
Vice-governador de Mato Grosso evita defender o deputado, reacende críticas antigas a Jair Bolsonaro incluindo a frase “nunca plantou um pé de soja” e agrava o racha com a direita de olho em 2026.
por Daniel Trindade
O silêncio do vice-governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos), diante das declarações do governador Mauro Mendes (União Brasil) contra o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), reacendeu velhas feridas e escancarou o distanciamento entre Pivetta e a família Bolsonaro. Durante entrevista recente, Mendes chamou o parlamentar de “louco” e disse que ele “fala merda”. Mesmo após a repercussão nacional, Pivetta optou por não defender Eduardo nem o ex-presidente Jair Bolsonaro, o que gerou críticas dentro da base conservadora.
Nos bastidores, o gesto foi interpretado como mais um capítulo da relação conturbada entre Pivetta e o grupo bolsonarista, que há anos o vê com desconfiança. O vice-governador tenta se aproximar da direita de olho nas eleições de 2026, mas o silêncio em meio ao embate público reforça a percepção de rejeição dentro do núcleo bolsonarista, um dos mais influentes em Mato Grosso.
Essa resistência não é nova. Em 2018, Pivetta fez duras críticas a Jair Bolsonaro, então candidato à Presidência. Em declarações registradas pelo portal PNB Online, o vice-governador afirmou que o ex-presidente era “um carioca que há trinta anos é deputado, que nunca criou uma galinha e vive fazendo poesia e bravata”. Na mesma fala, ele ironizou a relação de Bolsonaro com o agronegócio, dizendo que o ex-presidente “nunca plantou um pé de soja, nunca produziu nada”.
As críticas não pararam por aí. Em 2022, Pivetta voltou a provocar o bolsonarismo ao dizer que “Bolsonaro nada fez por Mato Grosso”, embora tenha relativizado a crítica com a frase: “Mas qual governo fez?”. As falas, amplamente repercutidas na imprensa regional, marcaram o início de um distanciamento político que ainda não foi superado .
Agora, ao manter-se em silêncio enquanto Mauro Mendes ataca Eduardo Bolsonaro, Pivetta reforça a imagem de que mantém restrições ao clã e sinaliza dificuldade em se aproximar da direita mais radical. Políticos próximos avaliam que o episódio fragiliza sua tentativa de conquistar apoio entre os bolsonaristas, base eleitoral decisiva para qualquer candidatura competitiva em Mato Grosso.
Lideranças politicas também veem o episódio como um erro estratégico. Ao tentar equilibrar-se entre o pragmatismo de Mendes e a força eleitoral do bolsonarismo, Pivetta pode acabar isolado politicamente, sem o respaldo da direita nem o apoio integral do grupo governista.
Em um estado onde Jair Bolsonaro ainda mantém forte influência eleitoral, o silêncio de Pivetta fala mais alto que qualquer declaração. O episódio reacende o histórico de rusgas e coloca em xeque sua tentativa de construir uma imagem conciliadora.
Se o objetivo era se aproximar do eleitorado conservador, o vice-governador parece ter escolhido o pior momento para se calar e o gesto pode custar caro em 2026.

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Daniel Trindade
Editor-Chefe do Portal de Notícias
Ativista Social|Jornalista MTB 3354 -MT
Consultor Político
Estudante Bacharelado em Sociologia
Defensor da Causa Animal em Sinop -MT
Tutor do Stopa "O Cão Mascote"




