debate sobre a fragilidade dos contratos, que não possuem mecanismos eficazes para garantir o cumprimento imediato das obrigações trabalhistas.
Os problemas enfrentados em Sinop não são isolados. A ASM já esteve no centro de polêmicas em outras regiões do país:
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Tocantins: profissionais terceirizados denunciaram atrasos de até dois meses nos salários, mesmo com o governo estadual afirmando que os repasses estavam em dia. O caso chegou a ser acompanhado pelo Ministério Público.
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Valparaíso de Goiás: a empresa admitiu atrasos e prometeu quitar salários e o 13º em atraso.
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Distrito Federal: durante a pandemia, a ASM foi investigada pelo Tribunal de Contas por suspeita de pagamentos indevidos na gestão de hospitais de campanha, chegando a ter R$ 10,5 milhões bloqueados temporariamente.
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Outros estados: a entidade acumula mais de 1.600 ações trabalhistas em locais como Bahia, São Paulo e Goiás, envolvendo reclamações semelhantes sobre atrasos e descumprimento de contratos.
Na Câmara de Sinop, vereadores que antes defendiam a ASM agora engrossam o coro das críticas. Eles afirmam que, diante do volume de recursos já investidos e da reincidência nos atrasos, a Prefeitura precisa adotar medidas mais firmes, incluindo a possibilidade de rescindir o contrato.
A situação evidencia a insatisfação crescente do Legislativo com a empresa e coloca o Executivo sob pressão para rever a parceria. O impasse, além de expor fragilidades na gestão terceirizada da saúde, reforça a necessidade de maior transparência e fiscalização sobre contratos milionários que impactam diretamente no atendimento à população.
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Daniel Trindade
Editor-Chefe do Portal de Notícias
Ativista Social|Jornalista MTB 3354 -MT
Consultor Político
Estudante Bacharelado em Sociologia
Defensor da Causa Animal em Sinop -MT
Tutor do Stopa "O Cão Mascote"






