
Movimento iniciado por Rosana Martinelli impulsiona anistia aos réus de 8 de Janeiro e põe impeachment do ministro do STF no centro dos debates legislativos
por Daniel Trindade
Quando assumiu a cadeira de Wellington Fagundes em 12 de junho de 2024, a suplente Rosana Martinelli (PL‑MT) prometeu usar o mandato para “defender a família, o agronegócio e a liberdade”. Em menos de quatro meses, ela converteu a tribuna em espaço de enfrentamento ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e se tornou a primeira senadora a pedir anistia para os investigados e condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.
No discurso de posse, Martinelli qualificou as decisões de Moraes como “excessos” e anunciou que apresentaria projeto para reverter condenações “sem individualização de condutas”. Três semanas depois, protocolou o PL 2.706/2024, prevendo anistia a quem não tivesse praticado vandalismo grave ou associação criminosa. A proposta colocou a parlamentar no centro do debate jurídico e político sobre o 8/1.
O tom de confronto cresceu quando Rosana subscreveu um requerimento de impeachment contra Moraes sob acusação de abuso de autoridade. Mesmo arquivado pela Presidência do Senado, o gesto carimbou a imagem da suplente como anfitriã e, para aliados, até “madrinha” do movimento para limitar o alcance das decisões do ministro.
A senadora manteve a agenda conservadora em outras frentes: apresentou projeto que autoriza porte de arma para mulheres sob medida protetiva, defendeu a duplicação da BR‑163, celebrou a liberação de US$ 80 milhões em crédito para pequenos produtores de Mato Grosso e pediu audiência sobre transporte ferroviário para escoamento de grãos.
Embora não figure entre os denunciados pelos ataques às sedes dos Três Poderes, Rosana sofreu bloqueio de contas bancárias e retenção de passaporte no Inquérito das Fake News e em investigações sobre bloqueios de rodovias em 2022 medidas assinadas justamente por Moraes. Ela passou a citar os processos como prova de “perseguição política” e combustível para sua cruzada legislativa.
A expectativa de que o retorno de Wellington Fagundes esfriaria a pauta logo se frustrou. Em fevereiro de 2025, o titular manteve o PL da anistia em tramitação e, nesta quarta‑feira (6), tornou‑se o primeiro senador de Mato Grosso a assinar novo pedido de impeachment de Moraes, incorporando publicamente a bandeira levantada por Rosana. O respaldo deu peso político à mobilização e selou a união da bancada mato‑grossense em torno da causa.
A oposição governista acusa o grupo de “atacar as instituições”, enquanto aliados veem “defesa da liberdade de expressão”. Para que o impeachment avance, ainda são necessárias 27 assinaturas para admissibilidade e 41 votos em plenário, além da concordância do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, que resiste a pautas que tensionem o Poder Judiciário.
No balanço de 120 dias de suplência, Rosana Martinelli apresentou três projetos de lei, fez mais de vinte discursos em plenário e comissões, articulou audiências públicas sobre feminicídio e logística do agronegócio e se consolidou como vitrine do PL em Mato Grosso. Mesmo fora do cargo, a ex‑prefeita mantém influência e agora vê suas bandeiras sustentadas pelo titular, confirmando que, na política, um mandato curto pode render efeitos duradouros.
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Daniel Trindade
Editor-Chefe do Portal de Notícias
Ativista Social|Jornalista MTB 3354 -MT
Consultor Político
Estudante Bacharelado em Sociologia
Defensor da Causa Animal em Sinop -MT
Tutor do Stopa "O Cão Mascote"



