
Série especial : “Eu sei o que vocês fizeram no verão passado”
por Daniel Trindade
Mauro Mendes e a arte de desdizer: quando a fala tem prazo de validade
Em Mato Grosso, a política às vezes parece uma gincana : quem disser algo hoje, amanhã corre para negar. E quem melhor para protagonizar essa prova do que Mauro Mendes? O governador que dizia “provavelmente serei senador” agora responde “nunca falei isso”. O mesmo que criticava fulano e sicrano, de repente sorria junto. O equilibrista virou malabarista mas nem sempre acerta o truque.
A saga começou quando Mendes declarou, em entrevista, que estava “analisando deixar o governo” para concorrer ao Senado em 2026 podia “aspirar algum cargo disponível”, “provavelmente senador”. A fala soou como clarim de largada para campanha. Porém, tempos depois, a marcha-ré veio: “Nunca falei que sou candidato… Como vou seguir em algo que eu nunca anunciei que sou?” A contradição ficou armada como espelho estilhaçado: reflete tudo, confunde quem mira.
E se isso não bastasse, o manual de recuos também inclui outras páginas. Há o episódio em que ao se referir às eleições de 2026 disse: “Não apoio nome, apoio projeto”. Palavras bonitas, mas vazias para quem esperava clareza de quem é “o nome”. Ou então quando, em vídeo de 2024, afirmou que o governo do Jair Bolsonaro foi “pouco eficiente”, “grande oportunidade perdida” e agora busca carona no bolsonarismo para 2026.
Não é só o eleitor mais ideológico que percebe o tom oscilante. No plenário da Câmara de Cuiabá, o vereador Wilson Kero Kero (PL) provocou que Mauro “tentou surfar no bolsonarismo e caiu”, que a “prancha quebrou” porque o apoio não veio como esperado. A crítica resume o desconforto entre base eleitoral e discurso: quando se distribui elogios a todos os lados, a quem realmente se dedica o olhar?
Tudo isso vai fotografando uma percepção crescente de fraqueza política. O eleitorado de direita, tão valioso em Mato Grosso, não costuma se animar com oscilação de discurso. Quer firmeza ou ao menos a sensação dela. E quando o governante muda de canal de estação tão rápido quanto troca de gravata, a dúvida vira firmeza: qual gravata ele vai usar amanhã?
Enquanto isso, Mauro segue acionando ambos os botões: abraço com o Luiz Inácio Lula da Silva numa entrega de obras, piscadela para o bolsonarismo numa articulação regional, e o clássico “estou aberto ao diálogo com todos” fórmula infalível para parecer centrado, mas também para não chatear ninguém. E se chatear, ele só nega que “jamais disse”.
Restará saber se ainda há tempo para recompor credibilidade antes que a eleição de 2026 chegue ao primeiro ato. Porque, no fim das contas, em política quem tem expectativa de senador precisa mais de apoio que de negações. Mauro Mendes está no carrossel e agora cabe a ele decidir se desce segurando firme ou se sai tonto pelo giro.
Daniel Trindade é jornalista e autor da coluna “Não estava lá, mas me contaram”, onde revela com humor, ironia e memória boa o que os bastidores da política mato-grossense preferiam manter em silêncio.

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Daniel Trindade
Editor-Chefe do Portal de Notícias
Ativista Social|Jornalista MTB 3354 -MT
Consultor Político
Estudante Bacharelado em Sociologia
Defensor da Causa Animal em Sinop -MT
Tutor do Stopa "O Cão Mascote"






