Totem criado com inteligência artificial pela ABL traz de volta um dos maiores escritores brasileiros, mas a pele clara gerou polêmica nas redes sociais; entenda o caso
A Academia Brasileira de Letras (ABL) lançou um avatar do autor Machado de Assis por meio da inteligência artificial (IA). A tecnologia permite que o escritor, que morreu no início do século XX, converse de forma natural com os visitantes, respondendo perguntas com clareza e desenvoltura. Apesar da inovação, o totem recebeu diversas críticas nas redes sociais devido ao tom claro da pele do avatar. A seguir, descubra como foi possível recriar a imagem do autor e entenda a polêmica em torno do seu embranquecimento.
Como a IA recriou Machado de Assis?
O avatar de Machado de Assis foi desenvolvido pela empresa Euvatar Storyliving, com uma tecnologia inovadora chamada Euvatar.ai. Equipado com inteligência artificial de última geração, o software conta com reconhecimento de voz e uma ampla base de dados, permitindo que o autor mantenha uma conversa em tempo real e consiga dar respostas naturais. Já as feições de Machado de Assis foram recriadas a partir das poucas fotos disponíveis do escritor.
A curadoria intelectual da IA foi feita por pesquisadores da Academia Brasileira de Letras, baseada em estudos sobre o autor e sua obra, dando maior autenticidade ao projeto. Por isso, o software chegou a ser alimentado com mais de um milhão de palavras. O totem foi lançado na última terça-feira (5) e está disponível para os visitantes que fizerem o tour guiado pela ABL. O passeio acontece gratuitamente todas as quartas-feiras e os interessados precisam fazer uma reserva no site da instituição (https://www.academia.org.br).

Polêmicas sobre a IA de Machado de Assis
O avatar de Machado de Assis reacendeu o debate sobre o embranquecimento do autor. Nas redes sociais, choveram críticas à Academia Brasileira de Letras por conta do tom de pele mais claro. “O branqueamento racial ainda não acabou no Brasil. Basta comparecer na Academia Brasileira de Letras para testemunhar o Machado de Assis branco que eles criaram com uso da IA”, disse um usuário do X (antigo Twitter). Em seguida, ele apontou que apenas três homens negros e nenhuma mulher negra foram eleitos para uma cadeira na ABL.
Essa não foi a única crítica ao avatar de Machado de Assis. Muitos internautas apontaram que a representação foi “um desrespeito” e que deveria ser “criminosa”, reabrindo uma discussão sobre o apagamento da negritude do autor.
Machado de Assis é filho de escravo alforriado com uma portuguesa natural dos Açores. O imortal da ABL foi fotografado poucas vezes em vida, mas todas as imagens são em preto e branco e de baixa qualidade. Sendo assim, por séculos, um dos maiores autores brasileiros foi representado como um homem branco.

Nos últimos anos, surgiu um movimento para resgatar a negritude de Machado de Assis. Em 2019, uma campanha da Faculdade Zumbi dos Palmares restaurou e coloriu digitalmente uma fotografia clássica do autor para ser usada no lugar da antiga. O intuito da ação era mostrar o verdadeiro Machado de Assis, já que a foto oficial “muda a cor de sua pele, distorce seus traços e rejeita sua origem”, afirma o comunicado oficial.
Com informações de O Globo, Euvatar e Machado de Assis Real
Fonte : TechTudo
Daniel Trindade
Editor-Chefe do Portal de Notícias
Ativista Social|Jornalista MTB 3354 -MT
Consultor Político
Estudante Bacharelado em Sociologia
Defensor da Causa Animal em Sinop -MT
Tutor do Stopa "O Cão Mascote"





