Cíntia Mariano Dias Cabral foi condenada pelo homicídio qualificado de Fernanda Cabral (à direita) e por tentativa de homicídio de Bruno Cabral / Reprodução
Sessão do Júri durou 16 horas; filhos da ré testemunharam que ela confessou o crime motivado por ciúmes.
Por Redação
Após quase 16 horas de julgamento, o 3º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro condenou Cíntia Mariano Dias Cabral a 49 anos e seis meses de prisão. A sentença foi lida na manhã desta quinta-feira (5) pela juíza Tula Mello, que destacou a gravidade das consequências do crime. A defesa já anunciou que vai recorrer.
A acusada está presa desde maio de 2022, quando foi detida durante depoimento na 33ª Delegacia de Polícia, em Realengo. O caso envolve o envenenamento de seus dois enteados em episódios separados. Fernanda Cabral, de 22 anos, morreu após 13 dias de internação. O irmão, Bruno Carvalho Cabral, então com 16 anos, sobreviveu.
O julgamento, iniciado na tarde de quarta-feira (4), atravessou a madrugada. Os jurados precisaram de menos de 30 minutos para definir o veredito. O processo já havia sido iniciado em outubro de 2025, mas foi interrompido após a defesa abandonar o plenário alegando falta de acesso a dados de um telefone.
A investigação aponta que Cíntia usou carbamato, substância presente no produto conhecido como chumbinho, para contaminar a comida dos enteados. O veneno foi colocado em refeições servidas em momentos diferentes. O primeiro episódio ocorreu em 15 de março de 2022, quando Fernanda passou mal após comer na casa da madrasta. Em maio do mesmo ano, Bruno foi vítima do mesmo método.
Bruno foi o primeiro a depor. Ele contou que percebeu algo estranho no feijão, que tinha gosto diferente e pequenos pontos azulados. A madrasta teria servido o prato diretamente para ele, sem que ele pudesse se servir. Após a refeição, foi para a casa da mãe e começou a apresentar dificuldade para falar, suor intenso e problemas de visão. Ele associou o mal-estar à morte da irmã, semanas antes.
O pai das vítimas, Adeílson Cabral, relatou conflitos constantes entre Cíntia e os filhos, especialmente com Fernanda. Ele admitia que costumava apoiar a filha nas discussões, o que gerava ciúmes na companheira. A mãe dos jovens, Jane Cabral, disse que passou a desconfiar da madrasta após a morte da filha. Contou que Cíntia insistia em levar comida para Fernanda no hospital e, depois da morte, enviou um bolo para a família, que foi descartado.
O depoimento mais contundente veio dos filhos biológicos de Cíntia. Lucas Mariano Rodrigues afirmou que a mãe confessou ter colocado veneno na comida dos enteados após ele questioná-la diretamente. A filha, Carla Mariano Rodrigues, disse que pediu confirmação e ouviu da mãe: Eu fiz.
Laudos periciais confirmaram intoxicação por carbamato nas vítimas. O corpo de Fernanda foi exumado para novos exames, que validaram a hipótese de envenenamento. O Ministério Público sustentou que o crime foi motivado por ciúmes da relação dos enteados com o pai.
Não perca nenhum detalhe desta e de outras notícias importantes. Siga nosso canal no WhatsApp e acompanhe nosso perfil no Instagram para atualizações em tempo real.
Tem uma denúncia, sugestão de pauta ou informação relevante? Fale com a nossa equipe pelo WhatsApp ou pelo telefone (66) 99237-4496. A sua participação fortalece um jornalismo comprometido com a comunidade.
Redação
Este é o seu portal de notícias da nossa região. No nosso site, você encontra as informações mais relevantes e atualizadas sobre tudo o que acontece por aqui. Nossa missão é manter você informado com conteúdos de qualidade, escritos por colaboradores que conhecem a fundo a realidade local.




