
Entre disputas silenciosas, versões plantadas e um partido em estado de caos, lideranças do PL aguardam o enfraquecimento do seu principal nome para tentar assumir o comando em Mato Grosso.
por Daniel Trindade
O feriado de 20 de novembro foi marcado por vários portais de Mato Grosso replicando a matéria da Folha de S. Paulo que anunciava um suposto apoio do PL nacional à candidatura de Otaviano Pivetta ao Governo do Estado. Segundo a coluna, Valdemar Costa Neto e Jair Bolsonaro teriam avalizado a escolha como se o cenário estivesse definido. Mas, ao observar o ambiente interno do PL em Mato Grosso, fica claro que essa narrativa não encontra base na realidade partidária. Se algum aceno a Pivetta já existiu, não criou raízes e não representa a posição atual das lideranças locais.
A entrevista do prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini, escancarou essa contradição. Abílio classificou como “erro estratégico” a tentativa de aproximação entre Mauro Mendes e o bolsonarismo, afirmou que o movimento fracassou e disse que o desgaste respingou diretamente no projeto de Pivetta. Além disso, declarou que o PL deve ter candidatura própria em 2026 algo totalmente incompatível com a suposta adesão automática ao Republicanos. Essa fala, vinda de dentro do partido, desmonta a versão propagada pela Folha.
Somado a isso, o desgaste público entre Eduardo Bolsonaro e Mauro Mendes deixa evidente o distanciamento político. Se o governador tem dificuldade de dialogar com figuras centrais do bolsonarismo, é improvável que um candidato apoiado por ele tenha aceitação plena dentro do PL. Há ruído, há tensão e há desconfiança tudo o que um cenário de unidade total não comportaria.
Enquanto isso, Wellington Fagundes mantém sua pré-candidatura, destaca seu bom desempenho nas pesquisas e lembra que tem mandato até 2030. Ele não recuou, não demonstrou qualquer sinal de desistência e continua atuando como pré-candidato efetivo. Isso, por si só, já derruba a tese de que a sucessão estaria encaminhada em favor de Pivetta.
E é nesse contexto que surge a percepção mais contundente e compreendida por qualquer observador atento da política mato-grossense: o PL em Mato Grosso parece uma família com muitos filhos, cada um esperando o “pai” morrer para assumir o comando.
No caso do PL, a percepção dominante nos bastidores é ainda mais direta: muitos atuam como se estivessem esperando Bolsonaro ser preso para só então disputar espaço interno e tentar ocupar áreas de poder. Não é uma previsão jurídica, mas a leitura política do comportamento das lideranças: um silêncio calculado, movimentos contidos e uma espera estratégica pelo enfraquecimento da principal figura do partido.
Esse cálculo silencioso é o que dita o ritmo. Ninguém assume nada agora, ninguém se posiciona com firmeza, e todos aguardam o desfecho das crises que cercam Bolsonaro para, enfim, avançar. É a lógica dos herdeiros: observar o patriarca, medir a força e decidir a hora de avançar sobre a herança.
E para justificar tanta bagunça, daqui a pouco vão dizer que tudo não passou de um erro operacional, porque o sistema do PL parece realmente bugado. São decisões que se contradizem, discursos que se anulam, informações desencontradas e uma engrenagem partidária que trava, volta, reinicia e nunca funciona de forma coerente. As idas e vindas de “apoia e não apoia” não se parecem com estratégia se parecem com desordem.
Nesse cenário, cresce a impressão de desespero no entorno de Otaviano Pivetta, especialmente quando, em pleno feriado, surgem matérias replicadas em portais alinhados ao governo, tentando fabricar artificialmente um clima de apoio político inexistente nos bastidores. O movimento é estranho, forçado e transparente para quem acompanha minimamente a política estadual.
No Dia da Consciência Negra um feriado que fala sobre coragem, lucidez e enfrentamento o que menos se viu na política local foi coragem. O que dominou foram ruídos, hesitação, medo de conflito e uma disputa interna silenciosa que ninguém assume publicamente. Enquanto alguns tentam empurrar versões convenientes, outros fingem não enxergar as rachaduras internas que aumentam a cada dia.
O fato é simples e direto: o PL em Mato Grosso não tem comando claro, não tem consenso interno e não tem estratégia política consolidada. O partido virou um conjunto de lideranças agindo como herdeiros à espera do momento ideal para assumir algum espaço e, enquanto essa espera dita o ritmo, a crise apenas se aprofunda.

Não perca nenhum detalhe desta e de outras notícias importantes. Siga nosso canal no WhatsApp e acompanhe nosso perfil no Instagram para atualizações em tempo real.
Tem uma denúncia, sugestão de pauta ou informação relevante? Fale com a nossa equipe pelo WhatsApp ou pelo telefone (66) 99237-4496. A sua participação fortalece um jornalismo comprometido com a comunidade.
Daniel Trindade
Editor-Chefe do Portal de Notícias
Ativista Social|Jornalista MTB 3354 -MT
Consultor Político
Estudante Bacharelado em Sociologia
Defensor da Causa Animal em Sinop -MT
Tutor do Stopa "O Cão Mascote"






