
Juiz mantém autor da chacina de Sinop no isolamento da PCE, alegando falta de fundamentos técnicos e risco à segurança interna da unidade.
por Daniel Trindade
A Justiça de Mato Grosso negou o pedido de transferência de Edgar Ricardo de Oliveira, condenado a 136 anos de prisão por matar sete pessoas em Sinop em 2023. A defesa solicitava que o detento deixasse o isolamento da Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá, e fosse integrado ao convívio com os demais presos. A solicitação foi rejeitada em decisão assinada em 11 de novembro pelo juiz Geraldo Fernandes Fidelis, da 2ª Vara Criminal de Cuiabá, que concluiu não haver justificativa para a mudança.
No documento judicial, o magistrado destacou que o regime de isolamento aplicado ao condenado segue critérios de segurança definidos pela administração penitenciária. Segundo o juiz, relatórios técnicos não apontaram condições favoráveis para que Edgar fosse transferido para uma cela comum, o que inviabilizou o pedido apresentado pela defesa. A decisão reforça que qualquer alteração no local de cumprimento da pena depende de avaliações atualizadas da equipe responsável por monitorar o comportamento dos internos e os riscos dentro da unidade.
Edgar Ricardo está na PCE desde sua prisão, ocorrida dias após o crime que provocou comoção em todo o país. Em fevereiro de 2023, ele e um comparsa que morreu em confronto com a polícia — retornaram armados a um bar em Sinop após perder dinheiro em partidas de sinuca. As câmeras do local registraram o momento em que ambos abriram fogo contra clientes e funcionários. As sete vítimas morreram no local. O episódio, que rapidamente se espalhou pelas redes sociais, desencadeou uma operação policial de grande porte até a captura do suspeito.
Desde então, Edgar permanece em uma área destinada a presos que exigem maior vigilância. A PCE é a maior unidade prisional de Mato Grosso e abriga custodiados considerados de alta periculosidade, além daqueles que, por determinação judicial ou por recomendação da direção, devem ser mantidos separados da população carcerária geral. O juiz argumentou que a manutenção de Edgar no isolamento visa preservar a segurança interna e reduzir riscos de conflitos, levando em conta o perfil criminal do condenado e o impacto social do caso.
A defesa alegou que o réu já apresentaria condições de convívio, mas o entendimento do magistrado é de que essa avaliação não pode ser feita apenas com base no pedido apresentado, sendo necessária uma análise formal da equipe penitenciária. Sem essa documentação, o juiz afirma que qualquer mudança poderia representar risco tanto ao condenado quanto a outros detentos.
A condenação de Edgar Ricardo foi uma das mais extensas já aplicadas pela Justiça mato-grossense para crimes dessa natureza. Ele foi responsabilizado por homicídios qualificados e outros delitos associados ao episódio, totalizando 136 anos de pena. Mesmo após a sentença, o caso segue sendo acompanhado de perto por autoridades e pela população de Sinop, devido à repercussão nacional que ganhou.
Com a decisão atual, o preso continuará no regime em que se encontra, e sua eventual transferência dependerá de novos relatórios técnicos e futuras decisões judiciais. A defesa ainda tem a possibilidade de recorrer, mas, por ora, a determinação de manter Edgar no isolamento permanece válida e sem previsão de revisão.

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Daniel Trindade
Editor-Chefe do Portal de Notícias
Ativista Social|Jornalista MTB 3354 -MT
Consultor Político
Estudante Bacharelado em Sociologia
Defensor da Causa Animal em Sinop -MT
Tutor do Stopa "O Cão Mascote"






