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Segunda fase da Operação Compliance Zero aprofunda apurações sobre cadeia de fundos que operavam o esquema fraudulento
BRASÍLIA – As investigações sobre as fraudes do Banco Master, liquidado pelo Banco Central, ganharam novos e importantes capítulos. Na segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na última quarta-feira, 14, a Polícia Federal cumpriu 42 mandados de busca e apreensão que atingiram, além do dono do banco, Daniel Vorcaro, diversos de seus parentes, como pai, irmã e cunhado.
Esta etapa, que também mira empresários, aprofunda a investigação dos possíveis envolvidos na cadeia de fundos de investimentos que operavam o esquema fraudulento e aponta para o acirramento das conexões entre personagens e casos investigados pelas operações Compliance Zero e Carbono Oculto.
Por outro lado, também se acirrou a queda de braço entre instituições envolvidas na investigação, uma vez que órgãos que apuram as fraudes no Master viraram alvo de pressão e inquéritos do Judiciário.
Veja quem é quem no caso:
Daniel Vorcaro (Dono do Banco Master)

O banqueiro Daniel Vorcaro é o dono do Banco Master e chegou a ser preso por 12 dias na primeira fase da Operação Compliance Zero, por suspeita de tentativa de fuga do País. Foi liberado, mas está com tornozeleira eletrônica.
Sua empresa cresceu de forma agressiva com a venda de CDBs com rendimentos muito acima da média do mercado. Patrocinava eventos no Brasil e no exterior e criou conexões que vão de ministros de Lula a aliados de Bolsonaro. Vorcaro é o centro de uma teia de conexões familiares e empresariais que se tornou alvo da PF.
Ele é investigado por encabeçar um esquema de fraudes no Master e por ter vendido ao Banco do Brasília (BRB) R$12,2 bilhões em carteiras de crédito consignado falsas. A defesa de Vorcaro afirma que o banqueiro “tem colaborado integral e continuamente com as autoridades competentes”.
Fabiano Zettel (Cunhado de Daniel Vorcaro)

Pastor e empresário, Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, chegou a ser preso na última quarta-feira, 14, na segunda fase da Operação Compliance Zero, ao tentar embarcar em um voo para Dubai – mas foi solto horas depois.
Como revelou o Estadão, Zettel é o dono dos fundos de investimento que compraram parte da participação dos irmãos do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, relator do caso na Corte, no resort Tayayá, no interior do Paraná.
Os fundos eram geridos pela Reag Investimentos, liquidada na última semana pelo Banco Central, e foram usados para aportar R$ 20 milhões no empreendimento.
Pastor da igreja da Lagoinha, Zettel é dirigente de empresas ligadas a negócios de Vorcaro. Uma delas, por exemplo, detém a mansão de R$ 36 milhões onde o banqueiro se reunia com políticos em Brasília.
Em nota, a defesa de Zettel afirmou que o empresário “tem atividades conhecidas e lícitas, sem relação alguma com a gestão do Banco Master” e que a viagem a Dubai se daria “em razão de negócios”.
Natália Vorcaro Zettel (Irmã de Daniel Vorcaro)

Irmã de Daniel Vorcaro, Natália Vorcaro Zettel é diretora da Milo Investimentos e presidente da MGI Desenvolvimento Imobiliário, empresas investigadas por irregularidades em processo da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Como revelou oEstadão, a CVM identificou indícios de crimes em aportes de R$ 2,1 bilhões do Banco Master em um conjunto de dez empresas cujas notas comerciais foram emitidas pela Laqus Depositária de Valores Mobiliários e tiveram o Master como único investidor. Desses valores, uma fatia de R$ 1,2 bilhão foi aportada em empresas que possuíam vínculos com Natália.
Casada com Fabiano Zettel, é também pastora na igreja Lagoinha.
Henrique Vorcaro (Pai de Daniel Vorcaro)

Fundador do grupo imobiliário Multipar, o pai de Daniel Vorcaro atua no setor imobiliário e de saúde. O empresário participou da venda do Hospital Promed para a Hapvida por R$1,5 bilhão.
Foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero por suspeita de envolvimento em operações financeiras fraudulentas do Master. Sua defesa afirma que o empresário não tem envolvimento em operações ilícitas ou irregulares. “O grupo liderado por Henrique, que mantém negócios sérios e detém boa reputação há mais de 40 anos, tem sido mencionado em reportagens sobre supostos fatos dos quais não tem conhecimento. O empresário e sua defesa tampouco tiveram acesso aos respectivos autos citados nas reportagens. É preciso destacar que o empresário está à disposição para esclarecer o que for necessário às autoridades. No entanto, tem sido sistematicamente perseguido a partir de vazamentos ilegais de documentos cujo teor simplesmente desconhece”, afirmam seus advogados, em nota.
João Carlos Mansur (Fundador da Reag)

Fundador da Reag Investimentos, investigada em outras operações da PF que apuram um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC), João Carlos Mansur foi alvo da segunda fase da Compliance Zero, mas não está no Brasil.
O BC, que decretou a liquidação da gestora na última quinta-feira, 15, alertou o Ministério Público Federal sobre transações relâmpago feitas por vários fundos da Reag a partir de um empréstimo do Master. Em setembro, Mansur renunciou à presidência do conselho de administração da gestora.
Membro efetivo do Conselho de Orientação e Fiscalização (COF) do Palmeiras, foi o mais votado na eleição do grupo em abril passado, com 168 votos, e faz parte do grupo de apoio à presidente Leila Pereira.
A defesa de Mansur afirmou que não teve acesso à investigação, “está à disposição das autoridades competentes para prestar os esclarecimentos devidos”.
Nelson Tanure (Empresário)

Nelson Tanure começou a investir ainda nos anos 1980. É conhecido por adquirir participações em empresas em dificuldade ou envolvidas em disputas societárias. É investidor de empresas como a petroleira Prio, supermercados Dia e a incorporadora Gafisa.
Ele teve o celular apreendido e é investigado por operações financeiras usando fundos e corretoras ligadas ao Banco Master, além de ser suspeito de ser o controlador de fato do banco – o que ele nega. “Mantivemos com o referido banco relações estritamente comerciais. Todas as operações foram realizadas em estrita conformidade com a legislação e a regulamentação vigentes”, diz em nota.
Dias Toffoli (Ministro do STF)

Dias antes de se tornar relator do caso Master no STF, o ministro Dias Toffoli voou para Lima, no Peru, em um jato particular, ao lado de um advogado que representa um diretor do banco.
Toffoli decretou sigilo sobre as investigações e adotou medidas consideradas heterodoxas, como a convocação do diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, para uma acareação com Vorcaro. Depois de forte pressão, o ministro decidiu que caberia à Polícia Federal a acareação, mas determinou o depoimento de Aquino.
O ministro também trava uma queda de braço com a Polícia Federal no caso. Ele autorizou a segunda fase da Operação Compliance Zero, mas barrou o acesso dos policiais ao que fora apreendido e determinou que tudo fosse remetido ao STF. Depois, autorizou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) tivesse acesso a celulares e demais itens da apreensão.
Em seguida, em novo recuo em menos de 24h, o ministro autorizou a Polícia Federal a periciar o material apreendido, mas escolheu nominalmente os quatro peritos – que deverão analisar os documentos na sede da PGR.
Nesta sexta-feira, 16, o ministro determinou que a PF altere o cronograma de colheita de depoimentos dos investigados para concentrar as diligências em apenas dois dias.
José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli (Irmãos de Dias Toffoli)
Irmãos do ministro Toffoli, eram os principais acionistas do resort Tayayá, no interior do Paraná, que recebeu um aporte de R$ 20 milhões por meio de fundos de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, como revelou o Estadão. Em 2021, ele comprou metade da participação dos irmãos no empreendimento, que à época era de R$ 6,6 milhões.
Mario Umberto Degani (Primo de Dias Toffoli)
Controlador da Tayayá Administração e Participações e a DGEP Empreendimentos, donas do resort no Paraná. As duas tinham como sócia a Maridt S.A., empresa dirigida por José Eugênio e José Carlos Dias Toffoli, irmãos do ministro.
Joesley e Wesley Batista (Grupo J&F)

O resort no Paraná que tinha como acionistas os parentes de Dias Toffoli hoje está sob controle de um advogado goiano que atua para a JBS, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, como revelou a Folha de S. Paulo.
Ele também é sócio de uma empresa ao lado do genro de José Batista Júnior, irmão mais velho de Joesley e Wesley, e de um executivo da Friboi. Em dezembro de 2023, o ministro Dias Toffoli suspendeu o pagamento das parcelas da multa de R$ 10,3 bilhões do acordo de leniência da J&F.
Alexandre de Moraes (Ministro do STF)

O ministro Alexandre de Moraes entrou no centro da polêmica do Master após o jornal O Globo revelar que o escritório de sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, assinou um contrato de prestação de serviços para o banco no valor de R$ 129 milhões por um período de três anos – e que ele teria feito pressão a favor da instituição.
Como mostrou o Estadão, Moraes chegou a telefonar seis vezes no mesmo dia para o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para saber sobre o andamento da operação. A série de telefonemas faz parte de uma das, ao menos, cinco conversas que Moraes teria tido com Galípolo sobre o assunto, sendo uma delas presencial.
Nesta quarta-feira, 14, o ministro abriu de ofício um inquérito para investigar se a Receita Federal e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) quebraram de forma irregular o sigilo fiscal de ministros da Corte e familiares.
Jhonatan de Jesus (Ministro do TCU)

Relator do processo do Master no TCU, o ministro Jhonatan de Jesus abriu uma frente de conflito com o BC ao questionar a liquidação do Master. Em dezembro, deu 72 horas para a autarquia justificar a “medida extrema” e apurar se houve “precipitação”. Num despacho sem precedentes, o ministro do TCU determinou uma inspeção in loco no BC e alertou que poderia determinar que a autarquia fosse impedida de vender bens do Master na liquidação do banco.
Depois, o ministro recuou e determinou que a decisão caberia ao plenário da Corte. Após uma reunião entre os presidentes do TCU e do BC, foi firmado um acordo por uma diligência – ou seja, uma inspeção mais rápida – a ser realizada por técnicos do TCU, e não mais pelo gabinete do relator.
Como revelou o Estadão, enquanto era deputado federal, Jhonatan indicou R$ 42 milhões em emendas parlamentares para Roraima que se transformaram em obras inacabadas e asfaltos esburacados. A maior parte “sumiu” sem prestação de contas sobre o que foi feito com o dinheiro.
O ministro nega desvio de finalidade nas indicações e afirma que a execução e a prestação de contas são de responsabilidade dos Estados e municípios que receberam os recursos.
Paulo Henrique Costa (Ex-presidente do BRB)

O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa tomou posse à frente do banco em 2019 e foi afastado em novembro do ano passado, depois de a Operação Compliance Zero revelar que o banco havia comprado R$ 12,2 bilhões em créditos podres do Master. O Ministério Público Federal chegou a pedir sua prisão, mas ela foi negada pela 10ª Vara Federal de Brasília.
Em entrevista ao Estadão logo após o anúncio da oferta de compra de parte do Master – depois negada pelo BC -, Costa afirmou que compraria “um banco diferente” do que o mercado conhecia. O executivo sempre defendeu a compra, alegando que havia selecionado ativos de boa qualidade.
Estadão

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