
Em municípios como Sinop, Lucas do Rio Verde, Nova Mutum e Sorriso, bilhões em recursos federais bancam obras e programas, mas discursos locais omitem o papel da União, criando uma falsa percepção de protagonismo exclusivo de prefeitos e gestores estaduais.
por Daniel Trindade
Em Mato Grosso, tornou-se cada vez mais comum que políticos locais promovam obras públicas sem reconhecer o apoio do governo federal, mesmo quando grande parte dos recursos provém da União. Essa prática é especialmente evidente em municípios do Norte do Estado, como Sinop, Lucas do Rio Verde, Nova Mutum e Sorriso, e além de distorcer a percepção da população, compromete a transparência sobre o financiamento das políticas públicas. É como a mãe que recebe a pensão alimentícia, mas nunca conta ao filho que o sustento vem do pai e prefere assumir sozinha o crédito pelo que está sendo colocado à mesa.
Em Sinop, por exemplo, mais de R$ 619 milhões provenientes da União foram investidos em 2024 em áreas como educação, saúde, programas sociais e infraestrutura. Apesar da relevância da União para viabilizar esses recursos, os comunicados oficiais raramente mencionam esse apoio, criando a impressão de que o município seria o protagonista.
O mesmo padrão se repete em Lucas do Rio Verde, com mais de R$ 275,7 milhões recebidos em 2024 por meio de repasses federais direcionados a serviços básicos e infraestrutura urbana, incluindo R$ 1,3 milhão em emendas parlamentares. Mesmo diante desses números expressivos, é raro que a União apareça nos pronunciamentos públicos.
Na sequência logística da BR-163, Nova Mutum tem sido beneficiada por investimentos estaduais que totalizam R$ 670 milhões para duplicação de 88 quilômetros e implantação de viadutos. Porém, mesmo diante da articulação nacional sobre o planejamento da obra, a narrativa pública enfatiza exclusivamente o protagonismo estadual.
Sorriso, por sua vez, recebeu R$ 104 milhões do governo federal para a modernização do Aeroporto Regional Adolino Bedin, dentro de um investimento superior a R$ 372 milhões em quatro aeroportos do estado. Apesar do impacto direto, o foco da comunicação é quase sempre voltado à gestão municipal ou estadual.
Além das obras, o campo mato-grossense também é amplamente impulsionado por programas federais como o Plano Safra. Para a safra 2025/2026, o governo federal lançou um programa recorde de R$ 516,2 bilhões em crédito rural — incluindo recursos para custeio, comercialização e investimento agrícola. Essas linhas de financiamento são vitais para os pequenos, médios e grandes produtores rurais do estado, e esse apoio muitas vezes passa despercebido na comunicação local.
A explicação para essa omissão é política: destacar apenas a gestão local reforça o protagonismo eleitoral, evita polarizações com a União e cria uma narrativa de autonomia e eficiência própria. No entanto, sem esse crédito, a população deixa de entender corretamente como obras e políticas públicas são financiadas, comprometendo a transparência democrática.
O debate sobre a invisibilidade da União nas narrativas locais contrasta com a fala recente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que ao lançar o Plano Safra 2025/2026, destacou que “o Brasil só cresce quando há parceria entre estados, municípios e governo federal”. A lembrança de que obras e programas, como a duplicação da BR-163 e o fortalecimento do crédito rural, dependem diretamente da coordenação federal reforça a necessidade de transparência. Reconhecer esse papel não diminui a relevância dos gestores locais, mas garante que a população compreenda a verdadeira origem dos recursos que transformam a vida das cidades do Norte de Mato Grosso e de todo o país.

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Daniel Trindade
Editor-Chefe do Portal de Notícias
Ativista Social|Jornalista MTB 3354 -MT
Consultor Político
Estudante Bacharelado em Sociologia
Defensor da Causa Animal em Sinop -MT
Tutor do Stopa "O Cão Mascote"



