O senador Flávio Bolsonaro cancelou compromissos previstos em Cuiabá e deve cumprir agenda em Mato Grosso apenas no município de Sinop, onde participará de compromissos ligados ao agronegócio e deve se reunir com lideranças políticas. A mudança ocorre em meio ao avanço das articulações para a eleição de 2026 e à disputa direta pelo apoio da família Bolsonaro no estado.
Nos bastidores, a retirada da agenda na capital é atribuída ao ambiente político local, marcado pela insistência do governador Otaviano Pivetta (Republicanos) em buscar aproximação com o núcleo bolsonarista para fortalecer sua pré-candidatura à reeleição. Mesmo com a alteração na programação, Pivetta já declarou que estará em Sinop durante a passagem do senador, com o objetivo de tentar um encontro direto.
A movimentação ocorre apesar de um cenário já definido dentro do Partido Liberal. Até o momento, tanto Flávio Bolsonaro quanto a direção nacional do partido mantêm apoio declarado ao senador Wellington Fagundes (PL) como pré-candidato ao governo do estado. Fagundes, além de ser o nome oficial da sigla, é considerado aliado próximo da família Bolsonaro.
Ainda assim, Pivetta sustenta publicamente que existe a possibilidade de apoio simultâneo a mais de um nome na disputa estadual. Nos bastidores, porém, interlocutores ligados ao PL tratam essa hipótese como improvável e reforçam que não há qualquer sinalização de mudança na posição já consolidada. Essas mesmas fontes avaliam que a presença de Flávio Bolsonaro em Sinop estaria mais relacionada à articulação e captação de apoio político e financeiro para projetos eleitorais do próprio grupo, uma vez que o apoio ao governo de Mato Grosso já estaria definido em favor de Wellington Fagundes.
O cenário atual contrasta com o discurso adotado meses atrás. Após declarações do Partido Liberal em defesa de Wellington Fagundes, o próprio Pivetta e aliados passaram a minimizar a importância do apoio da família Bolsonaro, afirmando que o eleitor mato-grossense não estaria condicionado a esse fator. Com o avanço da corrida eleitoral, no entanto, a estratégia parece ter sido revista.
A nova tentativa de aproximação também reacende episódios registrados em outubro de 2025, quando informações de bastidores e reportagens que circularam em Mato Grosso indicavam que o ex-presidente Jair Bolsonaro poderia apoiar a candidatura de Pivetta. À época, aliados trataram o cenário como encaminhado e chegaram a comemorar publicamente a possibilidade de alinhamento.
Parte dessas informações mencionava, sem confirmação por parte dos envolvidos, a existência de negociações políticas associadas ao apoio. Relatos que circularam no meio político chegaram a apontar a discussão de valores elevados no contexto dessas articulações, hipótese que nunca foi confirmada oficialmente.
A repercussão levou a uma reação imediata do Partido Liberal. O presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto, e o dirigente estadual Ananias Filho reforçaram publicamente que o partido já possui pré-candidato definido ao governo, consolidando o nome de Wellington Fagundes.
Naquele momento, o então governador Mauro Mendes (União Brasil), hoje pré-candidato ao Senado, e o próprio Pivetta recuaram no discurso e passaram a tratar o apoio da família Bolsonaro como secundário no processo eleitoral.
Com o afunilamento da disputa e a consolidação dos nomes ao governo, o tema volta ao centro das articulações políticas. A insistência de Pivetta em buscar diálogo direto com Flávio Bolsonaro, mesmo diante de um apoio já declarado a outro pré-candidato, evidencia o peso do eleitorado bolsonarista no estado e o esforço do grupo governista em disputar esse espaço.
Sem confirmação oficial de qualquer mudança de posicionamento por parte da família Bolsonaro ou da direção nacional do PL, a agenda em Sinop passa a ser vista como um novo ponto de pressão política. Nos bastidores, interlocutores avaliam que o encontro pode indicar uma tentativa de reabertura de negociações, ajuste de estratégia eleitoral ou intensificação da disputa por alinhamento no campo da direita.
Até o momento, o apoio do Partido Liberal e da família Bolsonaro segue formalmente direcionado ao nome de Wellington Fagundes, sem indicativos públicos de alteração.