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O autor e dramaturgo que marcou a teledramaturgia brasileira com novelas como “Laços de Família” e “Mulheres Apaixonadas” estava internado. Familiares confirmaram o falecimento neste sábado (10).
da Redação
Manoel Carlos Gonçalves de Almeida, conhecido como Maneco, faleceu neste sábado (10 de janeiro) no Rio de Janeiro, aos 92 anos. O autor, diretor, produtor e escritor, um dos nomes proeminentes da história da televisão brasileira, estava internado. A confirmação de seu falecimento foi divulgada por meio do perfil Boa Palavra, que solicitou privacidade à família neste momento.
Em nota, a família declarou: “É com profundo pesar que comunicamos o falecimento de Manoel Carlos Gonçalves de Almeida, carinhosamente conhecido como Maneco, ocorrido hoje, aos 92 anos. O velório será fechado e restrito à família e amigos íntimos. A família agradece as manifestações de carinho e solicita respeito e privacidade neste momento delicado”. Ele tratava a doença de Parkinson, que causou o agravamento de seu quadro motor e cognitivo no último ano. A causa específica da morte não foi informada.
Manoel Carlos deixa um legado reconhecido pela capacidade de explorar a alma feminina e as relações familiares, com destaque para a criação das personagens “Helenas”. Essas protagonistas estiveram presentes em várias de suas obras, interpretadas por atrizes como Lílian Lemmertz (“Baila Comigo”, 1981), Maitê Proença (“Felicidade”, 1991), Vera Fischer (“Laços de Família”, 2000) e Cristiane Torloni (“Mulheres Apaixonadas”, 2003). Regina Duarte viveu a Helena em “História de Amor” (1995), “Por Amor” (1997) e “Páginas da Vida” (2006).
O autor também popularizou o bairro do Leblon, no Rio de Janeiro, como cenário de suas narrativas, inserindo personagens com sentimentos humanos. Ele expressou sobre sua escolha: “Situo as minhas novelas no Rio de Janeiro. Faço coisas muito fortes, sob um céu muito azul. As tragédias e os dramas acontecem, mas o dia está lindo. A praia e o espírito carioca dão uma coloração rosa ao contexto cinzento, mas o público acaba absorvendo as tramas de maneira mais leve”, disse ao Memória Globo.
Sua carreira, que abrangeu 60 anos, incluiu não apenas novelas, mas também minisséries notáveis como “Malu Mulher” (1980), “Presença de Anita” (2001) e “Maysa – Quando Fala o Coração” (2009). Nascido em São Paulo em 14 de março de 1933, Manoel Carlos se declarava um apaixonado pelo Rio de Janeiro.
Sua trajetória começou aos 14 anos como auxiliar de escritório, mas ele já integrava grupos de jovens dedicados à literatura e ao teatro, ao lado de nomes como Fernanda Montenegro e Fernando Torres. Aos 17 anos, em 1951, atuou e dirigiu na TV Tupi paulista. Ao longo da década de 1950 e 1960, passou por diversas emissoras, como TV Record, TV Itacolomi, TV Rio e TV Excelsior, atuando, adaptando teleteatros e participando da criação de programas de humor e variedades. Em 1964, foi um dos criadores da “Equipe A” na Record.
Manoel Carlos chegou à TV Globo em 1972, como diretor-geral do “Fantástico”. Sua primeira telenovela na emissora foi “Maria, Maria”, em 1978.
Ele foi casado três vezes e deixa cinco filhos, entre eles a atriz Júlia Almeida e a roteirista Maria Carolina. Seus outros três filhos, Ricardo de Almeida, Manoel Carlos Júnior e Pedro Almeida, faleceram anteriormente.
O falecimento de Manoel Carlos ocorre em meio a um processo judicial envolvendo sua família e a TV Globo. Em setembro de 2025, a produtora Boa Palavra, criada por sua filha Júlia Almeida, entrou com uma ação na Justiça do Rio de Janeiro contra a emissora. O processo questiona a transparência nos pagamentos referentes aos direitos autorais das obras do novelista. A família alegou a falta de clareza sobre os valores repassados pela Globo, especialmente considerando as reprises de novelas como “Laços de Família” e “Por Amor”.
Herdeiros do autor também manifestaram insatisfação com o tratamento que a emissora teria dispensado a Manoel Carlos após o desempenho da novela “Em Família”, em 2014, sugerindo um afastamento progressivo. Um dos pontos de discordância foi a produção, pela Globo em 2022, do documentário “Tributo” para celebrar sua carreira, sem a participação do autor ou de suas filhas. A família afirmou que só tomou conhecimento do projeto por terceiros. Em resposta, a Boa Palavra lançou seu próprio documentário, “O Leblon de Manoel Carlos”, disponível no YouTube, com depoimentos de artistas.

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