Movimento pressiona governo federal por desapropriações, pagamento de área em Nova Olímpia e liberação de recursos
Da Redação
Cerca de 200 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocuparam nesta terça-feira (13) a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Cuiabá, para cobrar avanço em processos de reforma agrária em Mato Grosso.
A mobilização reúne famílias de cinco acampamentos do estado. Segundo o MST, mais de 500 famílias aguardam definição sobre assentamentos, algumas há mais de 15 anos.
A principal cobrança envolve a Fazenda Santa Cecília I e II, em Nova Olímpia. A área foi declarada de interesse social para fins de reforma agrária por decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em janeiro deste ano, mas o movimento afirma que o pagamento da indenização ao proprietário ainda não foi concluído.
Sem essa etapa, segundo o MST, o assentamento das famílias não pode avançar. A área tem cerca de 2,3 mil hectares e valor estimado em aproximadamente R$ 25 milhões.
“O principal ponto é o pagamento da área Santa Cecília, que já foi decretada para desapropriação pelo presidente Lula no início do ano, mas até agora não houve pagamento e nem previsão”, afirmou o coordenador do MST em Mato Grosso, Valdeir Souza.
O movimento afirma que permanecerá no prédio até receber retorno sobre a pauta apresentada ao Incra e ao Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).
Além da Fazenda Santa Cecília, o MST cobra prioridade em negociações envolvendo áreas em Juscimeira, Guiratinga e Nortelândia. O grupo também pede liberação de recursos para o curso de Psicologia do Pronera em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), além de discutir crédito rural para assentamentos.
Entre os pedidos está a realização de uma audiência na primeira quinzena de junho com representantes do governo federal e lideranças políticas de Mato Grosso. O movimento cita a ministra do Desenvolvimento Agrário, Fernanda Machiaveli, o presidente nacional do Incra, César Aldrighi, o senador Carlos Fávaro (PSD), os deputados estaduais Valdir Barranco e Lúdio Cabral, além da presidente do PT em Mato Grosso, Rosa Neide.
O MST afirma que nenhum novo assentamento foi criado em Mato Grosso durante a atual gestão federal, apesar de negociações iniciadas desde 2023 e de processos considerados avançados pelo movimento.
Em nota, o Incra informou que as demandas apresentadas já vêm sendo discutidas com as lideranças do MST e que a maioria dos processos mencionados foi encaminhada pela superintendência regional à sede nacional do órgão, em Brasília.
A autarquia afirmou que os encaminhamentos técnicos e administrativos já foram realizados e lamentou a ocupação da sede em Cuiabá sem aviso prévio.
“O Incra reforça seu compromisso com o diálogo e a transparência, permanecendo à disposição para esclarecimentos adicionais”, informou o órgão.
A ocupação ocorre no ano em que o MST relembra os 30 anos do Massacre de Eldorado do Carajás, episódio ocorrido no Pará em 1996 e considerado um marco histórico da luta pela reforma agrária no país.
Redação
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