
Projeto da Ferrogrão avança com promessa de reduzir custos logísticos em 20%, cortar emissões de CO₂ e transformar o transporte de grãos entre Sinop e Miritituba até 2035.
por Daniel Trindade
Durante uma palestra realizada em Sinop nesta quarta-feira (23), o empresário Guilherme Quintela, presidente da Estação da Luz Participações (EDLP), detalhou as atualizações do projeto da ferrovia Sinop-Miritituba, conhecida como Ferrogrão. Segundo ele, o Ministério dos Transportes está intermediando a etapa final para viabilizar a licença ambiental, o último obstáculo antes da licitação da obra.
De acordo com Quintela, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) deve concluir em até 15 dias o projeto executivo da ferrovia, que será encaminhado ao Tribunal de Contas da União. A expectativa é que o edital de licitação seja lançado até março de 2026. Caso esse cronograma seja mantido, a conclusão da ferrovia está projetada para o ano de 2035.
O traçado da Ferrogrão manterá a extensão de 933 quilômetros ao longo da BR-163, conforme o estudo técnico apresentado. Não haverá necessidade de túneis nem de relocação de comunidades. Estão previstas a construção de 65 pontes ferroviárias com mais de 81 mil metros de extensão, além de quatro viadutos ferroviários e 10 viadutos rodoviários. O projeto também contempla a instalação de 48 pátios ferroviários e o uso de 2 mil dormentes de concreto. A maior ponte será erguida sobre o rio Peixoto, entre Matupá e Peixoto de Azevedo, com 250 metros de comprimento.
Os ramais que ligarão Sinop a Lucas do Rio Verde estão previstos para uma segunda etapa do projeto.
A Ferrogrão deve representar uma grande economia logística para os produtores mato-grossenses. A estimativa é de redução de até 20% no custo do frete por tonelada de grãos, o que equivale a uma economia de R$ 8 bilhões por ano. A capacidade estimada de escoamento é de 69 milhões de toneladas até 2095. Uma composição ferroviária de 16,9 mil toneladas poderá substituir até 422 caminhões no trecho entre Sinop e Miritituba.

Além do impacto econômico, a ferrovia trará benefícios ambientais significativos, com expectativa de reduzir em 40% as emissões de dióxido de carbono. Estima-se que cerca de 3,4 milhões de toneladas de CO₂ deixem de ser lançadas na atmosfera anualmente com a substituição parcial do transporte rodoviário.
Segundo a empresa responsável pelo projeto, o valor social presente líquido da Ferrogrão foi calculado em R$ 63 bilhões, tornando-a uma alternativa mais viável do que a duplicação da BR-163.
O projeto enfrentou entraves judiciais por anos, devido a uma ação movida pelo PSOL no Supremo Tribunal Federal que questionava possíveis impactos ambientais em áreas indígenas no Pará. No entanto, de acordo com a apresentação desta terça-feira, o traçado da ferrovia foi ajustado para ficar fora do Parque Nacional do Jamanxim. Nos trechos mais sensíveis, como os 49 km contíguos à unidade de conservação, a ferrovia seguirá o traçado já desmatado da BR-163. Para compensar os impactos, será feito o plantio de 2 mil hectares de vegetação nativa.

A infraestrutura da Ferrogrão também incluirá quatro portos fluviais: em Itacoatira (AM), Santarém e Barcarena (PA), e Santana (AP), reforçando a logística de exportação pelo Arco Norte.
Durante a apresentação, Quintela destacou que a ferrovia não extinguirá o papel dos caminhoneiros, mas os reposicionará para rotas mais curtas, de apoio à logística ferroviária. “O caminhão foi feito para trajetos curtos. A ferrovia vai melhorar a rentabilidade deles, que continuarão essenciais alimentando os terminais”, afirmou.
A palestra foi promovida pela prefeitura de Sinop em parceria com entidades empresariais e do agronegócio. O prefeito Roberto Dorner celebrou o avanço do projeto, destacando o potencial transformador da ferrovia para a economia da região. “Estamos cada vez mais próximos. A Ferrogrão é um sonho antigo e estamos acompanhando de perto para que ele se torne realidade”, afirmou.

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Daniel Trindade
Editor-Chefe do Portal de Notícias
Ativista Social|Jornalista MTB 3354 -MT
Consultor Político
Estudante Bacharelado em Sociologia
Defensor da Causa Animal em Sinop -MT
Tutor do Stopa "O Cão Mascote"




