
Portão do Inferno e BRT acumulam falhas de planejamento, custos extras e atrasos que desafiam o discurso de eficiência do governo.
por Daniel Trindade
As principais obras do governo Mauro Mendes (União Brasil) e do vice Otaviano Pivetta (Republicanos) acumulam atrasos, revisões de projeto e gastos não previstos, ampliando críticas sobre gestão, planejamento e eficiência administrativa. As intervenções no Portão do Inferno e no BRT metropolitano, anunciadas como soluções definitivas para problemas históricos de infraestrutura em Mato Grosso, tornaram-se símbolo da distância entre as promessas divulgadas com ênfase política e a realidade das entregas efetivas. A narrativa de “experiência em gestão”, frequentemente defendida pelo governador, vem sendo confrontada pelos resultados práticos dessas obras resultados que têm levantado mais perguntas do que respostas.
No caso do Portão do Inferno, na MT-251, o governo estadual investiu cerca de R$ 10 milhões em um projeto inicial cujo objetivo era estabilizar a encosta por meio do corte vertical da rocha. Entretanto, análises técnicas posteriores consideraram a solução inadequada, levando ao abandono da proposta quando parte significativa dos recursos já havia sido aplicada. O orçamento original, estimado em R$ 29,5 milhões, chegou a ser ampliado para aproximadamente R$ 37,6 milhões, sem que o projeto avançasse para uma solução definitiva. Após meses de impasse e revisões, a Sinfra optou por adotar um modelo completamente diferente: a construção de um túnel de 170 metros, estruturado em 513 metros com os acessos. A licitação, lançada em novembro de 2025, prevê R$ 54,8 milhões em investimentos e até 510 dias de execução.
Essa mudança radical de escopo de corte de rocha para túnel completo evidenciou fragilidades no planejamento inicial e desencadeou questionamentos inevitáveis: como um projeto considerado inadequado pôde consumir milhões antes mesmo de ser tecnicamente reprovado? Quem analisou, aprovou e autorizou a execução dessa intervenção? E por que decisões dessa magnitude parecem ter sido tomadas antes de um aprofundamento técnico rigoroso, capaz de evitar gastos desperdiçados?
A mesma percepção de falha de gestão se repete no Sistema BRT de Cuiabá e Várzea Grande, outra obra anunciada com grande visibilidade. Orçado inicialmente em R$ 468 milhões, o projeto teve o contrato original firmado em 2022 rescindido em 2025 após o consórcio responsável descumprir prazos e não avançar no ritmo previsto. Embora parte das obras tenha sido executada, como trechos de pista de concreto, calçadas e iluminação, muitos segmentos permaneceram inacabados. Diante da necessidade de continuidade, o governo contratou outro consórcio Guaxe, Encomind e Lotufo por R$ 155 milhões apenas para concluir etapas já iniciadas.
Além disso, problemas estruturais obrigaram a demolição de ciclovias recém-construídas, reforçando críticas à supervisão técnica e ao controle do projeto. O prazo de entrega, antes previsto para outubro de 2025, novamente não se confirmou. Hoje, o sistema avança de forma fragmentada e sem previsão clara de conclusão, enquanto o custo total cresce estabelecendo um novo patamar de despesas.
Diante da repetição de atrasos, revisões e gastos extras, cresce a pergunta central entre analistas, parlamentares e setores organizados da sociedade: onde está a experiência administrativa que Mauro Mendes afirma possuir? Obras apresentadas como símbolos de eficiência acabam revelando o oposto decisões precipitadas, alterações profundas após investimentos já realizados e cronogramas continuamente prorrogados. Em vez de se consolidarem como vitrines de gestão, o Portão do Inferno e o BRT se tornaram exemplos da dificuldade do governo em transformar anúncios em entregas concretas e seguras.
O governo argumenta que obras complexas exigem revisões constantes, sobretudo em áreas de risco, e que ajustes fazem parte do processo natural. No entanto, especialistas em infraestrutura apontam que correções tão profundas geralmente indicam falhas nas fases preliminares de análise, estudos e definição das alternativas. Em projetos que envolvem dezenas de milhões de reais, o rigor técnico deveria ser premissa, não exceção.
Enquanto Mauro Mendes e Otaviano Pivetta mantêm o discurso de credibilidade e capacidade de gestão, os fatos mostram um cenário distinto. Obras consideradas prioritárias acumulam mudanças de direção, cronogramas alterados, custos ampliados e decisões que precisaram ser revistas após o dinheiro já ter sido investido. A população, que depende dessas intervenções para mobilidade, segurança viária e desenvolvimento urbano, continua esperando entregas que ainda não saíram do papel.
Até que essas obras sejam concluídas e entregues como prometido permanece no ar uma pergunta que ecoa entre moradores, técnicos e lideranças políticas: a experiência anunciada pelo governo de Mato Grosso está, de fato, se traduzindo em resultados concretos para o Estado?

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Daniel Trindade
Editor-Chefe do Portal de Notícias
Ativista Social|Jornalista MTB 3354 -MT
Consultor Político
Estudante Bacharelado em Sociologia
Defensor da Causa Animal em Sinop -MT
Tutor do Stopa "O Cão Mascote"



