Investigações detalham esquema de espionagem e desinformação com foco em proteger filhos do ex-presidente.
Por Daniel Trindade, Portal de Notícias Deixa Que Eu te Conto
A quarta fase da Operação Última Milha, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (11), trouxe à tona a existência de uma “Abin paralela”. Segundo as investigações, essa estrutura clandestina foi montada com o objetivo de proteger os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), recorrendo a táticas de espionagem e desinformação contra uma série de autoridades públicas e outras figuras consideradas ameaças aos interesses dos Bolsonaro.
Alexandre Ramagem, ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e atual deputado federal pelo PL-RJ, é apontado como um dos principais responsáveis por direcionar servidores da agência para operações de contrainteligência e desinformação. Essas operações visavam especialmente a proteção de Jair Renan, Flávio e Carlos Bolsonaro frente a potenciais investigações e escândalos.
A operação revelou que a Abin paralela atuou para interferir em investigações da própria PF, incluindo um caso de suposto tráfico de influência protagonizado por Jair Renan Bolsonaro, o filho “04”. Sob a direção de Ramagem, a agência teria utilizado suas ferramentas para beneficiar Renan Bolsonaro em investigações sobre o recebimento de um veículo elétrico como parte de um suposto esquema de favorecimento a empresários do setor de mineração.
Além disso, a operação trouxe à luz esforços para descredibilizar auditores da Receita Federal envolvidos na investigação do caso da “rachadinha”, relacionado ao senador Flávio Bolsonaro. A estratégia incluiu a busca por informações comprometedoras sobre os auditores, visando minar a investigação.
Carlos Bolsonaro, vereador pelo PL-RJ, também foi identificado como um dos beneficiários do esquema. Diante das quebras de sigilo e convocações para depor na CPI da Covid-19, a Abin paralela teria organizado um esquema de desinformação contra o senador Alessandro Vieira (MDB-RS), responsável pelos requerimentos. Interceptações telefônicas indicam uma coordenação para disseminar ataques e notícias falsas, com envolvimento direto de Carlos Bolsonaro.
A investigação da PF detalhou o monitoramento de diversas autoridades dos Três Poderes, incluindo:
-Poder Judiciário: Ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Luís Roberto Barroso e Luiz Fux, todos do Supremo Tribunal Federal (STF).
– Poder Legislativo: Deputados Arthur Lira (atual presidente da Câmara), Rodrigo Maia (ex-presidente da Câmara), Kim Kataguiri e Joice Hasselmann; senadores Alessandro Vieira, Omar Aziz, Renan Calheiros e Randolfe Rodrigues.
– Poder Executivo: Ex-governador de São Paulo, João Dória; servidores do Ibama Hugo Ferreira Netto Loss e Roberto Cabral Borges; auditores da Receita Federal Christiano José Paes Leme Botelho, Cleber Homen da Silva e José Pereira de Barros Neto.
– Jornalistas : Mônica Bergamo, Vera Magalhães, Luiza Alves Bandeira e Pedro Cesar Batista.
Com informações do Estadão e Gazeta do Povo.
Daniel Trindade
Editor-Chefe do Portal de Notícias
Ativista Social|Jornalista MTB 3354 -MT
Consultor Político
Estudante Bacharelado em Sociologia
Defensor da Causa Animal em Sinop -MT
Tutor do Stopa "O Cão Mascote"






