
por Rogério Florentino / Conexão MT
Em um ato que desafia os princípios da transparência na gestão pública, a Prefeitura de Cáceres firmou um Acordo de Cooperação para a 55ª Expocáceres que, ao mesmo tempo em que declara não haver repasse de verbas, obriga o município a arcar com a principal e mais cara atração do evento, sem, contudo, revelar o valor do cachê aos cofres públicos. A parceria com o Sindicato Rural de Cáceres (SIRUCAC) se estrutura sobre um paradoxo fiscal: cria-se uma narrativa de custo zero para a prefeitura, enquanto se esconde um gasto potencialmente milionário do escrutínio dos cidadãos.
A manobra reside na redação do Termo de Cooperação Nº 003/2025. O documento destaca, em letras maiúsculas, que a parceria “NÃO ENVOLVERÁ A TRANSFERÊNCIA DE RECURSOS FINANCEIROS” ao Sindicato. Essa formulação, embora tecnicamente possa ser verdadeira – o dinheiro não passa pela conta do parceiro privado –, é profundamente enganosa, pois induz à falsa percepção de que o evento não terá custo para o contribuinte.
A realidade, dissimulada algumas cláusulas adiante, é que a prefeitura se compromete a “contratar e custear” diretamente o show da dupla sertaneja Zé Neto e Cristiano. A omissão do valor desta contratação no documento oficial é uma falha grave de transparência. Ao detalhar todas as obrigações operacionais do Sindicato, mas ocultar o principal dispêndio financeiro do município, a gestão impede que o cidadão avalie a razoabilidade e a prioridade desse gasto frente a outras demandas da cidade.

Desta forma, a prefeitura utiliza recursos públicos para financiar o chamariz de público do evento – cuja expectativa é de 10 mil pessoas por noite –, entregando essa audiência para que o parceiro privado a monetize. O Sindicato Rural, por sua vez, assume os custos de infraestrutura, mas recebe a concessão gratuita para explorar comercialmente todos os espaços, como camarotes, estandes e praça de alimentação, transformando o investimento público em potencial lucro privado.
Ao final, a publicação do acordo sobre a 55ª Expocáceres levanta mais questionamentos do que oferece respostas. A parceria, que deveria ser um modelo de colaboração em prol da comunidade, apresenta-se como um exemplo de opacidade fiscal, onde a ausência de um único número – o custo do show principal – compromete a legitimidade de todo o arranjo e nega à população de Cáceres o direito fundamental de saber como seu dinheiro está sendo efetivamente empregado.

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Daniel Trindade
Editor-Chefe do Portal de Notícias
Ativista Social|Jornalista MTB 3354 -MT
Consultor Político
Estudante Bacharelado em Sociologia
Defensor da Causa Animal em Sinop -MT
Tutor do Stopa "O Cão Mascote"






