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Guerra comercial : Reviravolta no tarifaço de Trump estremece posição “privilegiada” do Brasil

Avatar photo Redação 10 de abril de 2025 9 min read

Donald Trump, Presidente dos EUA. Foto: EFE/EPA/YURI GRIPAS/POOL

As idas e vindas do presidente Donald Trump em relação às tarifas recíprocas puseram em dúvida as potenciais vantagens e oportunidades do Brasil em meio à guerra comercial. A revolução promovida pelo tarifaço do presidente americano vinha apontando o país como um dos potenciais favorecidos – ou menos prejudicados.

O Brasil, que tem balança comercial deficitária com os Estados Unidos, havia ficado no grupo da tarifa extra mínima de 10%, para alívio de exportadores e do Itamaraty. E maiores alíquotas haviam sido aplicadas aos países com os quais os EUA têm grandes déficits comerciais, entre eles, alguns dos principais concorrentes brasileiros no mercado americano.

Nesta quarta-feira (9), porém, Trump anunciou que limitará as tarifas para todos os países em 10% pelo prazo de 90 dias, mas elevará as taxas sobre a China para 125%, com efeito imediato. Com isso, neutralizou a vantagem tarifária brasileira, que poderia aumentar nosso volume de exportação aos EUA, além de abrir perspectivas para outros mercados.

Especialistas ouvidos pela Gazeta do Povo avaliam que, além do impacto para posição brasileira, o recuo de Trump corrobora o clima de instabilidade e impede previsões. “Essa mudança das tarifas provoca mais instabilidade”, diz a economista Carla Beni, da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

“Não dá para saber se isso é uma coisa boa ou ruim, se isso vai facilitar ou dificultar, porque como o Trump muda a regra, basicamente a cada 48 horas, 90 dias é muito tempo. Primeiro precisamos saber se esse prazo de 90 dias vai ser estabelecido. Não dá para fazer nenhum tipo de previsão diante desse volume de instabilidade que ele [Trump] está provocando.”

Sílvio Campos Neto, da consultoria Tendências, reforça que, apesar do adiamento ser bem-vindo, “não se pode contar” com eventuais brechas da guerra comercial de Trump para decisões de negócios e investimentos.

“Eu diria que não dá para nenhuma empresa decidir qualquer coisa que seja com base nessas medidas, nesses anúncios intempestivos do Trump, que são situações que podem mudar a qualquer momento”, afirma. “Decisões tipo ‘bom, agora vou me aproveitar dessa diferença de tarifas para vender mais para um determinado local, seja para os Estados Unidos ou outro país’. Isso não é crível.”

Foco principal é ameaça da China

Com o aumento das tarifas para a China, Trump escala mais um degrau na disputa com seu concorrente direto pela hegemonia mundial. A reação do gigante asiático às elevadas tarifas americanas desde a segunda-feira (7), e a resposta norte-americana com nova sobretaxa aos chineses, haviam preconizado o imbróglio que deve impactar a balança entre os dois países.

Para Bruno Imaizumi, da LCA Consultoria, no novo cenário, permanecem as perspectivas de incremento comercial do Brasil em relação à China, para onde já se prevê o aumento de vendas do agronegócio brasileiro, especialmente de soja e milho.

“Vejo esse aumento de exportações para a China num primeiro momento”, afirma Imaizumi. “No entanto, outros países produtores também competirão por essa lacuna que o comércio entre os dois países deixará e não necessariamente “roubaremos” toda essa fatia.

Um relatório da consultoria econômica MB Associados, divulgado antes do adiamento da medida, demonstrava o impacto que o tarifaço teria na ampliação das trocas brasileiras com a China, o maior parceiro comercial do país depois dos Estados Unidos.

“Hoje, a corrente de comércio [soma de importações e exportações do Brasil] com os chineses é praticamente o dobro da dos americanos [com o Brasil]. Não será difícil ver os chineses caminharem para US$ 200 bilhões de corrente de comércio [com o Brasil] e os americanos caírem para US$ 60 bilhões. O que era ‘apenas’ o dobro se tornará o triplo em alguns anos”, diz o documento.

O relatório da consultoria também atestava que uma tendência de aproximação do Brasil também com o Sudeste Asiático, Japão e Europa. Além disso, as exportações brasileiras podem ganhar mercado dentro dos EUA, devido às maiores tarifas impostas a outros países concorrentes.

No caso do café, por exemplo, o segundo maior exportador depois do Brasil, o Vietnã, estaria sujeito a tarifa de 46%. A Suíça venderia o grão com uma sobretaxa de 46%.

A tendência deve continuar, mas Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados e pesquisador do Instituto de Economia da USP, faz ressalvas. “Um espaço maior de comércio com os americanos e com os chineses não deveria vir às custas de uma guerra comercial como está sendo feito”, acrescenta.

Cadeias produtivas estão se reorganizando

Carla Beni, da FGV, acredita que, caso persista a “implosão da ordem mundial”, os países vão buscar reposicionamento. “As cadeias produtivas estão sendo reposicionadas, os países podem e estão fazendo isso, começando a negociar entre si.”

Ela destaca o acordo entre China, Japão e Coreia do Sul, anunciado após o tarifaço. “Eu nunca achei que eu fosse viver o suficiente para ver um acordo como esse”, diz.

Da mesma forma, a economista acredita que o Mercosul “tem uma opção gigantesca na mão” para agir em bloco. Prova disso é a grande expectativa de que a tensão entre EUA e Europa impulsione a implementação do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, uma novela que se desenrola há 25 anos, esbarrando no protecionismo principalmente dos produtores agrícolas franceses.

O acordo prevê a redução de tarifas de importação, imediata ou gradual, de 91% dos produtos que o Brasil importa da União Europeia e 95% dos bens que o bloco europeu importa do Brasil. Para alguns setores, o prazo é de até 15 anos. Em dezembro, os dois blocos haviam chegado a um acordo técnico, mas ainda falta a aprovação do Conselho de Ministros e do Parlamento Europeu, sediados em Bruxelas, capital da Bélgica.

Na sexta-feira (4), um porta-voz do bloco europeu disse à agência Reuters que o acordo com o Mercosul seria uma “grande oportunidade” no novo contexto de incertezas geradas pelo tarifaço de Trump.

“Para além da questão de se gostar ou não de Trump, ou achar sei lá eu o quê, existe sim uma oportunidade, e o acordo do Mercosul com a Europa pode realmente ser retomado”, diz Beni. “Então, nós temos oportunidades diante de um mal maior que é a instabilidade promovida com as medidas. Agora, tudo isso leva um tempo, vai ser aos solavancos e vai sobrar tiroteio para todo mundo.”

“Invasão” chinesa pode reduzir inflação

No cenário macroeconômico, ainda permanece a possibilidade de impactos positivos para o Brasil, com desvalorização do dólar e redução pontual de inflação, já que os países asiáticos venderão menos para os EUA e devem redirecionar suas exportações para o Brasil, barateando produtos. A queda dos preços internos, no entanto, depende da trajetória do dólar, ainda incerta.

A desvalorização da moeda americana é uma das metas de Trump para aumentar a competitividade das exportações americanas. Um dólar mais fraco torna os produtos produzidos nos Estados Unidos mais baratos no mercado internacional, o que pode impulsionar a indústria, criar empregos no país, além de reduzir o déficit das contas públicas.

Desde a posse de Trump em janeiro, a cotação do dólar vinha recuando no Brasil, mas a trajetória tem sido errática nos últimos dias. Após uma aparente tranquilidade no primeiro dia após o anúncio do tarifaço, quando a moeda fechou em R$ 5,63, as cotações passaram a subir e chegaram a bater em R$ 6 na terça (8), quando o governo dos EUA anunciou tarifa de 104% sobre a China. Após o anúncio desta querta-feira (9), o dólar fechou em R$ 5,85.

Paralelamente, a volatilidade dos mercados globais tem refletido o pessimismo dos agentes com o risco de recessão global. A percepção é de que as medidas de Trump podem gerar inflação nos Estados Unidos e esfriar a economia do país e do mundo. As retaliações da China e, eventualmente, de outros parceiros agravam o quadro.

Campos Neto, da Tendências, avalia que, neste sentido, o anúnico desta quarta-feira aliviou os mercados. “De certa forma, o recuo mostra que o governo Trump tem um pouco dessa dimensão, de percepção de como essa agenda é danosa para a própria economia dos Estados Unidos”, diz. “Vai gerar consequências ruins, em termos de custos para as empresas, de aumento de preços para os consumidores, com riscos de forçar de dificultar uma queda de juros por parte do Fed [banco central americano] e, eventualmente, colocar a economia num contexto estagflação.”

Mercado precifica recessão americana

Para William Castro Alves, estrategista-chefe da corretora Avenue, a imprevisibilidade de Trump tem sido precificada pela possibilidade de recessão americana. “O mercado trabalha sempre com expectativa”, diz. “Pela precificação dos últimos dias, o panorama esperado era o pior possível. Mas não quer dizer que ocorra necessariamente esse cenário. De novo, uma coisa é o que o mercado precifica no curto prazo. Outra coisa é o que, de fato, os indicadores vão mostrar”, afirma.

Castro Alves acredita nos movimentos de negociação dos países com os Estados Unidos, divulgadas pelo secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent. Na segunda-feira (7), Bessent afirmou que mais de 50 países responderam de forma positiva às tarifas do presidente e que o governo “está ansioso por negociações significativas nas próximas semanas”.

Em postagem na rede social X, o secretário criticou o comportamento da China, que optou por “se isolar, retaliando e dobrando o comportamento negativo anterior”.

O estrategista da Avenue ainda acredita que o Brasil tem potencial para se sair bem da turbulência mundial, “deixando as ideologias de lado para costurar um acordo”. Eventualmente, ressalta Castro Alves, o Brasil poderia criar condições para atrair empresas fornecedoras para o mercado americano, aproveitando a ideia de Trump de trazer as cadeias produtivas mais para perto dos EUA. “Acho que o Brasil teria uma oportunidade única com essas tarifas”, diz.

“O Brasil está mais perto dos Estados Unidos do que Camboja, Bangladesh ou Indonésia. Será que não conseguimos produzir no Brasil um tênis Nike? Será que não conseguimos produzir móveis? Não estou nem falando de produzir produtos de alta tecnologia, mas de coisas que o Brasil consegue produzir.”

Sem cacife para retaliar, país deve explorar oportunidades

Para os especialistas, em meio a tantas incertezas, um aspecto é certo: o Brasil não deve pensar em retaliar os EUA. “Não temos as mesmas condições da China”, avalia Carla Beni. “Ela vai impedir a exportação dos minerais chamados ‘terras raras’ para os Estados Unidos, estipulando uma cota de exportação da matéria-prima que é crucial para os Estados Unidos crescer, se industrializar. Sem esses minerais, você não faz chips, não faz semicondutor, não faz bateria de carro. É um instrumento poderoso. Para nós, o que resta é ser pragmático.”

Vale, da MB Associados, ressalta que a diplomacia e o Ministério do Desenvolvimento “são competentes para fazer a negociação necessária”. “O que não podemos fazer é responder contra os americanos”, diz. “Tivemos um aumento de tarifa retaliatória, mas, com uma inflação elevada como temos agora, uma resposta igual pioraria ainda mais nossa situação. Precisamos de fato, tentar uma negociação, o que vai acabar acontecendo.”

Campos Neto destaca que a posição correta para o Brasil neste momento é “esperar pra ver”. “Existem oportunidades, mas também há riscos”, afirma. “A estratégia das empresas deve ser de cautela, de monitorar muito bem o que está sendo feito porque tem decisões que acabam afetando os negócios. A gente já viu isso na questão do aço. Pensando em termos de governo, a saída é não entrar em nenhum embate desnecessário com o governo Trump.”

Fonte: Gazeta do Povo


 

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